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Jesus nunca disse “Bem-aventurados os ricos”

6 min de leitura

Quando eu estava na casa dos 20 anos, participei de uma conferência conduzida por um conhecido defensor do evangelho da prosperidade. No fim do evento, escrevi um cheque de R$ 2.000, valor muito acima das minhas condições na época, pois acreditava que isso traria bênçãos para minha vida — em forma de riquezas e saúde, segundo o pregador. Fui criado na era dos televangelistas — como Jimmy Swaggart, Kenneth Copeland, Jesse Duplantis e Marilyn Hickey — e, embora eu continue acreditando que muitos de seus ensinamentos foram fundamentais para minha vida cristã, a teologia deles nem sempre era sólida.

Alguns televangelistas, como Robert Schuller, que ganhou destaque na década de 1960, afirmavam que Jesus era um “pensador positivo” e que nós também deveríamos ser. Ele pregava que Deus tinha um sonho específico para nossas vidas, e que deveríamos agir com fé para alcançá-lo. “Se você pode sonhar, você pode realizar!”, declarava Schuller.

A teologia de Schuller diferencia-se do movimento Palavra da Fé, liderado por Kenneth Hagin e que também influenciou o televangelismo a partir dos anos 1960. Os seguidores da Palavra da Fé acreditam (e ainda acreditam) que se você pedir algo a Deus e tiver fé suficiente, o que você pediu acontecerá. Essa doutrina é frequentemente chamada de teologia do “nomeie e reivindique”.

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Essa doutrina está intimamente ligada ao evangelho da prosperidade — a ideia de que, se você doar dinheiro suficiente e/ou realizar boas obras com fé, Deus lhe concederá tudo o que desejar e precisar, incluindo riqueza financeira e saúde plena. Devido a essa proximidade, os termos “nomeie e reivindique” e evangelho da prosperidade são frequentemente usados como sinônimos. Entre os defensores mais conhecidos do evangelho da prosperidade estão Jim e Tammy Faye Bakker, Benny Hinn e Joel Osteen.

O ensino de que doações e dízimos automaticamente liberam saúde e riqueza para quem doa é, na verdade, uma distorção das Escrituras (2 Pedro 3:16). Infelizmente, essa crença permanece muito presente no mundo cristão atual.

Em um relatório de 2023 da Lifeway Research, 52% dos protestantes americanos — contra 38% em 2017 — afirmaram que suas igrejas ensinam que Deus os abençoará se doarem mais dinheiro para a igreja e para instituições de caridade. Além disso, 76% acreditavam que Deus quer que prosperem financeiramente. Essas crenças simplesmente não são bíblicas.

Em nenhum lugar das Escrituras está escrito que Deus deseja que tenhamos grandes riquezas financeiras, embora Ele abençoe algumas pessoas com isso. Ainda assim, não seria razoável supor que Deus deseja nos abençoar? Sim, mas talvez não da forma como os defensores do pensamento positivo, da Palavra da Fé e do evangelho da prosperidade querem que acreditemos.

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A falácia do evangelho da prosperidade

O evangelho da prosperidade ensina que riqueza, saúde e felicidade são resultados da fé suficiente em Deus e de doações para ministérios cristãos. Isso geralmente é descrito como “semear sementes” em determinado ministério para que possamos colher bênçãos financeiras em casa, muitas vezes multiplicadas sete ou dez vezes. Como o pastor e autor Joe Carter explica, “Essencialmente, representa uma relação transacional entre o crente e Deus, facilitada por uma doação financeira.”

Nesse modelo, se você tiver fé suficiente, tudo o que desejar pode acontecer. A professora e autora Kate Bowler observa: “O evangelho da prosperidade analisa o mundo como ele é e promete uma solução. Garante que a fé sempre abrirá caminho. Se você crer e pular, vai aterrissar em pé. Se você crer, será curado.” Bowler fala com autoridade, pois é cristã que enfrentou anos de tratamento contra o câncer e dores crônicas, confiando em Deus durante tudo isso.

