O ato público reuniu mais de 200 igrejas, organizações e ativistas, que marcharam com cartazes, pedindo proteção legal e respeito às garantias constitucionais de liberdade à fé
Por Patricia Scott
Cerca de 2 mil cristãos lotaram as ruas de Nova Deli no dia 29 de novembro para denunciar o avanço da perseguição religiosa na Índia. O ato público reuniu mais de 200 igrejas, organizações e ativistas, que marcharam com cartazes e orações, pedindo proteção legal e respeito às garantias constitucionais de liberdade religiosa.
No palco montado para os discursos, representantes cristãos apontaram um aumento de 500% nos casos de hostilidade desde 2014. Dados apresentados indicam que a violência documentada saltou de 139 ocorrências para 834 em 2024, e que quase 5 mil ataques ocorreram ao longo de dez anos, segundo o United Christian Forum — responsável pela mobilização. Entre 2016 e 2020, ao menos 21 cristãos foram mortos, incluindo um pastor eletrocutado em Rajasthan.
Líderes religiosos atribuíram o cenário ao clima de intolerância intensificado durante o governo do Bharatiya Janata Party (BJP), de orientação nacionalista hindu. Eles ressaltaram ainda que 93% dos casos não resultam em punição, muitas vezes por negligência policial ou intimidação às vítimas.
Outro ponto levantado pelos manifestantes foi a negação do direito de sepultamento cristão, especialmente em áreas tribais, onde fiéis têm sido impedidos de usar cemitérios e até obrigados a exumar familiares sepultados. Cristãos indígenas também criticaram pressões políticas para retirar o status tribal de convertidos, medida que elimina benefícios governamentais.
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Rússia critica presença da Otan na Groenlândia e ameaça - Rússia critica a militarização do Ártico e classifica a presença da Otan na Groenlândia como uma ameaça fabricada contra Moscou e Pequim As leis anti-conversão, em vigor em pelo menos 12 estados, foram citadas como instrumento para criminalizar cultos domésticos, ações sociais e conversões voluntárias. Um caso emblemático ocorreu em 2023, quando Santosh Nishad foi preso por realizar uma reunião de oração em sua casa.
O acesso a financiamento estrangeiro também foi tema de crítica. Pela Lei de Regulação de Contribuições Estrangeiras (FCRA), mais de 20 mil ONGs — sendo 1.626 cristãs — perderam licenças entre 2019 e 2023, acusadas de promover conversões. Organizações como Visão Mundial Índia e Evangelical Fellowship of India foram afetadas. Líderes afirmam que a legislação vem sendo usada para intimidar instituições e restringir projetos sociais cristãos.
Os participantes exigiram ainda o fim da exclusão de dalits cristãos de programas sociais e cotas educacionais, reivindicando igualdade de direitos. Um manifesto nacional com essas demandas será encaminhado ao presidente, ao primeiro-ministro e à Suprema Corte.
Somente entre janeiro e setembro de 2025, o United Christian Forum contabilizou 579 episódios de violência, mas apenas 39 chegaram às autoridades. Em um desses ataques, no início do ano, uma cristã grávida chamada Kunika perdeu o bebê após ser agredida em um momento de oração.
A Missão Portas Abertas classificou a Índia como 11º país mais hostil aos cristãos na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2025. Com informações The Christian Post

