Igrejas podem ser aliadas do poder público na conscientização da dengue

Em Santa Catarina, Jovens ajudam a comunidade na Missão Calebe. Foto: Divulgação

Entra ano e sai ano e os problemas voltam a se repetir. São as epidemias de verão. As igrejas podem ser fortes aliadas do Poder Público na conscientização e combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Com a chegada do verão, os maiores desafios enfrentados pela população é a dengue. Os números são alarmantes quando se trata de mosquito Aedes Aegypti. Ele também é o causador do vírus zika e da chikungunya. Segundo a Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, com base no boletim epidemiológico de 2017, as três doenças atingiram cerca de 450 mil pessoas em todo o país. Até o mês de dezembro, foram registradas pelo menos 305 mortes por causa do mosquito, além de outros 97 óbitos ainda em investigação.

Na tentativa de ser um agente de mudança no Estado, as igrejas envolveram-se com a causa. É o caso da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, em Cariacica. São várias ações que os membros participam em parceria com a secretaria municipal de saúde. E tem feito a diferença no bairro.

“A igreja precisa ser relevante em todos os aspectos. Nesse caso, nós podemos servir a comunidade como um agente orientador, trabalhando o interesse e motivando as pessoas para iniciativas que minimizem os problemas, que geram tanto caos para a sociedade. Por várias vezes a nossa igreja serviu como ponto de apoio para realização de campanhas e mobilizações, que deram resultados satisfatórios “, disse o pastor Tiago Lopes.

Projeto “Missão Calebe”

Outra iniciativa exitosa é a que a juventude da Igreja Adventista do Sétimo Dia tem feito. Todo ano, no mês de janeiro, jovens adventistas de todo o Brasil trocam o período de férias para se dedicar ao evangelismo e ao trabalho voluntário nas comunidades. É o projeto “Missão Calebe”. Um deles é a conscientização das doenças de verão.

epidemias verão
Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde – Brasil Dados atualizados em 18/12/2017. Referência: 2017

Limpar as ruas, fazer a coleta do lixo e orientar os moradores são algumas das ações que fazem parte do trabalho. “Eles fazem o que for necessário em questão social e ajuda a comunidade. No ano passado, por exemplo, foram distribuídos 20 mil folhetos com orientações sobre a dengue em várias cidades do Estado”, explicou Pastor Paulo Prazeres, líder de jovens das regiões Central e Norte do Espírito Santo.

O pastor José Venefrides coordena a juventude adventista dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ele explicou que o projeto teve início na Bahia a partir do desejo de três jovens em dedicarem suas férias ao Senhor.

“Hoje, a Igreja Adventista ampliou esse trabalho para toda a América do Sul”, ressalta. “A igreja tem uma grande força grande na promoção da conscientização de seus membros e, como consequência, contribuir com a melhoria da qualidade de vida nas comunidades. O Poder Público pode e deve firmar essa parceria com as igrejas que estão sempre dispostas a contribuir”, conclui o pastor.

Jovens realizaram mutirão de limpeza nas ruas de Colatina (ES) Foto: Facebook
Ensino bíblico

Essas ações são medidas simples, mas eficazes. E cumprem as orientações bíblicas de amor ao próximo e cuidado do mundo criado pelas mãos de Deus. “Jesus não veio para os sãos e sim para os doentes. Nós, como parte do reino de Deus, precisamos estar engajados na comunidade e cumprirmos o papel de sermos um agente de transformação. Só assim poderemos contribuir para acabar com os focos do mosquito e diminuir os casos da doença no Estado”, analisa.

Para o pastor Benhur Castelo, da Assembleia de Deus em Vitória (ES), a igreja pode desempenhar um papel mais relevante. E ser aliada do poder público para o bem-estar da comunidade. Ela pode fazer a diferença onde atua. “Quando a igreja se disponibiliza a ser uma multiplicadora de conceitos e ações de interesse comunitário, ela não está se perdendo em seu papel, pelo contrário, está potencializando sua função de agente transformador. Ela contribui para a qualidade de vida das pessoas. E isso é um ato de amor. É a essência do cristianismo”, explicou.

Febre amarela

O Brasil enfrenta anualmente os surtos de dengue há, pelo menos, duas décadas. A zika e a chikungunya se tornaram há alguns anos presentes na realidade brasileira, também transmitidas pelo Aedes aegypti. O mosquito é responsável, ainda, pelos casos de febre amarelo que surgiram em cidades brasileiras, desde o final de 2016.

As autoridades informaram à população que esses casos estão relacionados com o ciclo silvestre da doença, já que o Brasil não registra casos de febre amarela do ciclo urbano desde 1942. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 35 casos da doença de julho de 2017 a 14 de janeiro deste ano. Como o período de mais incidência é o do verão, a contagem anual é feita entre junho de um ano e o mês de junho seguinte.