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segunda-feira, 22 DE julho DE 2024

Jejum, mais intimidade com o Pai

Foto: Reprodução

Uma das primeiras narrativas na Bíblia sobre o jejum aparece com Moisés, em Êxodo 34:28-30, quando ele sai do meio do povo de Israel e sobe ao Monte Sinai para ficar aos pés do Senhor

De Gênesis a Apocalipse, o ensinamento divino para estar no centro da vontade de Deus é viver em comunhão com o Senhor, viver uma vida de oração. Da mesma forma que o Pai deu ao homem o privilégio de se comunicar com Ele através da oração, deu também um outro caminho para exercitar a proximidade com o Seu coração: o jejum.

Uma das primeiras narrativas na Bíblia sobre o jejum aparece com Moisés, em Êxodo 34:28-30, quando ele sai do meio do povo de Israel e sobe ao Monte Sinai para ficar aos pés do Senhor. Foram 40 dias ouvindo atentamente as palavras de Deus, que apresentou ensinamentos e lhe entregou ainda os 10 Mandamentos. O tempo que Moisés passou ao lado do Pai foi tão intenso que ele desceu do monte com o rosto diferente. “Seu rosto resplandecia, por haver Deus falado com ele, relata a Bíblia.

A rainha Ester traz uma das experiências mais marcantes quanto ao jejum, porque não apenas se absteve de alimento para livrar os judeus da morte, decretada por Hamã, como também conclamou todo o povo a fazer o mesmo: “Vai, ajunta todos os judeus que se acham em Susā, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia” (Ester 4:16). O resultado foi que em todos os lugares onde havia judeus, nas 127 províncias do império persa, jejum e orações puderam ser presenciados.

Paulo fez um jejum absoluto de três dias após seu encontro com Cristo ressurreto (Atos 9.9). Daniel também se rendeu às orações e súplicas com jejum (Daniel 9:3). O jejum era uma prática comum entre os grandes servos do Senhor. Os discípulos de Jesus praticavam o jejum (Lucas 5: 33) e a Igreja primitiva também. Em Atos 14:23, o apóstolo Paulo descreve que a igreja em Antioquia jejuava e orava para escolher os seus presbíteros. Já em Atos 13:2 e 3, antes de Paulo e Barnabé iniciarem a primeira viagem missionária, os cristãos se prostraram em oração e jejum.

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Até Jesus, o Filho de Deus, jejuou, porque estava em forma de homem e a batalha que Ele enfrentou foi travada com o próprio Diabo. Foram 40 dias sem comer, no meio do deserto, mas amparado pelo Pai, conforme está descrito em Mateus 4:1-11. Para tentar a Cristo, Satanás chegou inclusive a dizer que Jesus deveria transformar as pedras do deserto em pães. No entanto, ouviu como resposta: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.

Forma de santificação

Jejum, mais intimidade com o Pai
A importância do Jejum. Foto: Reprodução

São inúmeros os relatos da prática do jejum na Bíblia, e todos eles vêm ligados a batalhas espirituais. O escritor Wesley Duewel, no livro “A Oração Poderosa que Prevalece”, afirma: “Quando você quer fortalecer e disciplinar seus hábitos de oração e acrescentar uma nova dimensão à sua oração que prevalece, acrescente o jejum. Quando você enfrenta uma necessidade tremenda, uma impossibilidade humana, e a sua alma anseia ver Deus interferir mediante o poder sobrenatural, acrescente o jejum”.

No entanto, é importante destacar que a prática do jejum não é uma ordenança para o povo escolhido de Deus e, sim, uma oportunidade, conforme explicou o pastor Aroldo Pereira dos Santos, presidente do Conselho Estadual da Igreja Quadrangular no Espírito Santo. “Evangelizar é uma obrigação de todo cristão, mas o jejum não. Ele não é um sacramento: é uma forma de santificação. O Pai não vai atender ao seu pedido porque você parou e jejuou. Ele vai atender conforme a vontade dEle, e também conforme o que viu através de seus atos e pensamentos, pelo seu coração”, declarou o pastor.

Ao contrário do que muitos podem analisar, jejum não é um caminho automático para receber milagres e nem deve ser sinônimo de ostentação de poder espiritual. “Não há como dizer que o crente que ora e jejua tem mais poder do que o que apenas ora, por exemplo. O que sabemos é que jejuar leva a uma experiência maior com Deus. Jejum é consagração, é estar aos pés do Senhor, mas não basta jejuar para receber o que se pediu. Deus é quem sabe de todas as coisas”, ressaltou o pastor Marco Aurélio de Oliveira, presidente dos ministros batistas do Brasil (Confederação Batista Nacional).

