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terça-feira, 23 abril 2024

Jesus, um porto seguro para os refugiados

O apoio aos refugiados é uma ótima oportunidade para testemunhar do amor de Jesus. Foto: Divulgação

Milhares de imigrantes no Brasil têm recebido apoio de organizações cristãs. Ajuda inclui acolhimento, apoio espiritual, emprego, alimento e saúde. 

Por Cristiano Stefenoni 

O drama vivido pelos mais de 200 refugiados afegãos que estão abrigados no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, reascende o debate sobre a dignidade humana e a forma como os cristãos devem tratar os imigrantes de outros países. Eles vêm para o Brasil para fugir da guerra ou em busca de melhores condições de vida e, muitas vezes, acabam encontrando por aqui fome, doença e descaso.

Só para ter uma ideia, de janeiro de 2022 até agosto deste ano o Aeroporto de Guarulhos recebeu 4.562 imigrantes do Afeganistão, que fogem do regime Talibã, que assumiu o controle do país desde agosto de 2021. Mulheres, idosos, crianças, muitos doentes, outros com escabiose (sarna humana) devido as péssimas condições de higiene.

E se engana quem acha que esse problema é relacionado apenas aos afegãos. Atualmente, mais de 65 mil refugiados de diversos países vivem no Brasil. Só no ano passado, 5.795 entraram no país, vindos de 139 nações, entre elas Venezuela, Cuba, Angola, Colômbia, China, Rússia, Nigéria, Afeganistão, Líbano, Irã, Gana, Senegal, entre outros povos, segundo dados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) e da Acnur (agência da ONU).

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A lista de pedidos de refúgio do Brasil junto ao Ministério das Relações Exteriores passa dos 50 mil, muitos, menores de idade (15.084), mas a maioria dentro da faixa etária de mão de obra produtiva – entre 25 e 60 anos (23.296).

Os estados que registraram os maiores índices de pedidos foram Roraima (41,6%), São Paulo (23,6%), Amazonas (11,3%), Acre (3,3%), Paraná (4,4%) e Santa Catarina (3,0%).

Para tentar aliviar um pouco o sofrimento dessas pessoas, algumas igrejas têm dedicado tempo e recurso, como é o caso do Ministério Amparo, da Igreja Presbiteriana da Penha (IPP), em São Paulo. Atualmente eles têm ajudado cerca de 26 pessoas, entre cubanos, venezuelanos e afegãos – do grupo que tem chegado ao aeroporto de Guarulhos.

“Já retiramos lá do aeroporto mais de cinquenta pessoas. Hoje temos alguns aqui conosco, outros já saíram e estão independentes em uma casa, na vida própria deles. E há os que seguiram para o Canadá e os Estados Unidos”, afirma o pastor Amauri Oliveira, presidente da IPP.

Ele explica que o amor ao próximo não vê religião, mas a dor humana e que o fato dos afegãos serem mulçumanos não é empecilho para serem ajudados.

“Temos que amá-los e ajudá-los. Naturalmente eles perguntam sobre a nossa fé e isso abre uma oportunidade de evangelizar. Então, várias vezes do aeroporto para casa, eles perguntavam por que nós estávamos ajudando e falamos que é nossa missão dada por Jesus. Daí eles querem saber mais sobre o cristianismo”, ressalta pastor Oliveira.

Jesus, um porto seguro para os refugiados
Ministério Amparo retira e acolhe parte das famílias afegãs que estavam no Aeroporto de Guarulhos, fugindo do regime Talibã. Fofo: Divulgação

E completa dizendo que cuidar dos refugiados “é uma porta escancarada diante da igreja brasileira. Nós podemos acolher, amá-los e ter nesse processo de acolhimento e amor, oportunidade muito clara de testemunhar da fé”, ressalta.

Além desse acolhimento, o Ministério Amparo ajuda os refugiados de vários países com moradia, regularização de documentos no país, aulas de português, treinamento para inserção no mercado de trabalho, inserção na comunidade da igreja, acolhimento das grávidas e das crianças, entre outras ações.

