Irã: dificuldade de manutenção de acordo nuclear

Ministro das Relações Exteriores do Irã Foto: Reprodução
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O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta quinta-feira (16) que seu país está enriquecendo mais urânio a cada dia do que antes da assinatura do acordo nuclear

Após França, Alemanha e Reino Unido abrirem a porta para abandonar o pacto nuclear iraniano na última terça-feira (14), o ministro das relações exteriores do Irã garantiu que “responderá adequada e decisivamente” a qualquer “medida mal-intencionada e não construtiva” dos três países europeus que assinaram o acordo nuclear de 2015.

Os países recorreram ao mecanismo de solução de diferenças. Eles alegaram o “não cumprimento” dos compromissos por parte do Irã. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Irã está “totalmente preparado para enfrentar qualquer tipo de esforço construtivo para manter este importante acordo internacional”.

A declaração também enfatizou que a ação dos três países europeus é “completamente passiva e fraca”, já que o mecanismo de solução de diferenças foi ativado há mais de um ano pelo Irã.

O governo iraniano alertou que eles devem “estar preparados para aceitar suas consequências” caso, “em vez de tentarem cumprir suas obrigações, continuem no caminho da submissão aos EUA ou queiram tirar proveito do processo de solução de diferenças”.

O ministro, Mohammad Javad Zarif, pediu pelo Twitter para que o chamado E3 (França, Reino Unido e Alemanha) “reúna a coragem para cumprir as próprias obrigações”.

“Durante 20 meses, o E3 – seguindo a política de apaziguamento do Reino Unido – curvou-se perante o discurso americano. O E3 pode salvar o acordo, mas não apaziguando o acossador e pressionando a parte que o cumpre”, argumentou.

PRESIDENTE

O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta quinta-feira (16) que “estamos enriquecendo mais urânio do que antes do acordo nuclear de 2015”, disse o mandatário durante um discurso.

No dia (5) de janeiro, Teerã anunciou que deixou de cumprir na prática as limitações impostas ao seu programa atômico, incluindo os níveis de enriquecimento de urânio, na quinta e última etapa de sua gradual redução na implementação de suas obrigações.

Durante uma sessão da Assembleia Geral do Banco Central do Irã, Rohani disse que o diálogo com o mundo é complicado, mas “possível”, em meio a uma crescente tensão com os EUA e a Europa.

“Como chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, cuido da segurança e evito diariamente confrontos militares. Se não prestar atenção todos os dias, a distância entre guerra e paz é apenas uma bala”, explicou.

CRISE NO IRÃ

O presidente do Irã disse que superar esta crise com Washington “não será possível sem a resistência e firmeza de uma nação unida”, ciente das divisões internas e críticas ao sistema islâmico que surgiram após o Irã ter abatido por engano um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo.

A nova escalada de tensão entre o Irã e EUA explodiu com o assassinato, em Bagdá, do general iraniano Qasem Soleimani, onde Teerã respondeu com um ataque a uma base militar no Iraque com a presença de tropas americanas.

*Da redação, com informação da Agência EFE


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