Resposta de Deus

Há 54 anos integrante do Círculo de Oração, Tavares de Freitas, da Igreja Assembleia de Deus em Aribiri, Vila Velha, afirma que já teve inúmeras experiências com o Pai a partir da sua consagração ao jejum e garante que, se a necessidade for urgente, Deus vai responder no mesmo tempo.

“Ester precisava de livramento rápido e Deus respondeu em três dias. O Senhor sabe da nossa urgência e Ele não vai nos deixar desamparados. Ele vai responder, mas a resposta será de acordo com a sua vontade. Quando a gente jejua, Deus responde mais rápido e também mais forte. O jejum é uma arma rápida contra os problemas”, declarou Clenecilda.

Ela tem 75 anos e constantemente promove campanhas de orações na igreja, incentivando também as pessoas a separar um tempo para o jejum. “Infelizmente, o número de pessoas comprometidas com oração é reduzido. Quando falamos de jejum, esse número é menor ainda. Quantos jovens já separaram um tempo para jejuar e orar em sua vida de cristão? Jejuar é estar ainda mais perto de Deus, e deve ser alvo desejado por todos os crentes”, afirmou Clenecilda.

Mas que tipo de motivo de oração deve ser levado ao Pai em jejum? Essa é uma pergunta frequente entre os que se dispõem a jejuar. Isso porque há normalmente motivos espirituais, mas muitas vezes surgem motivos materiais. “A prioridade do jejum deve ser para questões espirituais. Não se pode jejuar para Deus dar um carro zero, para conseguir uma casa nova, sendo que a pessoa está desempregada ou tem um salário muito baixo. Coisas materiais a gente trabalha para conseguir”, argumentou o pastor Aroldo.

Já o pastor Marco Aurélio ressaltou que estar em jejum é como estar em um campo de batalha, mas onde os combatentes são anjos e demônios. “Quando você começa um jejum, começa também uma batalha espiritual, porque o Diabo não se contém com isso. Faz-se jejum pelos doentes, pela conversão das pessoas, pelo avivamento da Igreja. Além disso, há batalhas espirituais que só são vencidas com jejum e oração, Jesus disse isso quando curou o menino epilético (Mateus 17:14-23): ‘Mas esta casta de demônios não se expulsa senão à força de oração e de jejum”, declarou.

Templo novo após jejum da igreja

Assim como Ester convocou o povo judeu para orar e jejuar por um livramento, muitas vezes a Igreja inteira se prostra em jejum em prol de uma resposta de Deus. Isso já aconteceu, por exemplo, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Barcelona, na Serra. De acordo com a pastora Sandra Souza de Oliveira, presidente do Círculo de Oração, há cinco anos o templo em que eles se reuniam cabia apenas cerca de 60 pessoas. “Naquela época, fizemos um propósito de orar por 30 dias em jejum, das 7 às 17 horas. O milagre foi que Deus respondeu em três dias e nos deu um templo novo. Continuamos o nosso jejum, como agradecimento e para a confirmação da bênção. Ao final dos 30 dias, nós já estávamos no templo novo, que fica a cinco minutos do antigo e comporta 250 pessoas”, relembrou.

Além da comida

A palavra jejum significa abstenção de alimento, mas até mesmo no dicionário Aurélio já ganhou mais uma definição, que é: “ignorar alguma coisa”. Na prática, há muitos cristãos na atualidade que optam por consagrar um tempo para Deus em oração e privação não da comida, mas de algo que costuma ocupar boa parte de seu dia – como, por exemplo, o lazer, a televisão e até o computador.

“Há pessoas que têm problemas de saúde, outras pessoas têm facilidade em ficar sem comer. Por isso, há muitos que fazem jejum de TV, de futebol, etc. Jejum não é dieta. É um período para estar mais próximo de Deus, é momento de intimidade com o Pai”, argumentou o pastor Marcelo Augusto Giovenardi, ministro da família da Igreja Evangélica Batista em Vitória.

O pastor Marco Aurélio também concorda com ir além do jejum de alimentos. “É uma questão de hábito. Há pessoas que param de se alimentar, mas eu posso tirar um dia da semana para me consagrar e ficar nesse período sem ver TV, computador, sem ler jornal. O objetivo é estar aos pés do Senhor”, declarou.

No entanto, há quem discorde dessa visão, como o pastor Aroldo dos Santos. “Jejum é abstinência de alimento. Não concordo com jejum de televisão, de celular. Essas são práticas modernas e acredito que desvirtuam a essência do jejum. No entanto, o que importa é o coração do homem. Importa se ele está buscando a santificação”, disse.

