O texto e a mediocridade espiritual

Tenho um blog no qual compartilho reflexões semanais sobre a vida cristã.

Desde que o criei, em 2011, venho postando textos sobre temas profundos da fé em Jesus, mas de maneira totalmente compreensível, em linguagem acessível, com o objetivo de torná-los saborosos de ler. Ao longo desses oito anos, porém, recebi algumas críticas por meus textos serem “grandes demais”. Pode não parecer, mas esse tipo de pensamento impacta diretamente nossa vida espiritual.

De vez em quando, vejo irmãos e irmãs compartilharem nas redes sociais minhas postagens com um comentário do tipo: “O texto é longo, mas vale a pena ler até o fim” ou “Senta, que lá vem texto”. O mais engraçado é que cada conteúdo que publico no blog tem, em média, somente oito parágrafos (como este que você está lendo). Espere… então oito parágrafos configuram “texto”?! Gente, o que as redes sociais estão fazendo com nossos cérebros?!

Confesso que estou preocupado com as graves implicações que essa cultura do “texto” tem sobre nossa espiritualidade. Explico: como uma pessoa que considera “texto” um textinho de oito parágrafos terá capacidade de manter uma rotina de leitura e estudo da Bíblia? Como um cristão para quem ler mais de três parágrafos é enfadonho conseguirá ler diariamente bons e necessários livros cristãos, uma disciplina fundamental e indispensável para nossa espiritualidade?

Se a Igreja de Cristo se acostumar à mentira de que escritos que exigem mais de 30 segundos de leitura são gigantescos, como poderá crescer e amadurecer em seus conhecimentos bíblicos e teológicos? Ou nos conformaremos com a mediocridade de textos minúsculos e rasos?

Eu me recuso a acreditar que as pessoas são medíocres. A mentira de que oito parágrafos é “texto” não pode nos vencer. Não pode derrotar o plano de Deus de que seus filhos e filhas cresçam sempre mais nos âmbitos intelectual, emocional e espiritual. Pois uma Igreja preguiçosa, que não lê algo que vá além de três parágrafos, está condenada à estagnação, à pobreza, à superficialidade, ao erro, à ignorância bíblica, à manipulação.

“Se a Igreja de Cristo se acostumar à mentira de que textos que exigem mais de 30 segundos de leitura são gigantescos, como poderá crescer e amadurecer em seus conhecimentos bíblicos e teológicos?”

Fica a recomendação, em amor: use esse seu belo cérebro, que é perfeitamente capaz de se concentrar, adquirir conteúdo, refletir sobre o que leu ou ouviu e de tomar decisões de mudança de vida, para crescer no conhecimento, na renovação da mente e no avanço espiritual. Derrote os mentirosos que abraçaram o conceito diabólico de “texto”, destinado a condenar o povo de Deus à mediocridade intelectual e espiritual. Você pode. Você consegue. Você é capaz.

Termino este meu texto (“ão” ou “enho”? Você decide) com uma reflexão: o Espírito Santo registrou sua verdade sagrada em um livro que contém cerca de 785 mil palavras, num total de 106 mil parágrafos e 3,6 milhões de letras. Agora, por favor, responda-me: você realmente acha que, se Deus estivesse mais preocupado com o tamanho dos textos do que com a importância da leitura (gaste-se quanto tempo for necessário), Ele teria registrado tudo num calhamaço de 785 mil palavras?

Diante dessa realidade, você pode escolher: ou passa a acreditar na verdade divina de que não importa o tamanho do texto, mas, sim, sua qualidade, ou desiste de ler as Escrituras Sagradas, porque, afinal, como diz o pensamento diabólico… senta que lá vem texto!


Maurício Zágari é teólogo, escritor, editor, comentarista bíblico e jornalista. É autor de 10 livros já publicados e recebeu três Prêmios Ar eté de excelência em literatura cristã. Escreve regularmente em seu blog, o Apenas (apenas1.wordpress.com)