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sábado, 17 DE janeiro DE 2026

Igrejas adotam energia solar e unem fé, economia e sustentabilidade

Usina Sítio Esperança, no município de Serra (ES), da ICM - Foto: Divulgação

Investir em energia limpa reflete a  responsabilidade cristã no cuidado com a criação, além significar uma boa estratégia de gestão

Por Patricia Scott

Nos últimos anos, um número crescente de igrejas evangélicas em todo o Brasil tem adotado a energia solar como parte de sua estratégia de gestão e testemunho cristão. A iniciativa une sustentabilidade, economia e fé, mostrando que é possível cuidar do meio ambiente enquanto se administra com responsabilidade os recursos da comunidade.

Além de reduzir custos, o uso de sistemas fotovoltaicos tem se tornado uma expressão prática da mordomia cristã — o princípio bíblico de cuidar da criação de Deus e administrar bem o que Ele confia aos seus filhos. Textos como Gênesis 2:15 (“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para o cultivar e o guardar”) servem de base teológica para esse tipo de ação.

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Entre as pioneiras, a Igreja Cristã Maranata (ICM) é líder em produção de energia solar entre as igrejas no Brasil. A denominação conta com usinas fotovoltaicas instaladas estrategicamente em templos e unidades administrativas, que já atendem cerca de 2,5 mil unidades consumidoras.

Desde o início da operação, em janeiro de 2020, o sistema proporcionou uma economia superior a R$ 6 milhões e reduziu em mais de mil toneladas mensais as emissões de CO2. Além da preservação ambiental, os recursos liberados para a igreja podem ser investidos na expansão do Evangelho e nas ações sociais.

O modelo adotado pela ICM segue o princípio de geração distribuída, previsto na Lei nº 14.309, permitindo a compensação de créditos de energia por até cinco anos. Segundo o pastor Daniel Moreira, diretor-administrativo e coordenador do projeto, a potência instalada no Espírito Santo chega a 2,19 MWp, com geração anual estimada em 2,8 MWh. Em âmbito nacional, o sistema reúne 60 usinas, totalizando 4,8 MWp e capacidade de 6,3 MWh por ano.

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Nesse sentido, a Comunidade Batista Vida, localizada no Acre, deu um importante passo rumo à sustentabilidade com a instalação de um sistema de energia solar em seu templo. A iniciativa foi liderada por Billyshelby Fequis dos Santos, responsável pela Rede de Ações Sociais e Ambientais da igreja.

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Segundo ele, o principal objetivo do projeto foi reduzir os custos fixos com energia elétrica, permitindo que mais recursos sejam destinados a investimentos internos e projetos sociais. “Também houve uma forte preocupação com a sustentabilidade, pois entendemos que cuidar da criação de Deus é parte da nossa responsabilidade cristã”, destaca.

Igrejas adotam energia solar e unem fé, economia e sustentabilidade
Para a liderança da Comunidade Batista Vida, o projeto é mais do que uma ação ambiental — é um testemunho de fé e boa administração – Foto: Divulgação

O sistema fotovoltaico instalado tem capacidade de 44,68 kWp, composto por 42 painéis solares de última geração, dimensionados para atender praticamente toda a demanda energética do templo e de suas dependências. Para viabilizar o projeto, foram realizadas adequações estruturais no telhado, reforços na cobertura e a instalação de um sistema de cabeamento específico para interligar os painéis ao inversor.

O investimento total foi de aproximadamente R$ 55 mil, realizado em parceria com uma empresa pertencente a um dos membros da própria comunidade. A economia já é expressiva: a conta de energia teve redução entre 60% e 70%, o que representa cerca de R$ 6 mil por mês.

A iniciativa também tem gerado reflexos positivos entre os membros. “Muitos passaram a ver a energia solar como uma alternativa acessível e responsável, e alguns já instalaram sistemas semelhantes em suas casas, inspirados pelo exemplo da igreja”, relata Billyshelby.

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Para a liderança da Comunidade Batista Vida, o projeto é mais do que uma ação ambiental — é um testemunho de fé e boa administração. A instalação está em sintonia com o princípio bíblico de “cuidar e cultivar” a criação. “Ao investir em energia limpa, entendemos que estamos honrando a Deus não apenas com palavras, mas com atitudes concretas de cuidado com o meio ambiente”, afirma Fequis.

Com essa iniciativa, a igreja busca inspirar a sociedade a unir fé, responsabilidade ambiental e gestão eficiente de recursos. “A sustentabilidade se torna, assim, um canal de influência cristã positiva e um exemplo prático de como proclamar o evangelho por meio de ações”, conclui Billyshelby. 

Benefícios e financiamentos 

De acordo com Ricardo Saltes, corretor de energia da iGreen Energy, o principal benefício para igrejas que adotam o sistema fotovoltaico é a autonomia na geração de energia, reduzindo a dependência de fatores externos como variações hídricas, políticas governamentais e reajustes tarifários. “A igreja passa a produzir a própria energia, sem depender de oscilações de preço ou de políticas públicas. Esse é um benefício muito importante”, destaca Saltes.

Além do impacto econômico, Saltes enfatiza que a energia solar representa um compromisso com o meio ambiente. “Ao investir em energia limpa, as igrejas ajudam a reduzir o desmatamento e as emissões de carbono”, enfatiza.

Segundo ele, a iGreen Energy oferece linhas de financiamento de até 72 parcelas fixas, tornando o investimento mais acessível. A empresa é responsável por todo o processo de instalação e homologação junto às distribuidoras, eliminando preocupações burocráticas para o cliente.

Informações técnicas

Antes da instalação, é realizada uma vistoria técnica para avaliar a estrutura do telhado e garantir que ele suporte os painéis solares. Os equipamentos utilizados são de primeira linha, com garantia de até 15 anos e vida útil estimada em 25 anos.

O investimento médio para igrejas varia entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, dependendo do porte do templo e do consumo energético. A instalação é concluída em até 90 dias após a aprovação do orçamento.

“Se o pagamento for à vista, o retorno financeiro é praticamente imediato”, revela o corretor ao explicar que a manutenção das usinas é simples, restrita basicamente à limpeza periódica das placas, recomendada a cada seis meses, conforme as condições climáticas da região.

Para Saltes, o crescimento do mercado é reflexo de três fatores principais:

1. Redução nos custos de instalação e maior oferta de equipamentos de qualidade;
2. Aumento do consumo energético nas igrejas, especialmente com o uso de ar-condicionado;
3. Valorização da sustentabilidade como valor institucional e espiritual.

Ricardo também compartilha uma conquista recente do setor: a manutenção da isenção de sobretaxas sobre a energia solar, aprovada pelo Congresso Nacional. “Essa vitória reforça que a energia solar não é mais o negócio do futuro, mas a solução do presente”, finaliza.

 

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