Lave o seu rosto

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Foto: Reprodução/ blog brunofigueredo

O jejum é tão importante para o crescimento espiritual do cristão que Jesus se preocupou em dar algumas recomendações a respeito dele no Sermão do Monte, conforme descrito em Mateus 6:16-18: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando”.

Esse alerta foi dado porque muitos se apresentavam cansados, Abatidos e anunciavam que estavam em jejum, com o objetivo de mostrarem-se superiores espiritualmente. No entanto, Jesus ordenou: “Tu, porém, quando jejuardes, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

“Jejum é algo entre você e Deus, e deve ser feito dentro das suas forças. O interessante é que muitas vezes não é você que começa o jejum, e sim Deus. Para mim, jejum é um mistério. Existe algo no jejum que nenhum ser humano pode explicar, porque milagres acontecem.

“Quando jejua, você percebe que as coisas que acontecem nesse período não ocorreriam de forma natural. É maravilhoso”, explicou o pastor Marco Aurélio de Oliveira.

Na prática, para o cristão começar o período de jejum deve ter em mente o objetivo das orações, estipular o tempo para a abstinência de alimento e também preparar-se espiritualmente. Nesse período, Deus pode ou não responder, mas o importante é não fazer barganha com o Pai. Ele não vai conceder algo apenas pelo fato de o crente ter evitado ingerir alimento naquele período.

“Jejum não é sacrifício, é um tempo de entrega total a Deus. Para o Pai, não importa se você consegue ficar 12 horas sem comer ou apenas duas horas. O que vale é a sua dedicação a Ele”, disse a pastora Sandra Souza de Oliveira, presidente do Círculo de Oração da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Barcelona, na Serra.

Ao contrário do que muitos pensam, para unir jejum e oração não é preciso isolar-se do mundo e ficar o tempo todo com os joelhos dobrados. Assim como Jesus ordenou “orai sem cessar”, o jejum pode vir atrelado em meio às tarefas do dia a dia.

“Jesus disse para oramos sem cessar, mas não é preciso ficar o tempo todo ajoelhado, de olhos fechados. Da mesma forma isso acontece com o jejum. Quem jejua pode ir trabalhar, pode ir para a faculdade. O que importa é estar ligado a Deus”, acrescentou o pastor Marcelo Augusto que, no último mês, promoveu na igreja uma campanha de 40 dias de jejum e oração em prol da família.

Não há dúvidas de que o jejum, junto com a oração, é uma prática necessária para os cristãos crescerem espiritualmente. Mas a realidade é que pouco se fala sobre o assunto nos púlpitos, nas salas de estudos biblicos, nos discipulados. Com isso, são poucos os membros de igrejas que já separaram um tempo no dia, na semana ou no mês para estar ligado exclusivamente com o Pai através da oração. Vivemos um tempo de grandes tempestades espirituais e, assim como orientou Jesus, devemos estar prontos, porque essas batalhas só serão ganhas com jejum e oração.

Sete passos para jejuar

1. Estabeleça seu objetivo
Qual o motivo do seu jejum? Peça para que o Espírito Santo esclareça e isso capacitará você a orar de maneira mais específica e estratégica.

2. Faça um compromisso
Ore acerca do tipo de jejum que você deseja realizar. Jesus deixou claro que todos os seus seguidores deveriam jejuar (Mateus 6:16-185; 9:14 e 15). Para o Senhor, era uma questão de quando os crentes deveriam jejuar, não se eles deveriam fazê-lo.

3. Prepare-se espiritualmente
O pecado não confessado atrapalhará as suas orações. Peça então perdão a Deus e que ele encha você com o Espirito Santo.

4. Prepare-se fisicamente
Consulte seu médico primeiro, especialmente se você toma remédios ou tem uma doença crônica. Algumas pessoas nunca devem jejuar sem supervisão profissional.

5. Siga um calendário
Separe um tempo para estar sozinho com o Senhor. Períodos mais prolongados com nosso Senhor em oração e estudo da Palavra muitas vezes serão mais bem aproveitados se estiver sozinho.

6. Termine seu jejum gradualmente
Não coma alimento sólido imediatamente depois do seu jejum. Termine seu jejum gradualmente.

7. Resultados esperados
Um simples jejum não é um remédio espiritual para todos os males. Da mesma forma que precisamos ser enchidos com o Espirito Santo diariamente, também precisamos de novos períodos de jejum diante de Deus.

Fonte: Livro A Alegria da Oração Ata de 8 Bright Editor AD Santos

Esta matéria foi publicada originalmente em 2010, no portal da Revista Comunhão. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então. 

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