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sexta-feira, 17 setembro 2021

Inscrição de 3,1 mil anos, encontrada em Israel, menciona juiz bíblico

A palavra Jerubaal foi escrita a tinta em uma vasilha de cerâmica no sítio arqueológico de Khirbat er-Ra‘i, local onde ocorrem escavações há seis anos

Por Patricia Scott 

Pesquisadores encontraram uma rara inscrição de 3,1 mil anos em um local próximo à cidade israelense de Qiryat Gat. Comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel aponta que a descoberta marca a primeira vez que a palavra “Jerubaal” aparece em um contexto arqueológico datado do período dos Juízes — cerca de 1100 a.C.

“Jerubaal é conhecido nas passagens do Livro dos Juízes como um nome alternativo do juiz Gideão, filho de Yoash”, explicam os professores Yosef Garfinkel e Sa’ar Ganor, responsáveis por liderar as escavações da Universidade Hebraica de Jerusalém e autores do artigo publicado no periódico Jerusalem Journal of Archeology. Segundo as Sagradas Escrituras, Gideão combateu a idolatria e destruiu o altar de Baal. Ele venceu os midianitas, que atravessavam o rio Jordão para saquear plantações agrícolas.

A palavra Jerubaal foi escrita a tinta em uma vasilha de cerâmica no sítio arqueológico de Khirbat er-Ra‘i. Local onde ocorrem escavações desde 2015. Especialistas acreditam que o jarro seria utilizado para guardar óleos, perfumes ou medicamentos. Os arqueólogos revelam não ser possível confirmar que o objeto pertenceu a Gideão. No entanto, segundo eles, é a primeira vez que o nome é visto fora dos textos religiosos. “A inscrição pode estar ligada a outro Jerubaal e não ao Gideão bíblico, mas é possível que a vasilha tenha pertencido ao juiz Gideão”, avaliam os pesquisadores.

O registro bíblico que aponta Jerubaal como Gideão está no livro de Juízes 7.1: “Então Jerubaal (que é Gideão) se levantou de madrugada, e todo o povo que com ele havia, e se acamparam junto à fonte de Harode, de maneira que tinha o arraial dos midianitas para o norte, no vale, perto do outeiro de Moré.”

O especialista em epigrafias Christopher Rolston, da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, decifrou a escrita. O fragmento possui cinco letras legíveis, além de outras que não estão completas, o que indica que, provavelmente, a inscrição original deveria ser mais longa.

Relacionada ou não ao personagem bíblico Gideão, os arqueólogos destacam que a descoberta contribui para a compreensão do desenvolvimento dos sistemas de escrita na região. Essa visão tem como argumento o fato de que Jerubaal foi escrito com o alfabeto cananeu, geralmente não sendo visto por pesquisadores israelenses em registros dos séculos 12 a.C. e 11 a.C.

“Por décadas, praticamente não havia inscrições desse tempo e dessa região”, frisa, em entrevista ao The Times of Israel, o historiador Michael Langlois, que não participou da pesquisa. “Elas ainda são raras, mas, aos poucos, estão preenchendo uma lacuna, documentando a evolução do alfabeto e mostrando que houve de fato continuidade na cultura, na língua e nas tradições”.

Com informações Jerusalem Post 

 

 

 

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