Conferência em Bruxelas alerta para avanço da violência contra cristãos e outras minorias em países como Índia, Paquistão e Sri Lanka
Por Patricia Scott
A intensificação de ataques contra cristãos e outros grupos minoritários no Sul da Ásia levou defensores de direitos humanos a solicitar maior envolvimento da União Europeia (UE) na garantia da liberdade religiosa. O apelo foi feito durante uma conferência realizada em 4 de dezembro, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com o tema “Violência direcionada contra cristãos no Sul da Ásia”. O encontro foi organizado pelos eurodeputados Matej Tonin e Bert-Jan Ruissen, em parceria com a ADF International.
Representantes da Índia relataram que, apenas entre janeiro e outubro deste ano, foram documentados mais de 600 ataques contra cristãos, superando a média de dois incidentes por dia. Segundo Tehmina Arora, diretora de Advocacy Asia da ADF International, a hostilidade inclui agressões em massa, invasão de cultos, humilhações públicas e demolições de moradias. Ela destacou que 12 estados indianos mantêm leis antirreligiosas de conversão, que estariam sendo usadas como ferramenta jurídica para intimidar fiéis e impedir atividades de oração e evangelismo.
Arora apresentou relatos de vítimas e lembrou que a Suprema Corte indiana reconheceu o uso abusivo dessas normas. De acordo com ela, 123 processos criminais foram abertos contra cristãos este ano, resultando em prisões que não envolviam crimes comprovados, mas simples práticas de fé.
Sobre o Paquistão, o foco das denúncias foram as leis de blasfêmia, consideradas entre as mais rígidas do mundo e que podem resultar em pena de morte obrigatória. O jornalista Asher John informou que 344 novos casos foram registrados em 2024, muitos baseados em acusações forjadas e disseminadas nas redes sociais. Ele relembrou também episódios recentes, como os ataques em Jaranwala, em 2023, com mais de 85 casas e mais de 20 igrejas incendiadas, e o linchamento do cristão Nazeer Masih Gill, em 2024.
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Trump estuda anexar a Groenlândia militarmente - Casa Branca considera opções para adquirir território estratégico John e outros participantes alertaram que falsas acusações seguem deflagrando ataques coletivos, reforçadas pela falta de investigações eficientes e pela sensação de impunidade entre os agressores.
Vozes de quem sofreu na pele
Entre os convidados estava Shagufta Kausar, cristã presa sob acusação de blasfêmia e libertada após pressão internacional em 2021. Ela relatou torturas sofridas durante o encarceramento e afirmou que autoridades tentaram forçá-la a se converter ao Islã. Kausar pediu que a UE mantenha vigilância e apoio internacional, afirmando que “sem ação global, mais inocentes continuarão a sofrer”.
Outro representante paquistanês, Ejaz Alam Augustine, falou sobre casamentos e conversões forçadas de meninas cristãs e hindus, destacando iniciativas legislativas que buscam elevar a idade mínima para casamentos e impedir abusos disfarçados de conversão religiosa.
Expansão da pressão contra minorias
A mesa também citou avanços de intolerância no Sri Lanka, onde foram contabilizados pelo menos 39 casos de interrupção de cultos e intimidações, e no Nepal, que tem reforçado vigilância sobre comunidades cristãs, expulsando missionários estrangeiros. Em Bangladesh, ataques seguem frequentes em regiões rurais, onde a proteção estatal é limitada.
Arora defendeu que a UE intensifique medidas diplomáticas e institucionais em favor da liberdade religiosa e sugeriu a recondução de um Enviado Especial para o tema. Segundo o eurodeputado Tonin, o tema ainda recebe pouca atenção da imprensa internacional, apesar de os cristãos serem o grupo religioso mais perseguido do mundo.
Ruissen, co-organizador, reforçou que benefícios comerciais concedidos pelo bloco deveriam ser condicionados ao respeito à liberdade religiosa. “Países que violam esse direito não podem continuar recebendo tarifas reduzidas sem contrapartida”, declarou. Com informações Christian Daily International

