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sábado, 22 junho 2024

Literatura cristã: o legado de homens santos

Encontram-se, na literatura cristã, respostas a temas em que a própria Bíblia não se aprofunda. Isso não significa dizer que os livros cristãos devam ser considerados canônicos

Por Douglas Brasil Camacho

A literatura cristã está em franco crescimento. Apesar da crise no mercado editorial, que provocou a falência da livraria Saraiva e o fechamento de diversas unidades de livrarias renomadas como Cultura, Travessa, Galileu e outras, nos últimos anos, o mercado editorial cristão resiste à crise. Isso demonstra o óbvio: cristãos têm lido mais e comprado mais livros, em comparação com os leitores seculares. Ao observar rankings mais acessíveis de livros mais vendidos, como o da Amazon, sempre há obras cristãs entre as primeiras posições.

Essa demanda se explica pela busca por orientação espiritual e auxílio em estudos bíblicos; pela necessidade de esclarecimento de temas relevantes da fé cristã; pela procura por respostas à vida ordinária, como família, casamento e igreja; e pelo novo fenômeno dos devocionais. Em suma, rompeu-se com a crença limitante de que a suficiência da Bíblia implica preterir as demais obras. Encontram-se, na literatura cristã, respostas a temas em que a própria Bíblia não se aprofunda.

Isso não significa dizer que os livros cristãos devam ser considerados canônicos. Nenhum escritor sério, de ontem e de hoje, teve essa pretensão. É sempre bom lembrar que, diante de uma aparente contradição, a Bíblia é a verdade (Jo. 17:17). A literatura cristã é apenas auxiliar da Bíblia. Somente a Bíblia é a palavra inerrante e infalível de Deus (2 Ped.1:20,21; Heb. 4:12; 1 Ped.1:25), eterna (Mt.24:35), alimento para nossa alma (Mt 4:4), meio da graça santificadora (Jo. 17:17) e suficiente para a instrução da igreja (Tim.3:16).

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A literatura cristã, por sua vez, é o legado de homens santos ao longo da história da igreja. Nas palavras de Justo L. González, essas obras escritas são “o modo de fazer-lhes presentes onde não estão”. Por meio delas, conhecemos parte da própria história da igreja, como em “A história dos Hebreus”, de Flavio Josefo, e a “História Eclesiástica”, de Eusébio de Cesárea; como se moldaram nossas doutrinas e nossos principais posicionamentos, como na “Didaquê” e nas obras filosóficas de Agostinho de Hipona, Clemente de Alexandria e Cipriano; a maneira como a igreja se defendeu das heresias que ameaçaram sua existência, como nas obras de Irineu; Tertuliano; Hipólito e, principalmente, Atanásio.

Na história mais recente, obras como “Cristianismo puro e simples”, de C. S. Lewis; “A imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis, e “O peregrino”, de John Bunyan, ajudaram e continuam ajudando muitos dos nossos irmãos a entender a dinâmica do evangelho de Cristo.

Apreciar a literatura cristã também é de certa forma partilhar do que Deus confiou a muitos de seus filhos e como ele estabeleceu e sustentou sua igreja contra heresias e perseguições. Deus é um Deus humilde. Ele ilumina a mente de homens comuns que continuam escrevendo em auxílio à igreja, e é essa inspiração na literatura cristã que a faz indispensável junto à palavra de Deus.

Douglas Brasil Camacho é membro da Assembleia de Deus Vitoria em Cristo, Professor e Administrador, Pós-graduado em Docência, MBA gestão de pessoas.

 

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