Multas, fechamento de templos e perseguições marcam a rotina de comunidades evangélicas
Por Patricia Scott
Desde que a Rússia passou a ocupar parte do território ucraniano, a repressão às igrejas evangélcias tornou-se uma constante na vida dos fiéis locais. Multas pesadas, impedimentos à realização de cultos e até o fechamento de igrejas integram a rotina de perseguição religiosa imposta por autoridades russas, segundo aponta um relatório recente de uma entidade internacional de defesa da liberdade religiosa.
Para Eric Mock, diretor da organização cristã Slavic Gospel Association, os obstáculos enfrentados pelas igrejas vão muito além dos riscos de viver em uma zona de guerra. Segundo ele, desde 2014, após a Revolução Laranja e o início da ocupação da Crimeia, igrejas protestantes passaram a ser vistas como ameaças à identidade religiosa e cultural da Rússia.
“As igrejas protestantes são associadas ao Ocidente e acusadas de enfraquecer a tradição da Ortodoxia Russa. Por isso, são tratadas como instituições suspeitas, que não merecem confiança”, explica Mock.
Nos territórios ocupados, os evangélicos são frequentemente identificados como ucranianos nacionalistas, o que agrava ainda mais o cenário de hostilidade. “Quando os fiéis se mantêm firmes em sua identidade evangélica e ucraniana, sua situação se complica. Eles perdem acesso a recursos e, em muitos casos, os templos são fechados”, relata Mock.
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“Se todos partirem, quem levará o Evangelho adiante? Quem será luz em meio à escuridão?”, questiona Mock, reforçando o sentimento do chamado espiritual que move esses fiéis.
Diante das dificuldades de atuar diretamente nessas regiões, a principal estratégia da Slavic Gospel Association tem sido a intercessão. “Orar por essas igrejas é hoje nosso maior gesto de apoio. Cremos profundamente no poder da oração coletiva para transformar realidades”, afirma.
Mock também destaca a importância das igrejas em outras regiões que acolhem refugiados e ajudam na reconstrução da fé de quem foi forçado a deixar tudo para trás. “Fazemos o possível para apoiá-los, pois muitos chegam em busca de respostas — e encontram esperança no corpo de Cristo.” Com informações MNN

