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domingo, 16 junho 2024

Líderes evangélicos opinam sobre a inelegibilidade de Bolsonaro

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzzebom/Agência Brasil

A maioria dos ministros do TSE seguiu a decisão do relator, Benedito Gonçalves; foram cinco votos a favor e dois contra 

Por Patricia Scott

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, na última sexta-feira (30), a inelegibilidade do ex-presidente da República Jair Bolsonaro por oito anos, contados a partir das Eleições 2022. A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, ministro Benedito Gonçalves (Cármen Lúcia, Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, Alexandre de Moraes). Já Raul Araújo e Nunes Marques foram contrários. Assim, ficaram cinco votos a favor e dois contra. O julgamento teve duração de quatro sessões.

O deputado federal Messias Donato (Republicanos-ES) afirma que o direito pode ser subjetivo, mas a democracia não é relativa. “A decisão do TSE tornando Bolsonaro inelegível foi extrema. Entendo que as afirmações do ex-presidente no ato do governo com embaixadores que não são eleitores brasileiros, não interferiram no processo eleitoral nacional, nem mesmo o colocou em vantagem sobre o seu adversário, não existindo tamanha gravidade para essa condenação”, avalia e ressalta: “O uso de recurso de estatais para bancar campanha de companheiros e discursos mentirosos contra adversários para enganar a população são muito mais graves!”.

Para o pastor presbisteriano José Ernesto Conti, o resultado do julgamento do TSE não poderia ser melhor. “Foi suficiente para garantir que o acordar do conservadorismo não foi um ato momentâneo ou esporádico, mas algo semelhante a uma grande rocha que não se deixará ser quebrada ou estraçalhada. Pode até quebrar alguma quina ou algum pedaço ainda fora de ordem, mas resistiremos por obra e graça do Bolsonaro. Ele é e será nosso prumo”.

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O articulista de Comunhão observa que o TSE “acreditou que poderia, de uma forma definitiva jogar a última pá de cal sobre Bolsonaro, ao torná-lo inelegível por oito curtos anos. Triste engano. A missão do Bolsonaro terminou no dia 31/12/2022”. Isto porque, de acordo com o pastor, tudo que ex-presidente “precisava fazer, fez com galhardia e autoridade. Executou sua tarefa com uma bravura irreconhecível para um brasileiro, acostumado a sempre dar um jeitinho, ou querer levar vantagem em tudo”.

Conti enfatiza ainda que a missão de Bolsonaro foi mobilizar o conservadorismo. “Ele agiu com uma beleza bizarra, sim, se não fosse assim não acordaríamos. A sacudida que levamos foi tão vigorosa que levaremos décadas e mais décadas com os olhos ‘esbugalhados’ como se tivéssemos visto o saci Pererê montado na mula sem cabeça”.

O pastor diz também que ora apenas para que “esses idiotas que têm orgulho de ser comunista, permaneçam por um bom tempo ainda nas tresloucadas cachaçadas regadas a muita indignação com as comidas dos palácios europeus e deslumbrados com as suítes presidenciais, para que tenhamos tempo para limpar nossas estruturas e instituições dessa corja ignara que despreza nossas bases familiares, nossos princípios e valores e que absurdamente acreditam que o caos pode gerar a ordem”. Por fim, Conti agradece ao ex-presidente Bolsonaro “por mais essa ajuda extemporânea, mas tremendamente necessária”.

Apoio em rede social 

No Instagram, Bolsonaro publicou um vídeo com imagens que destacam a sua trajetória política de 2018 a 2022. Na rede social, o ex-presidente recebeu apoio de muitos líderes evangélicos.

O cantor Isaías Saad publicou: “O melhor presidente que o Brasil já teve”. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que sente orgulho em ter votado, lutado e torcido por Bolsonaro. “O Brasil te ama”.

O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes também deixou um recado para o ex-presidente: “O líder político mais amado do Brasil”. Já o pastor Téo Hayashi, da Zion Church, comentou na publicação: “Deixou um legado! Muito obrigado, presidente!”.

A pastora Viviane Martinelli, da Abba Pai Church, mostrou apoio ao ex-presidente. “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus é contigo! E a justiça virá com força”.

A inelegibilidade

Na visão dos ministros do TSE, o ex-presidente Jair Bolsonaro violou parâmetros definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2021 sobre condutas em que eventuais candidatos às Eleições 2022 não deveriam incorrer. Entre elas, tentar desacreditar o sistema eletrônico de voto perante a população, em um ataque direto à Justiça Eleitoral e à própria democracia.

“Um presidente da República que ataca a Justiça Eleitoral, ataca a lisura do sistema eleitoral que o elege há 40 anos? Isso não é exercício de liberdade de expressão. Isso é conduta vedada, e, ao fazer isso utilizando-se do cargo de presidente, do dinheiro público, da estrutura do Alvorada e da TV pública, é abuso de poder. Ao preparar tudo isso para imediatamente bombardear o eleitorado via redes sociais, é uso indevido dos meios de comunicação”, pontuou o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE.

O ponto de partida foi a apresentação do relatório pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Benedito Gonçalves. Na sequência, a sustentação oral foi feita pelo representante do Partido Democrático Trabalhista (PDT), autor da ação junto ao TSE. A defesa foi feita pelo advogado que representou Jair Bolsonaro. Também foi anunciado o parecer do Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) pelo vice-procurador-geral eleitoral Paulo Gonet Branco. Ele opinou pela inelegibilidade de Bolsonaro.

A vice-presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou que a reunião entre o então presidente e embaixadores estrangeiros, em julho de 2022, foi um monólogo de caráter eleitoreiro em que Bolsonaro lançou dúvidas, sem qualquer prova, sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e da Justiça Eleitoral, condutora das eleições. Ela destacou as declarações feitas por Bolsonaro à honradez de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio TSE.

“Não há democracia sem o Poder Judiciário independente. Os ataques não tinham razão de ser, a não ser desqualificar a Justiça Eleitoral, o próprio Poder Judiciário e atacar a própria democracia“, argumentou Cármen Lúcia.

Os ministros entenderam como prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho do ano passado. Walter Braga Netto, que compôs a chapa de Bolsonaro à reeleição, foi excluído da sanção, uma vez que não ficou demonstrada sua responsabilidade na conduta. Nesse ponto, a decisão foi unânime.

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