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Açúcar na infância pode elevar risco de problemas mentais

Estudo mostra que consumo reduzido de açúcar nos primeiros mil dias reduz risco de Alzheimer, demência e transtornos mentais na idade adulta

4 min de leitura

A alimentação durante os primeiros anos de vida pode exercer influência muito além da infância. Um estudo publicado na revista científica npj Aging revelou que a exposição ao consumo reduzido de açúcar durante os primeiros mil dias de vida, período que vai da gestação até aproximadamente os dois anos de idade, está associada a um risco significativamente menor de desenvolver demência, doença de Alzheimer, depressão e ansiedade na idade adulta.

A pesquisa analisou dados de 60.394 participantes do UK Biobank, nascidos entre 1951 e 1956. Os cientistas aproveitaram um “experimento natural” ocorrido no Reino Unido após o fim do racionamento de açúcar, em setembro de 1953. Até aquele momento, o alimento era distribuído de forma controlada por causa das consequências da Segunda Guerra Mundial. Com o término da restrição, o consumo de açúcar aumentou rapidamente, permitindo comparar pessoas que tiveram diferentes níveis de exposição ao alimento nos primeiros anos de vida.

Os pesquisadores dividiram os participantes em grupos conforme o período em que foram expostos ao racionamento. Alguns passaram pela gestação e pelos primeiros anos de vida com acesso limitado ao açúcar, enquanto outros nasceram depois do fim das restrições. Ao longo das décadas seguintes, os cientistas acompanharam os registros médicos, exames de imagem cerebral e testes cognitivos dos voluntários.

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Os resultados mostraram que aqueles que tiveram menor exposição ao açúcar nos primeiros mil dias apresentaram um risco 27% menor de desenvolver demência e 46% menor de receber diagnóstico de doença de Alzheimer. Também foram observadas reduções de 11% no risco de depressão e de 20% no risco de ansiedade.

Além da menor incidência dessas doenças, o estudo identificou que os casos de demência surgiram, em média, 2,6 anos mais tarde entre as pessoas que cresceram consumindo menos açúcar. As ressonâncias magnéticas também apontaram sinais de envelhecimento cerebral mais lento, incluindo maior preservação de áreas importantes para a memória, como o hipocampo e o tálamo.

Os pesquisadores ressaltam que a investigação demonstra uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados reforçam a importância da alimentação durante uma fase considerada decisiva para o desenvolvimento do cérebro. Segundo os autores, os primeiros mil dias representam uma janela crítica em que nutrientes e hábitos alimentares podem influenciar a saúde por toda a vida.

A pesquisa se soma a outras evidências científicas que já relacionavam o excesso de açúcar ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Agora, o estudo amplia esse entendimento ao sugerir que o consumo elevado de açúcar também pode deixar marcas duradouras no cérebro e contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas décadas mais tarde.

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Especialistas destacam que o resultado não significa que o açúcar deva ser eliminado completamente da alimentação infantil, mas reforça a necessidade de seguir as recomendações de saúde pública, que orientam limitar a oferta de açúcares adicionados, especialmente nos primeiros anos de vida. A adoção de uma dieta equilibrada desde a gestação e durante a infância continua sendo uma das principais estratégias para promover um desenvolvimento saudável e reduzir o risco de doenças ao longo da vida.

O que o estudo descobriu no baixo consumo de açúcar

  • Mais de 60 mil participantes foram analisados.
  • O estudo acompanhou pessoas por várias décadas.
  • 27% menos risco de demência.
  • 46% menos risco de Alzheimer.
  • 11% menos risco de depressão.
  • 20% menos risco de ansiedade.
  • Casos de demência apareceram, em média, 2,6 anos mais tarde.
  • Exames mostraram sinais de envelhecimento cerebral mais lento.
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