26 C
Vitória
quarta-feira, 6 julho 2022

Irã: Suprema Corte ordena revisão de sentenças de cristãos presos

Foto: Ilustrativa Portas Abertas

A decisão histórica pode pode afetar a condenação de 20 ex-muçulmanos, que estão atualmente na prisão sob acusações de “ações contra a segurança nacional”

Por Patricia Scott 

A Suprema Corte do Irã ordenou a revisão das sentenças de nove cristãos, que são ex-muçulmanos. O órgão máximo da justiça iraniana afirma que eles não deveriam ter sido acusados de “agir contra a segurança nacional”. É importante frisar que a acusação é frequentemente utilizada para condenar cristãos no país. No entanto, haverá um novo julgamento em um tribunal revolucionário, ordenado pela Suprema Corte, que pode levar à libertação dos nove cristãos.

A decisão é histórica. Isto porque pode afetar a sentença de 20 ex-muçulmanos, que estão atualmente na prisão sob acusações de “ações contra a segurança nacional”. “A decisão tem o potencial de influenciar todos os casos atuais e futuros envolvendo cristãos de língua persa”, divulgou a organização cristã de direitos humanos Article 18.

“Abordamos esta notícia com um nível de otimismo cauteloso, pois a decisão não é final. Portanto, embora saudemos esta decisão e seu potencial, aguardamos em espírito de oração o resultado do novo julgamento, onde muitos outros fatores podem contar”, afirmou Mansour Borji, diretor da Article 18.

Foto: Article 18

A prisão dos nove cristãos, que podem ter a pena revogada, aconteceu em janeiro e fevereiro de 2019. Eles são membros de uma igreja doméstica na cidade de Rasht, no norte do Irã. Em outubro, cada um deles foi condenado a cinco anos de prisão sob a acusação de “agir contra a segurança nacional, promovendo o sionismo cristão.” Eles apelaram das sentenças. Entretanto, não obtiveram sucesso.

O pedido de revisão
A Suprema Corte da capital do Irã, Teerã, anunciou que a decisão do tribunal inferior justificava uma revisão “com base em que a promoção do Cristianismo e do evangelismo sionista em casas particulares não é um exemplo de reunião e conluio contra a segurança interna ou externa’”, relatou a organização Middle East Concern.

O tribunal também considerou que o caso dos nove homens “não atendia à definição de estabelecimento de grupos com o objetivo de perturbar a segurança nacional, conforme definido pelos artigos 499 e 500 do Código Penal código” e que “promover o Cristianismo e estabelecer uma igreja doméstica não são considerados crimes”. A decisão da Suprema Corte é de 3 de novembro, porém só foi anunciada agora.

Há algumas semanas, dois dos nove prisioneiros, Babak Hosseinzadeh e Behnam Akhlaghi, gravaram mensagens de vídeo durante uma breve licença da prisão. Nas imagens, eles aparecem pedindo ao governo do Irã que explique onde eles podem ir à igreja após a libertação em alguns anos.

No Irã, há quatro igrejas de língua persa que permaneceram abertas. No entanto, são altamente vigiadas. Elas não podem receber visitantes ou novos membros. Isso força os convertidos cristãos a se reunirem para o culto em suas casas, o que não é permitido.

Na última semana, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução, que destaca “padrões generalizados de graves violações dos direitos humanos” no Irã, inclusive contra as minorias religiosas. O país figura no 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021 elaborada por Portas Abertas.

 

 

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se