Procurar ajuda é fundamental para que os transtornos emocionais não se agravem e piorem a qualidade de vida da pessoa
Por Cristiano Stefenoni
A notícia da internação do influencer Whindersson Nunes, 30, em uma clínica psiquiátrica foi o assunto mais comentado das redes sociais nesta sexta-feira (21). Na verdade, segundo a sua assessoria, ele já estava internado desde a semana passada para cuidar da saúde mental, muitas vezes, abalada pela ansiedade e depressão. O caso do artista serve de alerta: doenças emocionais carecem de tratamento como qualquer outro problema físico.
De acordo com a pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os transtornos mentais mais comuns entre os pacientes atendidos pelos psiquiatras no país são: ansiedade (100%), depressão (100%), transtorno bipolar (70%), TDAH (63%), TOC (30%), esquizofrenia (23%) e TEPT (23%).
Segundo o doutor em Psicologia e psicanalista especialista em Neurociência, pastor Édson de Oliveira Pinto, a situação do Whindersson é agravada pela fama que, na sua opinião, isola ainda mais a pessoa. “A maioria das pessoas não tem noção de como a fama interfere nos seus relacionamentos, na sua privacidade, e como ela empurra as pessoas para um certo vazio emocional e uma consequente solidão”, explica.
Além disso, o doutor explica que a própria busca pela fama já é um processo estressante e altamente desgastante. “Para chegar à fama, a pessoa tem que fazer uma série de coisas, há muito trabalho e tempo envolvido. Normalmente, é um processo de isolamento e de afastamento de pessoas queridas. Então vem a vaidade e, quanto mais vaidosa, mais distante a pessoa fica da sua essência”, justifica Oliveira.
Ele explica que muitos são como o Whindersson, ou seja, postam coisas engraçadas e divertidas nas redes sociais, como se a sua vida fosse um mar de rosas, mas em sua intimidade, há um caos acontecendo.
“Algumas pessoas se tornam engraçadas para ganhar dinheiro, quando, na realidade, elas são depressivas, sofrem com transtorno do humor. Falam muito, mas depois mergulham no vazio depressivo. Quando para sucesso se sacrifica a saúde, o sono, a alimentação e os relacionamentos, normalmente, o final é o adoecimento”, afirma Oliveira.
Para o doutor, o fato da pessoa sentir a necessidade de melhorar e buscar ajuda, já é um grande passo. “O simples ato de buscar ajuda, de entender que a pessoa não pode se curar sozinha, isso até já serve para diferenciar alguns quadros, por exemplo, uma pessoa com esquizofrenia, jamais buscaria ajuda, assim como uma pessoa com a bipolaridade, pois ela é autoreferente, pensa que está sempre certa”, explica.
Rede de apoio faz a diferença
Outro ponto importante apontado por Oliveira é quanto ao apoio que o artista tem recebido dos familiares e amigos. “O apoio da família e dos amigos é fundamental. Para se tratar, uma pessoa precisa realmente ter uma boa rede de apoio. E essa rede, além dos cuidados profissionais, inclui esse tipo de suporte que vem de amigos, de familiares, de instituições como igrejas, escola, universidade. Então, tudo isso nos ajuda na formação dessa rede”, afirma.
Do ponto de vista cristão, o doutor Oliveira, que também é pastor, ressalta que além das orações, quem sofre de algum transtorno mental precisa buscar ajuda especializada. E os pastores e os líderes espirituais devem dar apoio aos membros da igreja e incentivá-los, por meio da pregação, a buscar ajuda profissional.
“Não podemos imaginar que o homem, apenas frequentando uma igreja, estudando a Bíblia e orando resolverá todos os seus problemas. Para muitos dos problemas, Deus nos habilitou para resolvê-los, e Ele não fará pelo homem aquilo que já o habilitou a fazer. Por isso, é importante fazermos a nossa parte”, conclui.
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