Mãe: O mais doce, singelo e puro amor

Como guardiãs da fé, elas têm a honrada missão de educar e transformar seus filhos em cidadãos de bem

Por Priscilla Cerqueira

Um oásis quando a vida parece difícil. Um norte quando estamos sem rumo. Um cais para onde eternamente podemos voltar. A única que briga, aponta e julga sem doer, que joga as verdades mais duras de forma carinhosa e alentadora. Que colore a vida nos dias de cinza. Que coloca o dedo na ferida e faz o curativo. Que adoça a alma quando ela ameaça ficar amarga. É o imensurável amor de mãe! “É um sentimento tão grande, que coloquei os meus filhos em primeiro lugar na minha vida.

Parei de trabalhar fora para cuidar deles. Não terceirizei esse privilégio de estar com eles 24 horas ao dia. Passamos dificuldades financeiras, mas valeu a pena o sacrifício para estar com eles”, disse Shirley Portes Santos, da Primeira Igreja Batista de Curitiba (PR), sobre os seis filhos que criou, quatro deles biológicos e dois adotados.

Ser mãe é muito mais do que gerar e dar à luz. É ser mãe e filha ao mesmo tempo, tanto no sentido humano e natural quanto no espiritual. Contemplada pelo Criador como receptora da semente da vida, torna-se continuadora do plano divino para perpetuação da espécie humana.

“O pai educa mais pelo exemplo. A mãe pelo exemplo e ensino. Mas a bíblia exorta aos pais igualmente a estarem prontos para responder aos questionamentos dos filhos” – Lídice Meyer, antropóloga cristã

Ao lado do pai, possibilita a formação de novos seres, através dos misteriosos processos da concepção e do nascimento. “Se olharmos com olhos pacientes e reflexivos, veremos que não há no mundo missão mais nobre e dignificadora do que ser mãe”, disse Élly Lucas Moret Rodrigues, que tem dois filhos – uma de 4 anos e outro de 1 ano e 3 meses – e está grávida do terceiro. Isaías 49:15 diz: “Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”. Esse verso espelha o incomparável amor de Deus por cada um de nós. E nada há de mais precioso para uma mãe que seu próprio filho.

A ligação entre eles é algo tão forte a ponto de o Senhor usá-la como exemplo em Sua Palavra. Mas no mundo em que vivemos, onde as coisas materiais vêm primeiro que as pessoas, as mulheres estão mais preocupadas em produzir e buscar autossatisfação do que se aplicar na missão de ser mãe.

Para Pr. Paulo Lima, do Ministério Família Debaixo da Graça, em Bragança Paulista (SP), a época é carregada de materialismo, de falta de amor, de egoísmo e de menosprezo à condição humana e por isso não favorece a maternidade.

Pelo contrário, subestima-a, colocando-a entre os papéis menos dignos. “Nossa geração tem experimentado o que nenhuma outra experimentou, de mulheres com idades acima dos 45 anos que, por opção, deram prioridade à carreira secular e não à maternidade. Após a realização pessoal, muitas delas sentem-se incompletas e passam a buscar a maternidade.”

Guardiã da fé

Quanta diferença a mulher faz no lar! É no comando, na organização e na tarefa da casa, no ensino com os filhos, no auxílio ao marido, no refúgio e no apoio da família.
Ela é o esteio – “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola a destrói com suas próprias mãos” (Provérbios 14:1).

Para muitas, é difícil ser mãe nos dias de hoje, pois há o compromisso de trabalhar fora de casa para ajudar no sustento. “Aí fazemos uma jornada dupla de atividades, dentro e fora do lar. Antes, o foco da mulher era o cuidado da casa e dos filhos. Hoje ela precisa de uma super-habilidade para dar conta de tudo. Apesar disso, é gratificante ser mãe”, defende Élly.

Shirley confirma essa sensação de plenitude recompensadora: “Sou feliz com os filhos que Deus me confiou a responsabilidade de cuidar. Deu trabalho, mas valeu a pena, pois eles me dão muita alegria. Sou uma mulher completamente feliz”.

“A maior herança que uma mãe pode deixar para seus filhos é a oração para que eles e as gerações futuras possam viver as respostas dessas orações a qualquer momento que Deus assim o desejar” – Hélida Paixão, coordenadora nacional e internacional do movimento Desperta Débora

Contrapondo-se aos ensinos materialistas e ateístas desta época de descrença, de desesperança e de medo do futuro, a mãe cristã é a guardiã da fé entre os seus. É aquela que, com o amor de Deus no coração, envolve os filhos no manto do verdadeiro amor. E por ter esse propósito, precisa instruí-los no caminho do Altíssimo, já que a Ele pertencem. Segundo a Bíblia, aquela que de fato faz a diferença no lar entrega, prepara e mune sua prole com a Palavra para servir ao Senhor, ensinando sobre o Pai eterno e Sua verdadeira identidade.

