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quinta-feira, 2 julho, 2020

Igreja, sinônimo de solidariedade

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Por meio de ações que fizeram diferença para milhares de pessoas, igrejas do Estado mostraram que quando tudo parece perdido, o amor de Deus une Seus filhos em uma corrente pela vida

O Espírito Santo enfrentou no mês de dezembro de 2013 o maior volume de chuvas já registrado em sua história. Quase 70 mil pessoas, em 55 dos 78 municípios do Estado, chegaram a ficar desabrigadas e desalojadas. Em um cenário de destruição e que terminou com 24 óbitos, o sentimento para a população era de incertezas.

Quando voltar para a casa? Como conseguir água e comida? Como recomeçar, após ter perdido móveis, carros e eletrodomésticos? Entre casas, edifícios e indústrias completamente alagadas, estradas e pontes destruídas, as perdas foram grandes.

Em uma resposta rápida, o Governo Estadual, prefeituras, a sociedade civil, empresas e entidades capixabas se uniram e buscaram, na medida do possível, ajudar quem buscava as respostas para essas questões. E apenas através de ações de solidariedade seria possível vencer o desafio que o Estado assumiu no começo de 2014. 

Segundo o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Helder Salomão, a reconstrução do Espírito Santo foi planejada em três áreas: produtivo, infraestrutura e indivíduo. O Estado está 100% focado em ajudar as vítimas das chuvas. “Enfrentamos o maior desastre natural nos últimos 90 anos.

E duas imagens ficaram fortes: a primeira foi a da dor das pessoas, que ficou evidente; mas ainda mais impactante foi a imagem da solidariedade do povo. Essa solidariedade ficou marcada nas mentes e nos corações. O Estado respondeu com muita rapidez, mas se não fosse a solidariedade, a participação da sociedade e das igrejas, não teríamos dado conta sozinhos. Foi um grande mutirão de solidariedade. Interagimos o tempo todo com igrejas, que por iniciativa própria organizaram a arrecadação e entrega. Elas foram fundamentais para salvar as vidas de muitos capixabas”, falou.

Igrejas mobilizadas

De fato, igrejas de várias denominações se levantaram para reduzir a dor dos capixabas e fizeram a sua parte, arrecadando donativos que foram encaminhados para os municípios atingidos. As igrejas Assembleias de Deus, por exemplo, possuem um Departamento de Ação Social que ao longo do ano se ocupa com medidas assistenciais, tais como: distribuição de cestas básicas às famílias carentes, compra de remédios e atendimento psicossocial.

Essas ações são realizadas pelas igrejas locais e abrangem, normalmente, a região onde estão inseridas. Já no caso de um evento de grande comoção social, faz se necessária a soma de forças para atendimento da demanda. “No caso das chuvas que abalaram várias regiões do Espírito Santo, logo que foi percebida a proporção das tragédias, criamos em nossa Igreja a ‘Comissão SOS Chuvas no ES’ com vistas a obter informações precisas sobre as regiões atingidas e quais as necessidades primordiais das famílias. Na sequência, foram feitas várias campanhas de arrecadação que abrangeram não só aos fiéis de nossa denominação, mas também várias comunidades, e esse apelo foi extensivo a outras igrejas do mesmo segmento dentro de nosso Estado”, disse o pastor Marcos Menegone, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil/Madureira-ES (Conemad-ES).

Formada por 50 voluntários, a “Comissão SOS Chuvas no ES” mobilizou parte de sua equipe para as arrecadações que aconteceram no templo da igreja, em Barcelona, na Serra. Esses voluntários inclusive buscaram os donativos nas residências dos doadores.

Já a outra parte ficou por conta da organização, que separou os itens e compôs os kits para a distribuição.
Foram feitas cinco remessas de entregas: a primeira foi na Praça do Papa, junto à Defesa Civil; as demais ocorreram no município da Serra, nas regiões de Jacaraípe e de José de Anchieta. Ao todo foram arrecadadas e distribuídas cerca de 10 toneladas de donativos.

