Em Chicago e cidades vizinhas, congregações adaptaram cenas natalinas para chamar atenção ao impacto das medidas migratórias sobre famílias imigrantes
Por Patricia Scott
Igrejas em ao menos três estados norte-americanos — Texas, Illinois e Massachusetts — decidiram usar a simbologia do Natal para protestar contra as políticas de imigração associadas ao governo do presidente Donald Trump. Presépios tradicionais foram substituídos por instalações que retratam detenções, separações familiares e ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Em Chicago e cidades vizinhas, congregações adaptaram cenas natalinas para chamar atenção ao impacto das medidas migratórias sobre famílias imigrantes. Em um dos casos, Jesus na manjedoura aparece algemado e envolto em papel-alumínio, em referência às condições dos centros de detenção, enquanto Maria é representada com máscara contra gás lacrimogêneo. A intervenção provocou debates públicos e atraiu atenção da imprensa local.
Líderes religiosos explicaram que a proposta foi estabelecer um paralelo entre a narrativa bíblica da fuga da família de Jesus e a realidade vivida por imigrantes nos Estados Unidos. Para a ministra associada Jillian Westerfield, da Igreja Batista em Evanston, o presépio foi ressignificado como uma metáfora da perseguição e da separação forçada de famílias. “A história cristã começa com uma família que foge para sobreviver. Esse elemento nos levou a refletir sobre o presente”, afirmou.
No Texas, a Igreja Metodista Oaklawn, em Dallas, optou por retirar completamente as figuras de Maria, José e do Menino Jesus. No lugar, instalou grades metálicas, arame farpado e um aviso com a frase “ICE esteve aqui”, sugerindo que a família teria sido detida pelas autoridades migratórias.
Família ao Pé da Cruz será no Pacaembu e na Neo Química Arena - O evento tem como proposta promover um momento coletivo de reflexão e busca espiritual voltado à família
Igreja Universal ajuda mais de 16 mil presos na Bahia - De acordo com a UNP, a proposta da iniciativa é contribuir com o processo de ressocialização, oferecendo suporte básico e orientação religiosa As manifestações religiosas ocorrem em meio a novas informações sobre a atuação do ICE. Em relatório divulgado no início de dezembro, a própria agência reconheceu que centenas de crianças imigrantes permaneceram sob custódia por períodos superiores ao limite legal de 20 dias durante os meses de agosto e setembro. Segundo o documento, cerca de 400 menores foram afetados, em diferentes regiões do país.
O ICE atribuiu os atrasos à liberação das crianças a problemas logísticos, demandas médicas e processos judiciais. Advogados que representam os menores, no entanto, contestam a justificativa e afirmam que esses fatores não autorizam a manutenção prolongada da detenção, reacendendo o debate sobre o tratamento dado a famílias migrantes nos Estados Unidos. Com informações Jornal Extra

