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segunda-feira, 2 DE março DE 2026
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Igrejas na China são obrigadas a encerrar cultos com hinos ao Partido Comunista

Nova diretriz do governo integra plano para “sinicizar” a música cristã e reforça preocupações com a interferência do regime na fé e nos cultos

Por Patricia Scott

Igrejas cristãs ligadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias — órgão oficial que supervisiona comunidades religiosas na China — estão sendo compelidas a cantar hinos em homenagem ao Partido Comunista Chinês (PCC) nos cultos dominicais. A prática, segundo denúncias de organizações internacionais, deve ocorrer antes da bênção final e integra uma campanha nacional para moldar a adoração cristã aos moldes da ideologia comunista.

A medida faz parte do Projeto do Ministério de Música Sacra 2025, anunciado oficialmente em maio, durante uma reunião em Pequim que reuniu cerca de 40 líderes religiosos. A iniciativa é promovida em conjunto pelo Movimento Patriótico das Três Autonomias e pelo Conselho Cristão da China, com amplo apoio do governo chinês.

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Segundo a organização Voz dos Mártires da Coreia (VOM Korea), em parceria com a ChinaAid, o projeto propõe a criação de hinos com “características chinesas” e a reescrita de músicas cristãs tradicionais para que reflitam valores socialistas. A nova diretriz também exige que as igrejas utilizem exclusivamente músicas aprovadas por um aplicativo móvel oficial, banindo qualquer canção que não esteja em conformidade com os padrões do regime.

“Agora, os cristãos são obrigados a se levantar e cantar hinos ao Partido Comunista antes mesmo de adorarem Jesus Cristo”, alertou Bob Fu, presidente da ChinaAid. “É uma forma explícita de perseguição que atinge o coração da fé cristã.”

O projeto prevê ainda a criação de corais oficiais nas igrejas e a promoção de concertos com repertórios “sinicizados”, reforçando o objetivo de integrar a adoração cristã à ideologia do Estado.

Para a presidente da VOM Korea, Hyun Sook Foley, a imposição representa uma ameaça direta à essência do culto cristão. “Mesmo com o controle governamental sobre sermões, arquitetura dos templos e seminários, os fiéis ainda tinham acesso à teologia bíblica por meio dos hinos. Agora, até essa última fonte está sendo extinta”, afirmou.

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Foley destaca que o cerco à música cristã não é novo. Desde 2021, aplicativos como Praise Hymn Net e Song of Songs foram banidos, restringindo o acesso a conteúdos musicais cristãos apenas por meio de plataformas estatais.

“Trata-se de uma tentativa deliberada de erradicar a educação teológica por meio dos cânticos e substituir a centralidade de Deus pela exaltação ao Partido”, avaliou.

Mesmo sob vigilância crescente, a igreja chinesa tem encontrado formas de resistência. A Voz dos Mártires da Coreia mantém transmissões diárias de rádio com 30 minutos de programação que alcançam todo o território chinês. Os conteúdos incluem sermões, leituras das Escrituras e, segundo Foley, poderão contar futuramente com hinos tradicionais como forma de preservar a herança litúrgica cristã.

“Nosso compromisso é garantir que os cristãos na China não percam os hinos que, por séculos, edificaram e uniram a igreja em todo o mundo”, finalizou Foley. Com informações Christian Daily International 

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