“O objetivo da Comissão SOS Chuvas no ES foi levar a priori o socorro social àquelas pessoas. Muitas vezes, ficávamos até sem palavras diante das calamidades vistas, famílias que haviam perdido tudo! O empenho maior de nossa equipe foi adjutório. Entretanto, não faltou oportunidade para um momento de oração, louvor e até mesmo um aconselhamento pessoal”, frisou Menegone.

Segundo ele, momentos como esses servem para que o cristão exercite na prática aquilo que prega na teoria. “O apóstolo Tiago nos assegura que a fé sem obras é morta (Tg. 2:14-18). Quando nos tornamos empáticos ao próximo, nos tornamos pessoas melhores e mais humanas. Na agitação do dia a dia, as pessoas não dispõem de tempo para ajudar ao próximo, se tornam frias e egoístas. Quando surge uma corrente solidária em torno de uma causa, notamos que as pessoas voluntárias se sentem realizadas, mais felizes.

Enfim, a verdadeira religião passa pela solidariedade (Tg. 1.27)”, citou o pastor. A Associação Luterana de Assistência Social (Alas) foi outra a agir, recebendo doações de alimentos não perecíveis, água, fraldas descartáveis, roupa de cama, roupa infantil, roupas masculinas e femininas, colchões, mobília, material de higiene e limpeza. Um caminhão de mantimentos seguiu para Rio Bananal, um dos municípios atingidos. A maioria das congregações luteranas possui um departamento específico que coordena a sua ação social, tanto interna como externa. E com a fundação da Alas, em 2002, todas as ações ganharam um foco.

Em uma administração compartilhada, as carências internas e de âmbito estadual e até nacional, são mantidas através de ofertas regulares e, nos casos de sinistro de proporções maiores, naturais ou sociais, são supridas através de campanhas especiais. “Sobre o caso específico do desastre natural de dezembro, por exemplo, as congregações que não sofreram com os temporais auxiliaram as cidades atingidas. É oportuno citar que tanto o recolhimento dos donativos como na entrega dos mesmos, houve uma prática solidária e sem nenhum tipo de discriminação, a não ser a necessidade das famílias”, disse Waldirene Alves Lorete, presidente da Alas.

Para o capelão da associação, reverendo Danilo Fach, aconteceu uma comoção geral. “Dentro e fora das igrejas, vimos as pessoas voluntariamente se doando pela causa. Avaliamos como muito positiva a reação luterana. Além dos carros particulares, a Alas entregou, através da gentileza de uma transportadora, um caminhão lotado de doações para Rio Bananal. Na nossa sede, ainda dispomos de um residual, que aguarda o seu destino para a região do Vale do Rio Doce e Santa Leopoldina”, falou.

A Igreja Adventista, por sua vez, agiu através de duas frentes de atendimento, a Asa e a Adra. A Asa (Ação Solidária Adventista), é o trabalho realizado pelas igrejas com suas comunidades circunvizinhas. Já a Adra (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) busca recursos com os órgãos públicos e privados para atender às pessoas de um modo mais amplo e com mais foco no desenvolvimento. “A Asa e a Adra trabalham em parceria. Se for algo local, de pouca proporção, a própria igreja se organiza para atender.

Já algo maior, como aconteceu com as chuvas de dezembro no Espírito Santo, a Adra, junto com as igrejas, promove campanhas de donativos e também busca recursos internacionais que estão disponíveis para estas emergência”, falou o pastor Fábio Carbonaro Salles.

O pastor adventista lembrou que foram arrecadados certa de 50 toneladas de alimentos, 2.480 galões de 20 litros de água, 10.400 peças de roupas e 790 colchões. “As cidades que receberam essas doações foram: Baixo Guandu, Nova Venécia, Rio Bananal, Viana, Cariacica, Serra, Vila Velha e Barra de São Francisco. Os irmãos, através de campanhas feitas nas igrejas, se mobilizaram de uma maneira maravilhosa; houve muitas doações, que foram reunidas na igreja, e depois a Adra agilizou a logística de entrega nas regiões atendidas. Houve lugares que a Defesa Civil pediu para não enviarmos mais doações, pois já estavam lotados”, falou.

