Uma reflexão sobre a possibilidade de mudança espiritual antes da morte e por que a fé continua sendo vista como o único caminho para escapar da condenação eterna
Por Patrícia Esteves
A doutrina da condenação eterna sempre provocou desconforto entre cristãos. Para muitos, é difícil conciliar a ideia de juízo final com o amor de Deus. Para outros, o tema funciona como alerta e convicção sobre o Evangelho. Entre essas tensões, duas vozes pastorais, uma norte-americana e uma brasileira, apontam caminhos diferentes, mas convergentes: há esperança para quem ainda não crê, desde que essa decisão aconteça em vida.
O pastor Dan Delzell, da Igreja Luterana Redentor, em Nebraska, nos Estados Unidos, parte de uma afirmação. “Os incrédulos estão no caminho da condenação, e não da salvação”, diz. Para ele, a questão não é apenas discutir se um crente pode perder a salvação, mas se os descrentes podem escapar da condenação eterna. A resposta, diz, é sim, mas somente enquanto estão vivos.
Delzell recorre a Hebreus 9:27 (“O homem está destinado a morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo”) para enfatizar que não existe neutralidade após a morte. Por isso, insiste que “os incrédulos só podem escapar da sua condenação enquanto estiverem aqui na Terra”.
Ao tratar do inferno, ele evita suavizar a linguagem de Jesus. Cita Marcos 9 (“onde o seu verme não morre, e o fogo nunca se extingue”) e Mateus 13 (“fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes”). Para ele, essas imagens têm a função de advertir, não de manipular. “Jesus falava regularmente sobre o inferno para alertar as pessoas sobre sua existência e explicar como evitá-lo”, explica.
Apesar da gravidade do tema, Delzell destaca a abertura universal do perdão. “Fico muito feliz que ‘Cristo morreu pelos pecados de uma vez por todas’ e que ‘Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’”, diz. Para ele, até mesmo um descrente pode “perder a sua condenação”, isto é, escapar dela, se se voltar a Cristo com arrependimento e fé.
O chamado ao arrependimento
Do outro lado, o pastor Marcos Granconato, da Igreja Batista Redenção, de São Paulo/SP, parte não de imagens do inferno, mas do coração humano. Ele descreve o caminho da fé como uma rendição radical e consciente, inspirada no discurso de Estevão em Atos.
Granconato exemplifica para quem está arrependido uma oração de confissão. “Senhor Jesus, até hoje, eu tenho desprezado a Palavra Divina. Eu resisto ao Espírito Santo, mas hoje tudo isso vai mudar. Hoje eu quero humildemente me render. Peço, Senhor Jesus, perdoa-me. Não tenho esperança em mais ninguém. Creio em ti agora e confio apenas em ti para a minha salvação”, exemplifica.
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Enquanto Delzell insiste na urgência do tempo, Granconato insiste na profundidade da mudança interior. Para ele, o arrependimento não é apenas abandonar crenças erradas, mas deixar de resistir ao Espírito, reconhecer a própria culpa e se entregar aos pés da cruz.
Dois caminhos que se encontram no mesmo ponto
Os dois pastores adotam linguagens diferentes, mas caminham na mesma direção. Delzell enfatiza o prazo, pois a decisão precisa acontecer em vida. Granconato enfatiza a postura, afirmando que a decisão precisa ser rendição genuína.
Ambos rejeitam a ideia de neutralidade espiritual e apontam para a mesma convicção, de que a salvação é possível, acessível e urgente, mas depende da resposta pessoal a Cristo.
O norte-americano recorre à história do homem rico em Lucas 16 para reforçar que, depois da morte, o lamento não produz mudança. Já o brasileiro apela para uma conversão que envolve arrependimento e abandono da autoconfiança.
No encontro dessas visões, a mensagem se torna mais nítida. A fé não é uma abstração teológica, mas uma escolha que atravessa o coração e o tempo. Falar de inferno, juízo e condenação nunca é confortável e nem deve ser. Mas, na maneira como os dois pastores percebem o desconforto sobre o assunto é justamente onde se pode abrir espaço para uma reflexão honesta.
Entre a urgência de Delzell e a profundidade de Granconato, existe uma verdade que se repete, pois enquanto há vida, há oportunidade de mudança. E para quem ainda hesita, permanece o convite feito por ambos de encontrar esperança, perdão e redenção em Cristo.

