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sábado, 2 julho 2022

Com funerárias lotadas, igrejas cedem espaço para abrigar caixões na Itália

(Foto: Flvio Lo Scaizo / REUTERS/ Scanpix)

Muitos outros caixões estão se acumulando nas igrejas. “A capela do hospital em Cremona parece mais um armazém”, revela agente funerário da cidade. Confira!

O coronavírus está roubando dos italianos a chance de se despedirem de entes queridos. Muitas vítimas de covid-19 estão morrendo em isolamento hospitalar sem família ou amigos. Isso significa que os cadáveres estão sendo selados imediatamente.

Visitas são proibidas porque o risco de contágio é muito alto. De acordo com autoridades de saúde, ele ainda pode sobreviver nas roupas por algumas horas. De acordo com Andrea Cerato, que trabalha em uma funerária de Milão, “essa pandemia mata duas vezes”.

“Nessa situação sem precedentes, esses agentes funerários se veem como famílias substitutas. Amigos substitutos. Até sacerdotes substitutos. Isso ocorre porque as pessoas próximas àquelas que morrem do vírus geralmente ficam em quarentena. “Assumimos toda a responsabilidade por eles”, diz Cerato.

Por causa desta pandemia, os agentes funerários tampouco podem ter qualquer contato com as famílias dos mortos. Familiares ainda tentam passar notas manuscritas, objetos com valor sentimental, desenhos e poemas, na esperança de sejam enterrados ao lado de seus entes queridos.

O mais difícil para Cerato é não conseguir aliviar o sofrimento dos enlutados. Em vez de contar às famílias tudo o que poderia fazer, ele agora é forçado a listar tudo o que não pode mais fazer.”Não podemos vesti-los, não podemos pentear seus cabelos, não podemos maquiá-los. Não podemos prepará-los para parecerem bonitos e em paz. É muito triste”, conta.

Caixões em Igrejas 

A indústria mortuária está sobrecarregada e o número de mortos continua aumentando. Até agora, a Itália é o país com mais mortos por coronavírus, são mais de 6 mil no total.  Necrotérios de hospitais no norte da Itália estão lotados de cadáveres.

Muitos outros caixões estão se acumulando nas igrejas. “A capela do hospital em Cremona parece mais um armazém”, diz Massimo Mancastroppa, agente funerário da cidade.

Na última semana, em Bergamo, cidade com maior número de casos na Itália, moradores assistiram em silêncio enquanto um comboio de caminhões do Exército dirigia lentamente mais de 70 caixões pelas ruas.

*Da Redação, com informações da BBC News.

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