“Para criar meus filhos, me orientei com os exemplos de mulheres na Bíblia e busquei a sabedoria que vem de Deus. Também li muitos livros cristãos, que me ensinaram a ser esposa e mãe. Outro aprendizado foi ouvindo conselhos de mulheres mais experientes e participando de encontros femininos na igreja”, comenta Shirley.

Responsabilidades

A Palavra diz que aquelas que o Senhor abençoa e se tornam mães devem tomar seriamente tal responsabilidade. A elas, é dito que amem seus filhos, conforme descreve Tito 2:4-5: “Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a Palavra de Deus não seja blasfemada”.

E o amor implica correção e educação. O livro de Provérbios traz vários conselhos acerca do papel dos pais. Essa é a grande missão que Deus confiou a eles. É por essa instrução que o ser humano conquista e desenvolve suas faculdades. De uma forma geral, o pai é o cabeça da casa e confere a autoridade à mãe para a educação dos filhos. “O pai educa mais pelo exemplo; a mãe, pelo exemplo e ensino.

Mas a Bíblia exorta o casal igualmente a estar pronto para responder aos questionamentos dos filhos”, pontua a antropóloga cristã Lídice Meyer.


TESTEMUNHO

“Quando fez 3 anos, meu filho, André, adoeceu e ficou muito mal. Clamei a Deus por socorro, e ele foi curado. Depois tive uma outra experiência com minha filha, Adriana, que começou a ter crise de asma aos 7 meses. Tomava remédios e nada melhorava. Nessa época morávamos no Rio de Janeiro. Depois, passamos a viver em Curitiba (PR), e minha menina adoeceu ainda mais, piorando com a mudança climática. Aos 6 anos, ela pegou um resfriado e teve muita febre e tosse constante, e o exame detectou tuberculose. Fez o tratamento por seis meses, mas adoeceu novamente, teve até dificuldade para respirar.
Eu estava muito triste em ver minha filha sofrendo, então numa noite orei assim: ‘Deus, o Senhor me deu uma filha que eu tanto queria, mas ela está sempre doente. Não aguento mais! Estou exausta! Tudo que o Senhor faz é perfeito, então por que essas coisas estão acontecendo, Senhor? Estou triste, Senhor, cura minha menina? Eu creio que Tu tens o poder de curá-la. Mas se o Senhor quiser levá-la, eu a entrego, pois a vida pertence a Ti, e ela vai parar de sofrer, vai morar no céu.

Senhor, Tu sabes que eu estou muito aflita. Deus, tem misericórdia de mim! Cuida da minha filha, restaura a saúde dela para que seja uma criança perfeita.
Terminei a oração e, quando abri os olhos, vi na mesa ao lado da cama muitos remédios que ela usava. Joguei tudo no chão e falei assim: ‘Jesus vai curar minha filha’. E dormi como nunca antes. No outro dia, quando me levantei, lembrei-me da oração.
Fiquei com medo até de abrir os olhos e falei: ‘Seja feita a Tua vontade, Jesus,
se o Senhor a levou’. E Deus curou minha filha.”

Depoimento de Shirley Portes Santos (à direta) com sua filha Adriana


Ana Maria Prado, presidente da Confederação Nacional das Sociedades Auxiliadoras Femininas (SAFs), da Igreja Presbiteriana do Brasil, destaca que os pais são “mordomos” de Cristo para criar seus filhos. E a mãe “precisa ser testemunha de Deus, uma mulher que sirva de espelho para que os filhos a chamem de virtuosa e mais tarde venham a dizer como John Wesley falou à sua mãe: ‘Aprendi mais sobre o cristianismo com minha mãe do que com todos os teólogos da Inglaterra’”.

“A mãe precisa ser testemunha de Deus, uma mulher que sirva de espelho para que os filhos a chamem de virtuosa” – Ana Maria Prado, presidente da Confederação Nacional das Sociedades Auxiliadoras Femininas (SAFs)

Lídice lembra que a criança aprende mais pelo exemplo do que pelas palavras. Os filhos são o espelho dos pais. Marcele Dias, 41 anos, tem a mãe, Shirley, como referência para tudo.