Deus, a base da vida

Segundo a presidente da Alas, Waldirene Lorete, as igrejas têm um papel importante não apenas dando ajuda não só material, mas sobretudo espiritual, para quem pode ter perdido quase tudo, porém sempre poderá confiar no Pai. “Sem dúvida, a perda de um bem material ou social abala sensivelmente o ser humano. Após um sinistro, iniciar tudo de novo requer um esforço muito grande.

Nem todos estão preparados e nem possuem tal fleuma. E o ser humano, após um sinistro como o de dezembro, necessita de uma boa base espiritual. E as igrejas luteranas são orientadas para estarem ao lado do seu semelhante nesse momento e oferecer o apoio espiritual. Sem proselitismo, mas oferecendo recursos através da Palavra de Deus, que é a fonte da Água da Vida, como diz o nosso lema anual”, destacou ela, lembrando que a Igreja de Deus deve ser sinônima da palavra solidariedade. “É uma resposta ao amor de Deus para conosco. Somente um coração motivado pela fé em Cristo, e certo de que a nossa esperança está Ele, pode se mover em favor do próximo.

Para Diego Bravim, diretor-geral da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo, o povo do Estado passou por um momento de grande provação. “Foi um tempo desafiador para todos os capixabas, algo atípico em nosso Estado. E ser confrontado com essa realidade nos levou a uma reflexão imediata de que precisamos uns dos outros e das misericórdias do Senhor Jesus. Percebi em nossas igrejas uma ação imediata e proativa no sentido de cuidar e se preocupar com o ser humano independente da sua crença ou religião; os mais de 80 mil batistas deram uma lição de união e amor em prol ao nosso povo”, afirmou. Segundo ele, a necessidade de Deus na vida das pessoas independe dos momentos, porém existem situações que levam pessoas diretamente aos pés de Jesus.

“Lidar com acontecimentos como este requer um preparo e atenção, pois aquilo que será transmitido poderá trazer um efeito de esperança ou de desespero ainda maior. A oportunidade de falar de Cristo se dá através de nossas ações, que são incondicionais à aceitação ou não do Evangelho, mas uma forma de praticar os ensinos de Jesus.
De qualquer forma, este momento nos oportuniza a pregar a mensagem de fé, esperança e arrependimento”, analisou.

Cerca de 10 mil pessoas se mobilizaram diretamente nas ações batistas, para doar e até mesmo servir os desabrigados e vítimas das chuvas. As regiões mais beneficiadas foram norte, Grande Vitória e montanhas. Os batistas também arrecadaram um caminhão de donativos. “Os batistas se uniram de forma maravilhosa, essa denominação centenária tem mostrado e mostra seu valor como uma comunidade importante no Reino de Deus. Nossas igrejas fizeram seu melhor e influenciaram através de sua representação em cada segmento dessa sociedade para o apoio às vítimas. Talvez possa dizer que este foi um momento histórico de grande mobilização desse povo que acreditamos que juntos podemos mais”, disse Bravim.

A sensação do assembleiano Ruahn Costa Couto foi que o do povo capixaba deu uma parada, se uniu, deixou para trás os projetos e interesses pessoais, a fim de ajudar ao próximo. “Foi uma experiência fantástica de presenciar na prática a Palavra de Deus. Muitas famílias de nossa igreja deixaram de fazer ceia de Natal e não viajaram no Réveillon. As pessoas trocaram o conforto de suas famílias, tudo para ajudar o próximo e distribuir alimentos, água, roupas e brinquedos para as famílias desabrigadas. Colocamos a mão na massa e literalmente os pés na lama para ir até as localidades mais atingidas. A interação com igrejas de outras denominações também foi muito grande e especial, uma ajudando a outra, visando o bem-estar do povo”, disse ele, que é membro da Assembleia de Deus de Barcelona.

Em última análise, os membros de todas as denominações ouvidas concordaram que solidariedade é algo que já faz parte daquele que tem Jesus como seu salvador, pois é um ensinamento do próprio Cristo que determina que se deve cuidar dos necessitados. As igrejas têm um papel fundamental de influenciadoras a uma ação mais justa e sem interesses. O papel de agente da reconstrução do Espírito Santo é, portanto, principalmente do cristão, que enxerga a necessidade do próximo e lhe empresta braços fortes para o trabalho, otimismo para vencer os obstáculos e um coração repleto de luz para guiar o Estado.


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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