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sábado, 23 janeiro 2021

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É preciso buscarmos ao Senhor para que nossa motivação esteja no serviço e não em nós mesmos


O dia 5 de janeiro de 1975, amanheceu quente e ensolarado. Cedo os jovens já lotavam o ônibus (sem ar condicionado) parado em frente à Igreja Metodista Wesley em Porto Alegre – RS. Quando, todos chegaram, o jovem pastor metodista Mércio Meneguetti orou e leu o texto de Colossenses de 12 a 17, preparando nossos corações ansiosos para a jornada de 35 dias, que percorreria 12 estados do território nacional, levando aquela equipe de cerca de 40 jovens pelo Brasil a fora com destino final em Fortaleza, no Ceará.

Já saímos cantando. Foram dias inesquecíveis. Cada manhã era um lugar novo, com gente nova. Com uma agenda intensa, o grupo passava por Igrejas Metodistas dos diferentes estados, que nos recebiam com muita festa e alegria. Todos estavam sempre dispostos. Dormíamos em qualquer lugar, comíamos o que serviam e acordávamos cantando e não ganhávamos nada pelo serviço, a não ser cama e comida com amor e simplicidade.

A ministração era intensa. Basicamente todos davam testemunhos, cantavam louvores e muita oração. A paixão por Jesus era a grande riqueza. Muitos de nós, somos até hoje amigos, como eu e o Bispo Metodista Luíz Vergílio. Tivemos nossas vidas marcadas por aquele projeto que teve também nos relacionamentos uma de suas ênfases principais.

Olhando para traz posso ver como os ministros e o ministério mudaram. Hoje dificilmente os jovens teriam a disposição de dar as suas férias e recursos para algo desse tipo. Por certo, se o convite for para a Disney, ou um evento do grupo australiano United, já nasce com Ibope. Hoje o enfoque da igreja é outro. Tudo é rápido, de no máximo, fim de semana e tem que ter algum atrativo maior que a simples presença de Cristo. Isto mostra o quanto somos voltados para nós mesmos e não para fora, para os outros. Parece que a palavra foi totalmente invertida e receber hoje em dia é imperativo e muito melhor que dar.

É preciso buscarmos ao Senhor para que nossa motivação esteja no serviço e não em nós mesmos. Constantemente ouço a doce voz do Espírito Santo perguntando o que me move?

O ministério de louvor e adoração também mudou. Começando pelo transporte aéreo, que agita tudo. Correria em aeroportos, enfoque rápidos e pouco profundos, enfatizando as necessidades muito mais dos ministros do que do ministério como um todo. Antes, tudo era vinculado a um compartilhar intenso e puro com as igrejas nas localidades. Lembro, nesta viagem citada, de chegar em uma comunidade em Natal e ser rapidamente cercado por uma imensidão de crianças com quem passei toda a tarde tocando e cantando. Logo, ao meu redor, tinha um grupo de pessoas ouvindo falar de Deus. Creio que a grande chave está em nós, os ministros, não perderem a simplicidade. É preciso buscarmos ao Senhor para que nossa motivação esteja no serviço e não em nós mesmos. Constantemente ouço a doce voz do Espírito Santo perguntando o que me move? A tentação é grande, e é muito fácil perder o foco. O dinheiro, o reconhecimento? A glamurização dos ministros e ministérios é intensa e os distrai com facilidade. Mas, todo aquele que olha para Jesus e seu propósito não será confundido. Que possamos sempre voltar à esta preciosa simplicidade devida aos que são de Cristo (2 Cor.11:3). Um dia um músico Cristão me disse: eu amo o palco. Ao que lhe respondi: ame mais o altar do que o palco.

Asaph Borba é ministro de adoração, compositor, pastor, jornalista e escritor


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