“Na nossa casa ela é o nosso modelo padrão de mulher virtuosa! Dava conta de todas as tarefas, cuidava da gente sorrindo, atenta e disponível a todos. Sempre pronta a ensinar e corrigir em amor! Tenho muito orgulho de ter herdado o ‘cajado’ dela. Seus ensinamentos são referência para mim. É uma mulher inspiradora! É impossível conviver com ela e não ser contagiada pela sua vida”, declarou.

Oração e transformação

A Bíblia mostra exemplos de várias personagens que fizeram a diferença na vida de seus filhos e agiram segundo o coração de Deus, como Ana, mãe de Samuel; Joquebede, mãe de Moisés; Eunice, mãe de Timóteo; e Sara, que, embora tenha duvidado da Palavra do Soberano, arrependeu-se, tornando-se a mãe de uma grande nação.

Todas elas tiveram seus momentos de fraquezas, mas se levantaram e deixaram seus legados de fé, desprendimento, humildade, coragem e esperança! Também perseveraram na oração. O resultado dessa junção de ações é a vida dos filhos transformadas.

“Se olharmos com olhos pacientes e com reflexão, veremos que não há no mundo missão mais nobre e dignificadora do que ser mãe” – Élly Lucas Moret Rodrigues, administradora e mãe

Samuel foi um influente juiz em Israel por causa das orações de Ana. Timóteo teve um ministério frutífero, resultado das preces de sua avó, Loide, e de sua mãe, Eunice. Débora, em tempos de crise, foi convocada a lutar pela restauração de seu povo e é chamada de “mãe de Israel”. No Evangelho de Marcos, há a história de uma mulher siro-fenícia que enfrentou até o silêncio de Jesus em favor de sua filha.

“Nossa vida como mulher e mãe deve ser de fé transparente e sincera como a de Eunice, de coragem como a de Joquebede, e de obediência como a de Maria, a mãe de Jesus, que não teve medo das consequências de engravidar virgem”, reforçou Shirley, ao dizer o tanto que aprendeu em sua caminhada cristã com essas figuras femininas.

Mônica, mãe de Agostinho, um dos maiores nomes do cristianismo, orou por mais de 30 anos para que ele se convertesse. “Essa história é a mesma de milhares de mães em todo o Brasil, pois elas sabem que os valores da sociedade atual apresentam alto poder destrutivo sobre o crescimento espiritual dos filhos. Afinal, não faltam tentações para desviar os jovens dos caminhos de Deus”, diz um trecho do livro “Mães de Joelhos, Filhos de Pé”, de Nina Targino.

A escritora Stormie Omartian, na obra “O Poder da Mãe que Ora”, mostra que interceder pelos aos céus pelos seus é uma tarefa nobre. “À medida que ela reconhece o valor da oração, a responsabilidade transforma-se em privilégio, e por isso mãe e filho são eternamente abençoados”. E vai mais além: “A oração de uma mãe por seu filho é um presente que vale por toda a vida”.

Hélida Paixão, coordenadora nacional e internacional do movimento Desperta Débora, que desafia mães a orarem pelos seus filhos, diz que esta é uma tarefa da qual não se pode abrir mão. “Ninguém ora pelo filho como uma mãe ora. Percebemos que elas têm um chamado especial na intercessão por sua família.

Perseverar na oração é indispensável!” “Ao dobrar os joelhos, a mãe age no mundo espiritual e clama diariamente para que seus filhos experimentem pessoalmente o amor de Deus e sejam salvos e comprometidos com o Reino. São 15 minutos que fazem diferença para a eternidade. A oração é uma eficaz demonstração do amor de uma mãe para com seu filho”, observa.

O Desperta Débora está presente em 60 nações, mas existe no Brasil há 25 anos. Já são mais de 150 mil mulheres envolvidas com esse ministério no país, cada vez mais dispostas a clamar. “Sempre há uma mãe intercedendo em algum canto do mundo. Nosso objetivo é orar para que Deus levante uma geração comprometida com Ele. Quando fazemos isso, o Senhor nos permite participar de muitos milagres. Ele transforma a vida de nossos filhos, consequentemente impacta a sociedade.

A maior herança que uma mãe pode deixar para seus filhos é a oração, para que eles e as gerações futuras possam viver as respostas dessas preces a qualquer momento que o Pai assim o desejar”, conclui.


Dicas de leitura

Guia Definitivo da Mãe Cristã
Erin MacPherson
Editora Thomas Nelson

 

 

 

Mãe de Joelhos, Filhos de Pé
Nina Targino
Mundo Cristão

 

 

 

O Poder da Mãe que Ora
Stormie Omartian
Mundo Cristão

 

 

 

A Alegria de Ser Mãe
Zenaide Nunes
CPAD