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quarta-feira, 29 junho 2022

Igreja – O Lugar Mais Sem Criatividade da Terra

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Estou entrando na mesma igreja toda semana, tamanha a semelhança do ambiente e da liturgia

Por Atilano Muradas

Nestas últimas três décadas, viajei o Brasil de norte a sul, conheci vários países e até morei nos EUA por muitos anos. Como cantor e pregador itinerante, tive o privilégio de ministrar em praticamente todas as denominações evangélicas mais conhecidas. Até os anos 2010, mais ou menos, eu sabia quando estava entrando nessa ou naquela denominação, apenas observando as pessoas, o tipo de liturgia, o estilo musical, a pregação…

De 10 anos para cá, no entanto, isso não acontece. A impressão que tenho é que estou entrando na mesma igreja toda semana, tamanha a semelhança do ambiente e da liturgia. A liturgia (chata e sem graça) é a mesma em todos os cultos. As músicas (fraquinhas e repetitivas) são as mesmas. Os avisos (em vídeos que a gente não lembra nada depois) são os mesmos.

Os momentos de oferta (sempre apelativos) iguaizinhos. As pregações (xoxas e repetitivas) idênticas. Repito: a impressão que tenho é que estou entrando na mesma igreja toda semana.

Mas, de repente, luz no fim do túnel. Eis que surge um congresso cristão revolucionário, onde estarão preletores famosos, bandas espetaculares, decorações incríveis, stands, e tudo num hotel cinco estrelas, claro. O tema: “Use os seus dons e a sua criatividade para o Reino”. As reuniões são uma overdose de criatividade, e sempre aparece um iluminado tentando imprimir na diversidade continental brasileira algum modelo norte-americano. É ridiculamente sem bom senso e até cômico. Sorry! Mas, que se há de fazer?

Mesmo assim, os irmãos saem do congresso igual pipoca na panela, com vontade de mudar tudo em suas igrejas – o que nunca acontece. E o pior é quando alguém resolve visitar as igrejas dos preletores do tal criativo congresso e descobre que todas são e-xa-ta-men-te idênticas: Altar pintado de preto, púlpito moderninho, pastor com roupa de grife, música repetitiva (é lógico), liturgia chata (rs)… Isso mesmo: “control c, control v”. Que tristeza!

Será que a criatividade foi varrida da Igreja? Será que os líderes cristãos estão cegos, surdos e mudos? Será que, paralelamente, os membros entraram num transe e se tornaram robôs que necessitam apenas frequentar um culto para lavar a alma? Será que o Corpo de Cristo esqueceu o que é teatro, música boa, coreografia de qualidade, declamação de poesia, música instrumental, coral, solos, trios, quartetos, monólogos, exposições de arte, festas comemorativas, lançamento de livros, palestras criativas, orquestra, escola de música, biblioteca, jogral, desenho, artesanato, escultura, dinâmicas, fantoches, cinema, e tantas outras atividades criativas?

Parece-me que os líderes e seus membros ficaram “abobalhados” por causa das novas tecnologias. Só existe celular e Internet no mundo! Nada mais presta! Tudo está ultrapassado! Não à toa estamos vendo dentro da Igreja uma geração triste, apática, perdida, sem função, desgostosa, se sentindo inútil e nem querendo ir ao culto. Entende, agora, porque o time da autoajuda está ganhando milhões com palestras e livros? Se os crentes estivessem ocupados, teríamos menos problemas; garanto.

Portanto, vamos arregaçar as mangas e trazer a criatividade de volta à Igreja. Ajuntemos os irmãos e façamos arte cristã de verdade. Cada culto poderá ter a presença de uma ou mais dessas artes supracitadas. As reuniões seriam dinâmicas, com liturgias alegres, menos formais e mais criativas. Com “ordem e decência”, obviamente, mas, respeitando as diferenças culturais regionais, e empregando as pessoas. Os incrédulos até poderiam começar a querer vir ao culto, porque, do jeito que está, nem o pastor anda querendo ir. Mas, o primeiro culpado é ele mesmo. Desculpe-me a franqueza!

Atilano Muradas é pastor, jornalista, teólogo, músico, compositor e escritor com vários livros publicados.

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