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sábado, 14 DE fevereiro DE 2026
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Igrejas intensificam combate às drogas com acolhimento e reinserção social

Em centros terapêuticos e projetos sociais, instituições evangélicas oferecem tratamento, apoio psicológico e espiritual a dependentes químicos no Brasil

Por Patricia Scott

No Brasil, quase 30 milhões de pessoas têm alguém na família que é dependente químico. De acordo com pesquisas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em média, 6% da população brasileira faz uso de algum tipo de droga, sendo dependente químico. Essa porcentagem caracteriza mais de 12 milhões de pessoas. Cabe ressaltar que a dependência química é reconhecida pela OMS como doença, caracterizada pelo consumo excessivo e descontrolado de substâncias que comprometem a saúde e o bem-estar físico e mental do indivíduo.

No Dia Internacional de Combate às Drogas, celebrado nesta quinta-feira (25), igrejas evangélicas pelo Brasil reforçam seu papel no enfrentamento à dependência química, que afeta milhões de famílias no país. Elas desenvolvem projetos que atuam como verdadeiros refúgios de acolhimento e restauração.

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Um exemplo é a Primeira Igreja Batista em Alcântara, em São Gonçalo (RJ), que cedeu seu sítio para o funcionamento da unidade da Cristolândia local. O projeto, desenvolvido pela Junta de Missões Nacionais (JMN) da Convenção Batista Brasileira, abriga hoje cerca de 40 homens em recuperação. O tratamento inclui acompanhamento médico e psicológico, atividades ocupacionais, oração, leitura bíblica e cultos diários.

Presente em 10 estados, além do Distrito Federal, a Cristolândia trabalha há mais de uma década no resgate de dependentes químicos, especialmente aqueles em situação de rua. “Nosso foco vai além da desintoxicação. É um processo de reinserção social, baseado na fé, no acolhimento e no discipulado”, explica o pastor Milton Monte, gerente de Comunicação e Mobilização da JMN. O programa conta ainda com projetos como o “Sonho de Mãe”, que atende mulheres com filhos pequenos, e o “Coral Cristolândia”, que usa a música como instrumento terapêutico.

Em fevereiro deste ano, no município baiano de Luís Eduardo Magalhães, foi inaugurada a maior unidade do projeto Cristolândia. Com 25 dormitórios equipados com banheiro, o novo espaço acomoda até quatro homens em cada quarto. Além disso, o espaço conta com uma ampla infraestrutura, incluindo academia externa, laboratório de informática, duas salas de aula, salão de culto, refeitório, cozinha, lavanderia, barbearia, campo de futebol e sala de convivência.

Interior de SP e RJ 

No interior de São Paulo, o Desafio Jovem Ferreira (Dejofe), mantido pela Assembleia de Deus Ferreira, atende 16 homens em São Lourenço da Serra. Com quase 30 anos de atuação, o trabalho tem como base a espiritualidade bíblica e oferece cultos diários, aconselhamento pastoral, atividades terapêuticas e momentos de lazer. “A recuperação começa quando o interno reconhece sua condição e decide buscar ajuda”, afirma o pastor Leandro Rodrigues, responsável pelo centro.

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No Rio de Janeiro, a Comunidade Terapêutica Mais Que Vencedores, em Itaboraí, tem capacidade para expandir o acolhimento até 120 pessoas. O projeto é ligado ao Instituto Assistencial Atitude, da Igreja Batista Atitude, e conta com o apoio de psicólogos voluntários. “Nosso trabalho vai além do tratamento. Apoiamos o retorno à vida em sociedade e incentivamos a criação de redes de apoio para manter a sobriedade”, diz o pastor Ary Inarra Neto.

Desafios e esperança

Apesar dos avanços, os desafios persistem: estigma social, falta de recursos e apoio profissional ainda são barreiras para a recuperação plena de muitos dependentes. Pastores e líderes apontam também a importância da participação familiar no processo. “As famílias precisam entender que a dependência química é uma doença que afeta toda a estrutura do lar”, alerta Ary Inarra.

Com atuação baseada no Evangelho e em práticas terapêuticas, as igrejas seguem sendo aliadas fundamentais no combate às drogas, oferecendo não apenas tratamento, mas também esperança, dignidade e novas perspectivas de vida.

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