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terça-feira, 1 dezembro 2020

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Ninguém em sã consciência pode negar a aproximação da ideologia progressista com o grande capital

Por Magno Paganelli

Desde 2007 eu pesquiso o Islã tendo, inclusive, participado por seis anos de um grupo de pesquisa sobre o mundo muçulmano na Universidade de São Paulo. Por conta disso apresentei palestras em diferentes lugares e uma pergunta recorrente ao final das mesmas era: “Nós corremos o risco de o Islã vir forte para o Brasil?”. Havia três motivos pelos quais refugiados de guerras do mundo árabe e muçulmano não tinham o Brasil como destino preferido ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos. Nos Estados Unidos a economia é forte, enquanto no Brasil e na América Latina ela é instável, quando não fraca. Nos Estados Unidos há sorteio de vistos para permanência no país, no Brasil não. E no Brasil há uma cultura cristã de perfil católico e, mais recentemente, o crescimento dos evangélicos, onde o trânsito religioso se dá dentro da própria matriz cristã. Dificilmente ele frutifica em religiões tão diferentes como é o Islã, isto é, pouca gente se anima para mudar para uma religião tão diferente daquele que já professa.

No entanto, se as pessoas pensam que o Islã é perigoso para o Brasil (e eu mesmo prefiro que as coisas por aqui fiquem como estão), há no Brasil um movimento curioso e a meu ver nocivo, porque carrega o mesmo ímpeto de fanáticos e intolerantes religiosos, ainda que entre os meus conhecidos muçulmanos nenhum seja assim. É a ideologia que promove pautas identitárias. Veja bem, eu disse ideologia, não disse questão de justiça. Há casos em que as minorias precisam ser protegidas e necessitam mecanismos jurídicos para que se desenvolvam. Eu entendo. A questão é que há uma ideologia perniciosa e aproveitadora, oportunista até, que mobiliza pessoas tão fervorosas como fanáticos religiosos e é tão totalizante quanto um califado regido pela sharia, ao interferir em setores como comportamento, mercado de trabalho e economia.

Grandes empresas têm descoberto nesses grupos, nessas “minorias”, nichos de mercado a serem conquistados, lucros a serem auferidos. Nisso o discurso ideológico se apoia como um apelo que o pregador faz no final do sermão e têm cooptado novos convertidos. Estes saem como que a evangelizar, a fazer convertidos. É o caso de empresas como o Carrefour com o programa “Carrefour por Elas”, que pretende ter quarenta por cento de sua diretoria preenchida por mulheres. Programas similares voltados para outras minorias existem na Avon, no Itaú, Bradesco, Basf, Sodexo, Microsoft. Estas empresas já são reconhecidas como acima da média no tratamento a grupos LGBTI+, pelo Guia Exame de Diversidade.

Mas não se engane o leitor a meu respeito, porque eu não tenho o menor problema com quadros femininos, nem negros, nem LGBTI+, nem refugiados nem qualquer outro. Defendo, isso sim, a inclusão de todos, especialmente daqueles que necessitam mais do emprego do que estes da lista de minorias. Cotas sociais, a meu ver, são mais justas, mas essa será outra discussão. O ponto aqui é o jargão das próprias consultorias empresariais, jargão que não toca no problema, que é a humanização dos processos sociais nem o fim das desigualdades históricas. “Diversidade é sinônimo de lucro”, esse é o mantra de consultorias. Estudo da McKinsey com mil empresas em doze países apontou que uma maior diversidade é sinônimo de mais dinheiro no caixa, pois a probabilidade de gerar lucro é 21% maior em empresas que apresentam diversidade de gênero e de 33% maior entre aquelas que têm diversidade étnica.

Ninguém em sã consciência pode negar a aproximação da ideologia progressista com o grande capital. Exemplos não faltam e a China é um imenso cartão de visitas para interessados.  Que eles não mostram, no entanto, são os campos de concentração e trabalhos forçados, não mostram a violação aos direitos humanos e muitas outras conquistas que o Ocidente obteve, seja este tomado como Ocidente conservador cristão ou o Ocidente do capital e do livre mercado. O mercado tem sido cooptado pela ideologia, uma espécie de prostituta embriagada do Apocalipse montada na grande besta.

Para quem leu o último livro da Bíblia há ânimo e esperança. No caso que tratei aqui, do mercado convertido a uma ideologia de fanáticos, o Unwoke, site antilacração (woke=lacração, há versão no Brasil), tem oferecido emprego livre de lavagem cerebral e da militância intolerante. Deve ser o pior dos mundos trabalhar em um ambiente que privilegia o pensamento político ideológico à competência profissional e a criatividade empreendedora. O slogan da turma é “Contrate pessoas profissionais, não ativistas”. É assim que deve. A história dá conta dos problemas do capital selvagem, mas essa não é toda a história. Em termos econômicos e tecnológicos, o Ocidente não superou o mundo árabe e o Oriente de outro modo que não promovendo a liberdade, os direitos individuais e o livre mercado. Não há mágica nisso.

E depois de tudo ainda acham ruim o presidente usar versículo bíblico em suas campanhas, mas convenhamos: nada melhor do que a verdade para nos libertar.

Magno Paganelli é Doutor em História Social (USP) e Mestre em Ciências da Religião (Mackenzie). É escritor e um dos idealizadores do Movimento Paz para Todos. #pazparatodos. Inscreva-se no Youtube e acompanhe conteúdos bíblicos: www.youtube.com/c/magnopaganelli

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