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segunda-feira, 21 junho 2021

Israel, o Hamas e os evangélicos

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O Hamas e a rejeição ao direito de existência de Israel

Para a consideração do direito do povo de Israel existir naquela região do Oriente Médio, convém primeiramente conhecer a discórdia que surgiu entre palestinos árabes e judeus que emigraram para a Palestina após a II Guerra Mundial. Essa discórdia foi resolvida pelos acordos de Oslo, pelo qual Israel reconheceu a OLP como organização política, permitindo a retirada das tropas israelenses de Gaza. Os palestinos, por sua vez, reconheceram o direito de Israel de existir.

Com a morte de Arafat e o enfraquecimento da Autoridade Palestina, o Hamas, uma organização reconhecida por países democráticos como terrorista, tomou à força todo o poder sobre Gaza, descumpriu os acordos, tentou eliminar a OLP e se aliou ao Irã. Ao violar os acordos de Oslo, o Hamas violou um princípio básico do Direito Internacional de que “pacta sunt servanda” (os acordos devem ser cumpridos). O Hamas passou a declarar que não reconhecia a existência do Estado de Israel.

A posição dos evangélicos

Há duas posições principais entre os evangélicos com respeito ao Estado de Israel e ao povo judeu. A posição evangélica majoritária é esposada por crentes que crêem que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, aceitam o que Deus afirma a respeito do povo de Israel, a descendência de Abraão, no livro de Gênesis: “e abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”.

Esses crentes também se baseiam nas promessas de Deus na Bíblia para o povo de Israel, contidas em Romanos 11, e que continuam em vigor: “o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo”.

Além disso, esses crentes têm conhecimento das inúmeras profecias pelas quais Deus prometeu trazer de volta à Palestina/Israel o povo judeu, de todas as partes da Terra. Justamente por crerem que as promessas de Deus se cumprem, os evangélicos e os judeus sempre souberam que, um dia, o povo judeu retornaria à terra que Deus prometeu dar a Abraão e à sua descendência.

Esses evangélicos, portanto, não se surpreenderam quando, no século XIX, judeus começaram a se mudar para a Palestina, o movimento sionista foi criado no século XX e, após a II Guerra Mundial, os sobreviventes do Holocausto começaram a emigrar para a região. Finalmente, não se surpreenderam com a decisão da ONU, em 1947, sobre a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel.

Esses crentes têm discernimento da História à luz da Bíblia e sabem que o plano do adversário é exterminar o povo de Israel, a fim de impedir o cumprimento das profecias sobre o retorno dos judeus a sua terra e sobre a salvação futura de Israel. Através da História, especialmente na Inquisição e no período do nazismo na Alemanha (o Holocausto), pode-se observar a atuação do adversário com vistas a essa destruição.

Além disso, esses crentes evangélicos, por esposarem a moral judaico-cristã, rejeitam o terrorismo, o assassinato de cidadãos civis, o uso de escudos humanos na guerra e o lançamento de foguetes contra a população civil. Essa posição é coerente com o ensino bíblico contrário ao assassinato e à pregação do ódio, e é condizente com a moral e a éticas ocidentais, originárias do Velho Testamento e da filosofia grega antiga.

No entanto, surgiu uma nova posição de evangélicos, que prevalece entre os que adotaram a ideologia marxista e a teologia modernista ou a teologia da libertação. Em sua esmagadora maioria esses “evangélicos esquerdistas” não crêem que a Bíblia seja a Palavra de Deus, mas apenas “contém” a Palavra de Deus e não crêem nos milagres bíblicos. Rejeitam a moral cristã e ocidental, e consideram sua ideologia mais importante do que o próprio evangelho.

Esses evangélicos simpatizam com a moral “proletária”, uma “nova ética”, segundo a qual os fins justificam os meios. No caso em apreço, a defesa dos interesses dos palestinos justificariam o assassinato, o terrorismo, o uso de escudos humanos e o lançamento de foguetes visando a população civil de Israel. Dizendo-se defensores da democracia e dos direitos da minoria, esses se esquecem de que no Oriente Médio é apenas em Israel que os direitos das mulheres e da população LGBT são respeitados e que uma minoria étnica e religiosa (os palestinos) é representada democraticamente no Parlamento e que aceitou participar do novo governo israelense.

Conclusão

Por sua fé bíblica e por sua formação conservadora, e por crerem na moral e na ética históricas, não é de se admirar que os evangélicos se identifiquem mais com quem é vítima do terrorismo do que com quem pratica o terrorismo, com quem dá valor à vida humana do que com quem a despreza, com um Estado democrático do que com regimes totalitários, com a moral judaico-cristã do que com uma amoralidade sanguinária e totalitária, com quem respeita os direitos humanos de minorias do que com quem os ignora.

Finalmente, a maioria dos evangélicos se solidariza com o povo judeu porque crê que a Palavra de Deus subsiste para sempre e que as promessas de Deus contidas na Bíblia quanto a esse povo devem cumprir-se.

Samir Abbasov é mestre em Bíblia e Teologia

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