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terça-feira, 26 maio, 2020

A Igreja deve governar a terra de forma ousada

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Criador da Igreja no Cinema, que está presente em cinco estados do Brasil, pastor Karl Dietz diz que “A Igreja precisa governar ousadamente todas as esferas sociais”. 

O alvo são os jovens, mas todos são bem vindos. O cenário é uma sala de cinema e o conteúdo é a palavra de Deus. No telão, letras de músicas sobre louvor e compaixão e à frente, um grupo musical que anima os participantes.

Os cultos são intitulados como sessões. É uma nova forma de reunir a igreja e revolucionar os cultos tradicionais evangélicos. A Igreja no Cinema (INC) foi implantada em Curitiba (PR), em 2014 e se expandiu por cinco estados do Brasil.

O criador dela, o pastor Karl Dietz, que é filho de imigrantes alemães, que tem se dedicado essencialmente a levantar uma geração disruptiva e empreendedora nas sete áreas de influência da sociedade. Nos últimos 15 anos se dedicou e percorrer 35 países, treinando e capacitando presencialmente mais de 700 líderes sociais e empreendedores.

Nesta entrevista exclusiva à Comunhão o pastor fala dessa nova geração de igrejas e qual dever ser realmente o papel da Igreja. Confira!

Comunhão – O senhor inovou no Brasil ao criar a Igreja no cinema, da qual os cultos são realizados em sessões de cinema. Como esse projeto foi pensado e com qual objetivo?

Karl Dietz – Depois de passar conhecendo igrejas locais em mais de 35 países acabei percebendo o quanto a igreja Brasileira estava obsoleta quando o assunto é criatividade, comunicação e inovação na proclamação do evangelho. A crise da Igreja é semântica, o que ela quer comunicar, a nova geração não consegue entender.

Esse tipo de “reunião evangélica” sai do tradicionalismo do que geralmente acontece nos templos religiosos do país. Como funciona um culto no cinema e em que ele se diferencia do tradicional?

Com certeza muito diferente. Nós valorizamos a experiência, mais do que a liturgia. Cada sessão é desenhada unicamente para a ocasião, e vivemos na dimensão da compreensão que Igreja é gente, e não lugar, por isso somos a ‘Igreja no Cinema’, quando vamos embora, o cinema volta a ser cinema.

Acha que a igreja deve sair de seus templos para alcançar pessoas e cumprir o Ide?

Jamais, afinal dentro dos templos estão as pessoas que mais precisam ser alcançadas pelo evangelho, os religiosos. Jesus nunca tem problemas com outra classe de pessoas, senão os religiosos. Viver o ide é uma realidade da nova criação, com ou sem templo, vivemos no tempo de maior propagação do evangelho da história.

Já que o culto é realizado em cinema, como funciona essa questão de dízimos e ofertas que todas as igrejas possuem? Para quem ele é destinado?

Somos uma Igreja ao redor do país 100% voluntária. Cremos que o princípio elementar da adoração é levar e não buscar algo da Igreja.

Por isso nos mobilizamos em ofertas voluntarias, que financiam uma mensagem, e não uma estrutura.

Entendemos que 100% das nossas finanças precisam terminar em alguém e não em algo.

O projeto Igreja no Cinema tem crescido no Brasil. Hoje ele está presente em pelo menos seis estados do país. Acha que estamos vivendo uma revolução nas Igrejas evangélicas?

Não chega a ser uma revolução, mas vejo a pressão que ela tem sofrido em se ressignificar no sentido de pastorear a nova geração remotamente. A única coisa que torna um iPhone obsoleto é quando é lançando um novo iphone. Creio que é exatamente isso que acontece quando igreja como a INC surge na cidade.

Houve resistência com esse projeto? Quais foram e como foram superados?

Toda grande revelação na história sempre começou como uma heresia para quem não fazia parte disso. Somos muito resistidos por pastores, denominações e conselhos de pastores. Porém cremos que o silêncio é a melhor arma para anular a crítica, então, nem se quer nos damos o trabalho de corresponder, afinal, contra frutos não há argumentos. O tempo é o Senhor da razão, a vida é longa, e no final, ele volta contando que realmente estava “enganado”.

Hoje vemos vários muitos jovens que nasceram em um lar evangélico, mas de algum modo se desviaram da igreja e de seu propósito. É preciso “ser moderno” para atraí-los?

Jamais. O que é preciso é ser ‘verdadeiro para preservá-los’. A igreja nacional em muitas realidades tem se mostrado a casa da hipocrisia social, desde o cumprimento das pessoas falando “a paz querido”, até a incoerência entre o que se prega, daquilo que realmente se vive na dimensão coletiva.

Essa forma de ser igreja abre o leque sobre o jeito de se vestir, pensar, e mudança de pensamentos do cristão. O que antes as instituições não faziam, hoje muitas já fazem. Podemos dizer, por exemplo que a figura do “pastor” usando “paletó e gravata” ficou no passado?

Esse tipo de igreja no fundo é o que menos está preocupado com o que o pastor está vestindo, é uma geração que está preocupada com o que o pastor está falando e vivendo.

A Bíblia diz: “vós sois o sal e a terra” e que os crentes devem reluzir a luz de Cristo. A igreja evangélica não deveria ser “diferente” do mundo?

A diferença entre uma árvore de outra árvore são os frutos que elas carregam, jamais o modelo das folhas, ou a cor e o formato dos galhos que elas possuem – árvore é árvore. Assim também cremos que gente é gente, porém umas vivem no nível de justiça, frutificando vida, outras no nível de escravidão sem frutos. Jesus não é uma diferença cosmética social, Jesus é a expressão de uma nova natureza que termina em justiça, alegria e paz no espírito.

Foto: Arquivo pessoal

Qual realmente deve ser o papel da igreja hoje?

Governar a terra. Ensinar as pessoas a viver como gente, e não como crente, usando as chaves do reino para ligar e desligar ações na terra, no céu. Já o papel do ajuntamento dos santos deve ser essencialmente um lugar do sobrenatural. Lá tudo acontece: Adoração, cura, alegria, quebrantamento, revelação, liberdade, perdão, amor na essência e transformação imediata.

E no contexto social, como ser uma igreja relevante?

Entendo o texto de Efésios 1:23 que diz: No centro de tudo, Cristo governa a igreja. A igreja não é periférica em relação ao mundo, o mundo é que é periférico em relação à igreja. A igreja é o corpo de Cristo. Por esse corpo ele fala, age e preenche tudo com sua presença. A Igreja precisa governar (servir) ousadamente todas as esferas sociais, e o seu resultado precisa para de ser contabilizado em eventos, retiros e numero dê membros que “cresceu”, e passar a ser medido pelos índices de desemprego, violência doméstica, tráfico de drogas, violência, e problemas sociais diversos que deveriam impreterivelmente ter diminuído obrigatoriamente naquela Região aonde o reino de Deus chegou.

Conheça mais sobre a Igreja no Cinema!


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Como definir uma igreja verdadeira?
Fábrica de Igrejas
A igreja sobrevive aos escândalos

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