A prisão do presidente da Venezuela é um aviso para a esquerda sul-americana mudar seu rumo e ser mais tolerante
Por José Ernesto Conti
Não tínhamos dúvidas de que o ano de 2026 seria um ano especial, mas se não bastasse o fenômeno climático La Ninha (ondas de calor e chuvas torrenciais), a copa do mundo em julho, as eleições que teremos em outubro, mas logo no terceiro dia do ano os EUA de modo aparentemente fácil, leva preso o ditador da Venezuela. Vamos nos preparar, pois tudo promete que teremos movimentos ameaçadores sejam na área política, econômica, social e … também religiosa.
A queda de Nicolás Maduro chamou minha atenção para um fato, até então raro de se ver nos dias atuais. Na entrevista que o Presidente dos EUA no final da manhã deste sábado, ele foi de uma sinceridade ameaçadora quando deixou claro que dois fatores influenciaram na decisão de prendê-lo: a questão petróleo e os cartéis da droga.
Geralmente fala-se em liberdade, em democracia, em mudanças, etc. Porém nada disso foi falado, talvez por estar intrinsecamente ligado à própria cultura americana. Desde a primeira guerra mundial, nunca os EUA invadiram um país para torná-lo uma colônia; visto de outra forma; todos os países que os EUA invadiram durante as guerras, foram para libertá-lo e implantar a democracia.
Isso não acontece com por exemplo a Rússia, que invadiu recentemente a Criméia e a Ucrânia; a China vive ameaçando tomar Taiwan (e agora é possível que faça o mesmo que os EUA fizeram com a Venezuela), mas a realidade é que os EUA não têm interesse em “conquistar” territórios.
De qualquer forma, essa ação militar americana, deixou de cabelos em pé, boa parte dos países latinos que flertam com a ditadura de esquerda.
Todos sabemos que os países onde a esquerda governa, Brasil incluído, os princípios éticos e morais emanados das Escrituras são desprezados ou deturpados. A principal deturpação é com respeito ao sentido das palavras.
Por exemplo, para o governo brasileiro, o governo da Venezuela era uma democracia relativa. Leis, regras, princípios, valores, passam a ter outras definições ou outros sentidos. Quando uma mulher diz: meu corpo minhas regras, ela está dizendo que todos a sua volta têm que aceitar a sua maneira de viver ou suas decisões, não importa se ela quer fazer um aborto, ou se tornar uma prostituta. Não aceitar nos tornam intolerantes, inflexíveis, radicais, fanáticos…
Vejo na queda de Maduro um aviso para essa esquerda sul-americana que governa com sede de poder reavaliar sua trajetória e, quem sabe, mudar um pouco o rumo, ser mais tolerante com os ideologicamente diferentes e diminuir a sede de poder.
Durante mais de 20 anos, a Venezuela, que era um dos países mais ricos do mundo, se tornou uma nação pobre e um povo sofredor. Mais de 6,0 milhões de venezuelanos abandonaram o país nesses últimos 10 anos e os que ficaram tem passado toda sorte de dificuldades sociais e materiais, vivendo sob uma inflação de quase 200% e pouca oportunidade de trabalho inclusive de culto.
Me preocupa se uma parte do Exército e se o narcotráfico irá entregar o poder de forma tão fácil e sem luta. Não é isso que vemos na maioria dos casos, veja o Rio de Janeiro como exemplo. Provavelmente teremos um tempo de ajuste, com muitas lutas e mortes.
Resta-nos continuar orando para que Deus abençoe a Venezuela e que as mudanças necessárias para retornar a uma democracia onde o povo tenha liberdade e a violência seja controlada, voltando a ser um país rico, produtivo e com paz para seu povo.
Rev. José Ernesto Conti é pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva no bairro Estrelinha em Vitória

