Governo fecha milhares de templos com base em lei de 2018, enquanto pastores e analistas alertam para restrições à liberdade religiosa
Por Patricia Scott
Recentemente, o presidente de Ruanda, Paul Kagame, voltou a defender publicamente o fechamento compulsório de igrejas evangélicas no país, adotando um discurso duro contra líderes religiosos. Segundo ele, parte dessas instituições funciona como “antro de bandidos” e representa uma herança distorcida do período colonial, sem contribuição real para o desenvolvimento nacional.
As declarações ocorreram no contexto da aplicação rigorosa de uma lei aprovada em 2018, que passou a regular o funcionamento de igrejas e outras organizações religiosas. Desde então, mais de 10 mil templos foram interditados, de acordo com estimativas divulgadas por agências internacionais, por descumprirem exigências relacionadas à formação teológica de pregadores, normas de saúde e segurança, isolamento acústico e prestação de contas financeiras.
Entre os casos recentes está o da Grace Room Ministries, uma igreja evangélica conhecida por reunir grandes públicos na BK Arena, em Kigali. O espaço foi fechado em maio após, segundo as autoridades, não apresentar documentação obrigatória nem relatórios financeiros e de atividades, além de realizar ações evangelísticas sem autorização formal do Estado.
Kagame afirmou que, se dependesse exclusivamente de sua decisão, nenhuma das igrejas fechadas seria reaberta. Em coletiva de imprensa, ele questionou o papel dessas instituições diante dos desafios enfrentados pelo país, como segurança, desenvolvimento econômico e geração de empregos, e acusou algumas delas de explorar financeiramente a população.
Líderes religiosos e analistas políticos, porém, veem as medidas com preocupação. Pastores afirmam que as regras atingem de forma desproporcional igrejas evangélicas mais novas e denunciam falta de apoio governamental para adequação às normas. Especialistas apontam que o endurecimento reflete a resistência do partido no poder a qualquer grupo com potencial de influência social, enquanto muçulmanos também relatam restrições, apesar de a Constituição ruandesa garantir liberdade religiosa. Com informações The Christian Post
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