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quarta-feira, 12 junho 2024

Igreja histórica é fechada na China pelo governo

Na China, as igrejas cristãs são monitoradas, fiscalizadas e controladas pelo governo - Foto: Reprodução

A instituição religiosa não aceitou integrar a “Igreja das Três Autonomias”, ou seja, um movimento patriótico chinês. Saiba mais!

Por Patricia Scott 

Em meio à evidente perseguição religiosa na China, as autoridades fecharam mais uma igreja. O motivo é simples: a instituição não aceitou integrar a “Igreja das Três Autonomias”, ou seja, um movimento patriótico chinês.

No último dia 19 de agosto, a histórica igreja conhecida como Igreja da Abundância, em Xian, província de Shaanxi, fechou as portas. Caso contrário os pastores e membros estariam sujeitos à prisão, de acordo com informações do Morning Star News.

A Igreja da Abundância funcionava em território chinês há 30 anos. No entanto, agora, é apontada como seita pelas autoridades, além de ser acusada de supostamente recolher doações ilegais. O pastor Lian Changnian e seu filho Lian Xuliang — que também é pastor — foram colocados sob “vigilância doméstica” em um local determinado pelas autoridades.
Vale salientar que as autoridades chinesas consideram qualquer igreja livre como uma ameaça ao Estado. Logo, a organização cristã que se recusa a fazer parte do Partido Comunista Chinês é considerada “ilegal”.

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Segundo a organização de direitos religiosos Bitter Winter, com sede na Itália, o fechamento da Igreja da Abundância parece fazer parte do apelo do presidente Xi Jinping contra os grupos religiosos. A partir de dezembro de 2021, o líder ditador passou a obrigar todos os cristãos protestantes a fazer parte do sistema conhecido como “Igreja das Três Autonomias” como forma de “legalização da religião”.

Na verdade, a “legalização” é só uma forma de controle e manipulação por parte do governo e também um disfarce para a perseguição religiosa que acontece no país de forma cada vez mais descarada.

As acusações contra os cristãos da Igreja da Abundância foram registradas como “arrecadação ilegal de fundos e registro ilegal”. A informação é do grupo de direitos cristãos, China Aid, conforme anúncio do Escritório de Assuntos Civis e o Escritório de Assuntos Religiosos.

Há notícias também que as autoridades chinesas têm como alvo de perseguição à China Gospel Association. A organização faz parte de uma rede de igrejas domésticas no país.

Violência física

De acordo com a China Aid, a esposa de um dos pastores presos afirmou que o pastor Lian Xuliang tinha uma grande contusão na cabeça, proveniente de uma pancada. “Seus olhos estavam vermelhos e havia sangue seco no canto dos olhos. Sua máscara facial também tinha manchas de sangue. Seus braços e mãos estavam machucados e inchados. Houve, sem dúvida, abuso físico por esses chamados agentes da lei”.

No mesmo dia, as esposas dos pastores e alguns membros da igreja também foram presos. No entanto, somente os pastores permaneceram na prisão. Os demais foram liberados.

O paradeiro do pregador Fu Juan é desconhecido. A esposa do líder religioso ainda não recebeu nenhuma notificação oficial de detenção.

Outros casos

Aproximadamente 100 policiais armados em Linfen, província de Shanxi, cercaram 70 membros da “Covenant Home Church”. Eles participavam de um acampamento entre pais e filhos. Vários adultos foram presos. Isso ocorreu no mesmo dia em que a Igreja da Abundância foi invadida e fechada por policiais chineses, 19 de agosto.

Os policiais também vasculharam as casas dos membros da igreja Han Xiaodong. Li Jie e sua esposa, Li Shanshan, tiveram livros e documentos cristãos apreendidos.

No dia 21 de agosto, na cidade de Changchun, província de Jilin, a polícia invadiu um culto de uma igreja doméstica conhecida como Igreja Reformada Changchun Sunshine. “Como demonstrado pelos vídeos divulgados pelos crentes, aqueles que compareceram ao culto foram espancados pelos agentes”, revelou um representante do Bitter Winter.

Segundo ele, “duas mulheres tiveram ataques cardíacos e tiveram que ser hospitalizadas”. Além disso, os oficiais também prenderam nove cristãos, incluindo o pastor Guo Muyun, o pastor Qu Hongliang e o irmão Zhang Liangliang. Todos acusados de administrar uma organização religiosa ilegal.

Já no dia 14 de agosto, em Pequim, a Igreja de Sião foi invadida. “Os computadores foram confiscados e o pastor, Yang Jun, junto de nove membros foram detidos, embora tenham sido liberados posteriormente”, relatou o Bitter Winter.

Com informações de Morning Star News e Bitter Winter

 

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