Apoio aos refugiados venezuelanos

O casal de venezuelanos Andrés Solorzano e Adriana Márquez saiu de seu país em busca de melhores condições de vida. Mas durante esse processo, passaram por várias cidades e sofreram, especialmente, com as dificuldades financeiras.

“Estávamos em Roraima, eu não tinha dinheiro suficiente para transporte, comida, abrigo. Não conhecia nada, não sabia onde ligar, era uma situação um pouco crítica para mim e para minha esposa”, conta Andrés.

Até que um dia eles foram assistidos pelo Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes (CARE), que é dirigido pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Após receberem toda a assistência humanitária necessária, eles conseguiram um emprego nas Unidades de Acolhimento Institucional (UAI), que atende a pessoas em situação de rua em Salvador (BA).

Jesus, um porto seguro para os refugiados
O casal de venezuelanos Andrés Solorzano e Adriana Márquez saíram de seu país em busca de melhores condições de vida. Foto: Divulgação

Eles fazem parte de um grupo formado por mais de 80 famílias de refugiados que chegaram ao Brasil, somando mais de 300 refugiados venezuelanos. A ADRA auxilia o beneficiário durante o processo de obtenção e regularização migratória em parceria com o Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (SISCONARE), viabiliza o acesso aos projetos sociais do Governo Brasileiro e apoia programas que incluem alimentação, abrigo de emergência, educação, assistência médica e apoio à subsistência.

“Atendemos as necessidades básicas por meio da distribuição de kits de higiene e limpeza, cestas básicas, kit enxoval, entre outros, além de ajuda para inserir refugiados e imigrantes no mercado de trabalho formal. Realizamos outras atividades com o objetivo de fortalecer os vínculos entre a comunidade, promover o conhecimento das oportunidades, a garantia de direitos e deveres dos refugiados e imigrantes”, explica o diretor da ADRA Brasil, Fabio Salles.

Aulas de português e capacitação profissional

Já o Projeto Refúgio, ligado ao Instituto Cristão de Ensino e Cultura (InCEC), em São Paulo (SP) e a Igreja Batista do Povo, em Vila Mariana (SP), também ajuda os refugiados que estão no Brasil. São mais de 300 imigrantes atendidos por meio de uma parceria com o Sebrae e o Senac, onde são oferecidas aulas de alfabetização e capacitação ao mercado de trabalho.

A ABUNA, organização sem fins lucrativos que teve início no país em 2013 e foi registrado em 2017, tem o objetivo dar apoio aos refugiados em todo o mundo. Eles já acolheram em suas casas de passagem e integraram à sociedade brasileira 84 pessoas que chegaram aqui solicitando refúgio.

Esses refugiados vieram de 11 países diferentes: Síria, Jordânia, Iraque, Palestina, Egito, Iêmen, Líbia, Paquistão, Congo, Haiti e Venezuela, e de origens religiosas diversas: muçulmanos, drusos, cristãos ortodoxos, protestantes e evangélicos. Em 2019 a organização começou a operar na Tailândia. Desde 2021, a ABUNA trabalha em rede com vários movimentos da sociedade civil brasileira e internacional para socorrer famílias afegãs.

A Missão em Apoio à Igreja Sofredora (MAIS) já ajudou mais de 500 pessoas, de 10 nacionalidades diferentes, entre sírios, egípcios, iraquianos, e agora, com afegãos. De acordo com o pastor Luiz Renato Maia, presidente da MAIS, a organização atua em duas etapas:

“Quando eles (os refugiados) chegam aqui em nossa base, recebem toda a parte de auxílio, documentação, moradia, alimentação, cuidado médico, parte das vacinas, dentista, aulas de português. Então eles vão para a segunda etapa, que é a parceria com as igrejas do Brasil que acolhem essas famílias por um tempo, dando toda a estrutura inicial para elas e também providenciando escola para as crianças, emprego para o chefe da família, de modo que possam, de alguma forma, recomeçar a vida aqui no Brasil”, explica o pastor.

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