“Sempre vou compor enquanto Deus me inspirar”

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A frase é do compositor Josué Teodoro que acumula mais de três mil canções de sua autoria na voz de vários cantores renomados do Brasil

Dono de uma bela voz, e um sucesso na poesia musical. De composição ele entende muito bem, afinal, já se foram mais de três mil músicas compostas. Esse sucesso tem nome: Josué Teodoro. Aos 49 anos, ele respira música e não pretende parar tão cedo.

Nascido e criado na Igreja Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, o carioca Josué Teodoro marcou seu nome no mercado musical gospel ao ter suas canções de sucesso entoadas na voz de artistas consagradas como Aline Barros, Cristina Mel, Cristiane Carvalho, entre tantos outros.

Nesta entrevista, Josué Teodoro contou um pouco de sua vida na música, seu processo de composição e o que te faz compor para Deus. Confira!

Comunhão – Quem é Josué Teodoro? Conte-nos um pouco sobre sua história

Josué Teodoro – Eu nasci em 12 de julho de 1970, no Rio de Janeiro. Fui criado na Igreja Assembleia de Deus. Cresci vendo a minha mãe compondo músicas para crianças, jovens e eventos da igreja. Logo surgiu meu interesse pela música e composição.

Como surgem suas composições? E o que é mais importante, a letra ou a melodia?

Compor para mim é como um ‘ritual’. Dobro os joelhos, falo com Deus e daí surge assuntos na minha conversa com Ele. Às vezes eu nem sabia que iria compor sobre o que orei, mas acabava acontecendo assim. É um processo natural. Agora, quanto à técnica usada para compor as músicas, geralmente vem primeiro o refrão, depois as estrofes. É como se o refrão fosse um ‘impulso’, e as estrofes as explicações do impulso. Agora, quanto à importância da letra e da melodia numa composição, acho que as duas se completam. Sempre observo se a música não tem ‘cacofonia’, ‘prosódia’. E erro de ‘métrica’. Eu não faria uma composição onde o artigo tenha mais força sonora que o sujeito. Ex: Jesus é o (O) Sol da minha vida’. E sim: “Jesus é o sol (sól) da minha vida”. Um grande problema das rádios é a ‘massificação de músicas erradas’. A boa música é durável, independente da época, não se perde.

Até hoje quantas canções você já compôs? E qual delas mais te marcou e trouxe impacto para a sua vida?

Eu parei de contar quando cheguei em aproximadamente 3 mil canções. Sobre a que mais me marcou é difícil dizer, mas eu diria que “Ao amigo distante” foi a canção que mais me trouxe testemunhos significativos por ter sido gravada em inglês e ter alcançado soldados no meio da guerra. Tem também “Jerusalém e eu”, que sensibilizou quase todos no Brasil e sempre que canto lembro que ela me foi revelada. E foi uma das poucas canções que compus sem interferência didática, eu a considero totalmente espiritual. Poderia ficar algum tempo falando sobre várias outras, mas penso que essas duas nos diz bastante sobre a importância de cada uma particularmente.

Como foram os processos de composição da músicas ‘Vencedor’, gravado pelo ‘Grupo Altos Louvores’ e de ‘A Mão do Mestre’, que ficaram famosas no meio evangélico?

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Sobre a música ‘Vencedor’, a intenção era dar uma palavra de consolo, um direcionamento para as pessoas que estavam com o coração muito abatido.

Ela não foi feita especialmente para o ‘Grupo Altos Louvores’, mas quando eles me pediram uma música para gravar, eu a enviei. Isso ocorreu no ano de 1996, lançamento do CD do grupo.

Já ‘A Mão do Mestre’ foi composta em 1991, pensando na voz da cantora Cristiane Carvalho. Ela era a soprano que eu mais admirava, então, o meu foco foi compor para ela.”

Composição é um dom divino?