Para sustentar suas afirmações, os defensores da Palavra da Fé e do evangelho da prosperidade tiram versículos do contexto. Dois exemplos comuns são “Ó de pouca fé” (Mateus 8:26) e “Se tiverdes fé como um grão de mostarda… nada vos será impossível” (17:20).

Mas o contexto importa. O versículo de Mateus 8 fala sobre dúvidas causadas por circunstâncias que geram medo, enquanto em Mateus 17 Jesus lembra aos discípulos que eles precisavam confiar em Deus. Nenhum desses versículos apoia a teologia da saúde e riqueza. Além disso, Jesus advertiu diretamente contra a busca equivocada por riqueza e prosperidade, dizendo:

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“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde traça nem ferrugem destroem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:19–21)

Além disso, Tiago, irmão de Jesus, alertou sobre as armadilhas da riqueza, uma realidade que permeia o evangelho da prosperidade:

“O irmão humilde glorie-se na sua exaltação, e o rico na sua humilhação, porque ele passará como a flor da erva. O sol nasce com seu calor ardente e seca a erva; sua flor cai, e sua beleza se perde. Assim também o rico murchará em meio às suas atividades.” (Tiago 1:9–11)

A riqueza não é duradoura. Isso não significa que a riqueza em si seja má, mas não deve ser nossa prioridade. Em vez disso, devemos focar em fazer a vontade de Deus e na eternidade. Os primeiros cristãos, ao ouvirem os ensinamentos da Palavra da Fé e do evangelho da prosperidade, provavelmente os teriam rejeitado como enganosos. Eles estariam atentos contra tais falsos ensinamentos, assim como precisamos estar.

O verdadeiro significado das bênçãos segundo Jesus

Sim, Deus deseja nos abençoar. Mas precisamos considerar o que realmente são as bênçãos, conforme as Escrituras. As bênçãos são o desejo de Deus de restaurar a humanidade ao estado original antes da Queda, narrada em Gênesis 3.

Às vezes, essas bênçãos têm a ver com nosso bem-estar temporal. Por exemplo, em Gênesis 12, Deus chama Abraão para ir à Terra Prometida e promete que sua família será abençoada e seu nome será grande (versículos 1 a 3). Outras vezes, as bênçãos são espirituais, como a bênção da salvação pela graça por meio de Cristo.

O próprio Jesus falou sobre bênçãos, o que mostra que Deus continua querendo nos abençoar. Nas Bem-Aventuranças, as bênçãos que Jesus pronuncia — como “Bem-aventurados os pobres de espírito” (Mateus 5:3) — são para aqueles que já possuem esse estado de bem-aventurança. A palavra grega traduzida como “bem-aventurado” nas Bem-Aventuranças é makários.

O teólogo Friedrich Hauck afirmou: “A característica especial de makários no Novo Testamento é que ela se refere, em sua maioria, à alegria religiosa distinta que o homem recebe por sua participação na salvação do reino de Deus.” Ou seja, não podemos conquistar o favor de Deus, o que significa que a ideia de que podemos ganhar bênçãos de Deus está errada.

As bênçãos são dons que vêm com a salvação, tanto nesta vida quanto na eternidade. Isso não quer dizer que não possamos pedir ajuda ao Senhor em nossas necessidades. O Senhor já sabe do que precisamos (Mateus 6:8). Entretanto, nosso foco deve estar na esperança da bondade de Deus para conosco, recebida na bênção da salvação. Tiago escreveu: “Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação, porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12)

Nossa recompensa final está no céu. Não precisamos conquistá-la, pois ela foi livremente dada a nós.

Este texto foi extraído e adaptado de What If Jesus Is Right? Examining Jesus’ Claims About Himself in a World Full of Falsehoods, de Douglas Groothuis e Lindsey Medenwaldt (Copyright 2026). Utilizado com permissão da Tyndale House Publishers/Tyndale Momentum. (Com informações de [email protected] – Christianitytoday)

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