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domingo, 24 outubro 2021

Médico e o alívio da dor: “instrumento na mão de Deus”

Na linha de frente no combate à covid-19, o médico Paulo Eduardo de Freitas fala do desafio de salvar vidas

No interior de São Paulo um médico figura como um dos heróis da pandemia. Na linha de frente contra a Covid-19, o infectologista Paulo Eduardo Freitas, 50 anos, tem uma rotina exaustiva, ainda mais em tempos de pandemia.

O médico diz que nunca imaginou que enfrentaria um momento tão difícil na história. “Nunca imaginei ver isso. Tudo muito novo, não tínhamos estrutura física, medicamentos”.

Casado, pai de dois filhos, Isabella de 16 anos e Felipe de 8, ele considera a Medicina “um dom dado por Deus para aliviar o sofrimento e a dor do próximo”.

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“Atuar como médico na linha de frente dessa pandemia significa ter medo de se contaminar e passar essa doença para a família. Mas é preciso ter coragem e tentar amenizar o sofrimento das pessoas. É triste ver uma pessoa agonizando por falta de ar e às vezes não ter o que fazer mesmo tentando tudo o que estiver ao seu alcance. Sinto isso em mim e dos meus colegas”, relata.

O desafio dos profissionais de saúde

O Dr. Paulo fala também do maior desafio dos profissionais de saúde neste momento: “Acredito que nosso maior desafio é reinventar os conceitos da medicina diante de uma doença nova. Isso talvez explique a capacidade do ser humano em se adaptar e a própria evolução da espécie”.

Salvar vidas e nada mais

Para ele, salvar vidas é um propósito de Deus e se enche de alegria ao ver um paciente ter alta. “Somos um instrumento na mão de Deus. Além de medicações e oxigênio, temos que dar esperança aos pacientes. Digo a eles, quando dou alta ‘Você é um vencedor, vida que segue’. Por outro lado, dói na alma ver tantas vidas perdidas, mas temos que ser fortes e não passarmos nossas aflições aos pacientes e à nossa equipe”.

O médico lamenta a população não contribuir para cessar a pandemia e aliviar profissionais de saúde da linha de frente: “a ação poderia ter ajudado mais. A saída para uma festa, até entre famílias, pode representar levar a doença para pais, avós. Presenciei muito isso desde fevereiro do ano passado.

Sobre uma jornada de muitas horas e o pouco tempo de convívio com a família e com as pessoas que ama, o médico infectologista diz. “Fico muito tempo longe dos meus filhos e tenho muito medo de voltar para a casa e contaminar filhos, mãe, pai é terrível. Triste não ver minha mãe pessoalmente por meses. Deus nos proteja e nos dê força para continuar”.

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