Com certeza é um dom que vem de Deus porque está ligado a sabedoria e a ciência. E tudo isso também vem do Senhor. Não tem como separar essas coisas. Posso usar para fins cruéis se meu coração for cruel, assim como a Palavra de Deus é usada muitas vezes para fins cruéis.

Mas afinal, o que mais te dá satisfação, compor ou cantar? Por que?

Vai parecer que estou fugindo da resposta, mas acho que não conseguiria responder diferente. Eu sinto que uma habilidade completa a outra. Penso que ficaria um pouco frustrado se não tivesse as duas. Compor é saber exatamente onde a curva melódica fica mais interessante em conjunto com a letra. E cantar é saber ajustar tudo isso de forma a convencer quem ouve que a mensagem que está sendo dita tem a relevância adequada. No fim, o que mais dá satisfação é sentir que o conjunto todo tem um resultado de pessoas se quebrantando diante do Deus.

Qual conselho daria para quem está iniciando na composição musical?

“Ler, ler, ler. Isso implica em conhecer as palavras, Leiam bons poetas e bons compositores. É difícil discutir com alguns arranjadores brasileiros, explicar que naquela melodia é importante que seja feito daquele jeito, pois eles querem fazer ‘acordes valiosos’ e acabam modificando a melodia. E isso acaba entristecendo a gente. A composição é como um ‘filho’ do compositor. Não cabe a mim chegar para o filho de alguém e querer cortar o cabelo, trocar a roupa, etc. Cada um tem sua forma de compor. É preciso respeitar isso!

A música cristã hoje ganhou um rumo bem diferente do que se fazia antes. Como você analisa essa mudança de rumo?

Eu analiso como sendo uma coisa boa, pois não devemos impedir que as coisas evoluam. É de se esperar que alguns venham perder o compromisso real, mas no fim, Deus jamais perde suas batalhas. Esse é o meu pensamento. Deus sempre dá um jeito e sempre vai usar seja como for. Tudo está debaixo de Seu poder e eu O adoro por isso. Não tenho medo de toda essa modernidade porque a individualidade é exaltada por Deus no seu evangelho, e se você consegue ser fiel no seu coração, então é tudo o que importa. Tudo está bem.

Qual o futuro da música na igreja?

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Eu acho que no futuro estaremos procurando cantar canções antigas. Penso que chega uma hora que a gente bate no teto, daí a gente começa a recordar as velhas canções que acalentavam a nossa alma.

Nos anos 70 eram usados como instrumentos nos cultos somente o violão e a guitarra. Depois a bateria foi introduzida. Aí foram alguns instrumentos de percussão como pandeiros e surdos, e quando demos conta, a bateria estava lá com a banda completa.

E depois vieram os play-backs e agora voltamos para as bandas novamente. Sim, tem hora que batemos no teto e damos um passinho atrás.

Qual a receita para uma composição virar sucesso?

Essa receita está realmente com Deus. Tudo bem que existem algumas regras para uma canção fluir bem e que conversa bem com a plateia. Isso é tudo que queremos. Porém, o resultado final é decidido por Deus. Minhas canções sempre foram desacreditadas, mas todas elas foram feitas sob o jugo suave das minhas orações. Poderia dizer que nenhum cantor nunca chegou pra dizer que acreditava nelas. Tudo que aconteceu foi por conta de Deus. Glória a Ele por cada canção de sucesso. E que sejam abençoados todos os que se curvaram diante da Sua vontade. Fazer a vontade de Deus é importante. Às vezes temos que lembrar isso em voz alta.

Até quando pretende continuar lutando pela música evangélica, compondo e divulgando suas canções?

Confesso que já tentei parar várias vezes, mas dói muito mais lutar contra a vontade de Deus do que as pessoas pensam. Não me sinto obrigado a compor e cantar, mas a falta que isso me faz é terrível. Eu sempre vou cantar enquanto houver fôlego em mim. E sempre vou compor enquanto Deus me inspirar. Isso é Deus quem vai decidir.

*Extraído do site Hinologia


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