À Comunhão, o doutor em Teologia e diretor da Faculdade Teológica Sul-Americana, Jorge Barro, destaca a força do Evangelho integral e o engajamento urbano da igreja
Por Victor Rodrigues
Em entrevista à Comunhão, o teólogo Jorge Barro, diretor da Faculdade Teológica Sul-Americana, de Londrina, Paraná, e doutor em Teologia pelo Fuller Seminary, compartilhou reflexões sobre o papel da Igreja diante dos desafios do mundo contemporâneo. Entre os temas abordados estão missão urbana, engajamento social, cuidado ambiental e diálogo com as novas gerações.
Barro define o Evangelho integral como uma abordagem que vai além da salvação individual: “Quando falamos de Evangelho integral, estamos nos referindo à boa notícia que Cristo alcança toda a totalidade da vida humana e da criação também não humana. Não se trata apenas da salvação da alma, mas de uma reconciliação plena. É público, comunitário e transformador.”
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Segundo Barro, a urbanização e os desafios das cidades — como desigualdade social, violência e pluralismo religioso — exigem que a Igreja vá ao encontro das pessoas.
“A cidade clama por uma igreja que se faça presente nas ruas, nas praças, junto às populações mais vulneráveis, jovens e migrantes. O desafio da Igreja é aprender a ouvir esse clamor urbano e responder com gestos concretos de amor, justiça e esperança.”
Para exemplificar essa atuação da igreja frente aos dilemas sociais, Barro cita o exemplo bíblico de Jesus na narrativa da mulher acusada de adultério. “Resistir ao abuso é mais do que denunciar a injustiça. É proteger a dignidade do outro, mesmo quando isso exige enfrentar estruturas religiosas e sociais que oprimem”, destaca o teólogo.
Desafios sociais
O teólogo também abordou os obstáculos para a Igreja se engajar nas questões sociais contemporâneas, que ele divide em três dimensões: teológica, institucional e cultural.
“O primeiro é teológico: leituras reducionistas do Evangelho limitam a missão da Igreja. O segundo é institucional: estruturas centradas no templo reduzem a capacidade de agir profeticamente. E o terceiro é cultural: a sociedade consumista e polarizada influencia a igreja, muitas vezes silenciando sua vocação de ser igreja fora das portas.”
Barro também reforça a importância do cuidado ambiental como parte do discipulado cristão. “Ser discípulo de Jesus Cristo é participar daquilo que Deus participa. Cuidar da criação humana e não humana não é coisa de ambientalista; é compromisso ético que reflete o caráter do nosso Criador.”
Em conclusão, Jorge Barro, afirma que sua reflexão com uma visão de esperança para o futuro da Igreja. Para ele, os mais jovens buscam respostas autênticas e espaços de pertencimento. Sendo assim, comunicar-se com essa nova geração é abraçar temas que fazem parte do dia a dia deles.
“Minha expectativa é que a Igreja não seja medida pelo tamanho do seu status social, mas por sua capacidade de comunicar o reino de Deus em meio às incertezas, sendo um espaço de reconciliação, esperança e resistência ética diante das forças de exclusão e desumanização”, finaliza o teólogo.
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