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sábado, 15 agosto, 2020

EUA – Após 10 anos, igreja será construída em prisão

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Recursos foram arrecadados durante 10 anos e serão utilizados para construção de espaço de culto, aulas e batismo

Um grupo de empresários de Greenville, cidade localizada no estado norte-americano da Carolina do Sul, começou a Fundação Perry Chapel para arrecadar dinheiro para construir uma igreja independente na prisão de segurança máxima da região.

Embora os trabalhos de capelania cristã com os detentos aconteçam há décadas na penitenciária, o local nunca teve uma casa de culto.

Com o intuito de providenciar um espaço adequado para a realização do trabalho de capelania, os homens de negócios se uniram a Larry Epps, o capelão sênior do Perry Correctional Institute.

A um custo de quase US$ 500.000, mais de 80% do valor foi arrecadado de forma privada entre os voluntários, que estão financiando a construção do local para o sistema prisional que liga a fé à reabilitação.

A igreja onde serão realizados os cultos da prisão, deverá estar pronta ainda este ano e será levantada onde existe uma placa, há dez anos, anunciando “Futura Capela de Perry”, com a ilustração de mãos entrelaçadas em forma de oração.

Ela será construída pelos cristãos, mas poderá ser aberta a todos, segundo os envolvidos no projeto. A estrutura terá espaço para reuniões, aulas, aconselhamentos, espaço para batismo e um escritório para o capelão.

“Deus é incrível!”, escreveu Pat Duncan, voluntário do ministério de prisão, em um e-mail para os voluntários quando o dinheiro para a capela chegou no mês passado.

Espaço adequado

O capelão do Perry Correctional Institute não tinha um espaço adequado para os 30 presos que o auxiliam e os cerca de 150 outros que frequentam as aulas ou o consultam diariamente com perguntas ou pedidos de aconselhamento.

“Estamos num canto em um anexo atrás do ginásio. O escritório do capelão está em um pequeno corredor”, contou um voluntário. “É como estar em uma lata de sardinha”.

“Este é o trabalho mais procurado”, diz Epps que tem 49 anos e chama a área, apertada de “oásis”.

Um dos voluntários cumprimentou um detento que foi até o escritório do capelão Epps usando o apelido do homem. “Oi, Boi”, disse o empresário. O capelão Epps o corrigiu. “Eu o chamo de ‘senhor’”, disse Epps. “Um pequeno gesto”, Epps explicou, “que evita chamar os presos por um nome que eles poderiam ter ganhado em uma gangue. É uma demonstração de respeito e um sinal do que a vida pode ser fora da prisão”.

A prisão tem um prédio de ensino para ensinar classes de ensino médio e habilidades vocacionais. Epps também convida professores de Clemson e Furman para ensinar teatro, ciência da computação e filosofia.

“É sobre libertar as mentes deles”, disse o capelão.

Voluntários compartilham Jesus

Outro voluntário, Steve Trakas diz que não compartilha o que ele conversa com os homens que cumprem longas sentenças em Perry. Ele faz visitas ao local pelo menos uma vez por mês durante 11 anos, juntando-se a um grupo de homens que se sentam juntos como “sujeitos normais”, diz ele.

“Eu compartilho coisas sobre a minha vida? Eles compartilham coisas sobre a deles? Absolutamente”, disse ele. “Para mim, é espiritualmente uma das coisas mais gratificantes que eu faço. É o meu testemunho. Eu ando naqueles portões e vejo Cristo em ação toda vez que entro.”

Trakas, executivo da área de Greenville da Gibbs International, disse que quer que os homens de dentro saibam que não foram esquecidos. “Uma igreja independente”, ele disse, “seria um lembrete físico diário para aqueles homens de que a salvação não está fora do alcance de ninguém”.

“É tudo sobre compartilhar o amor de Cristo com esses caras lá de dentro”, disse Duncan, “vidas que foram mudadas e que vimos em primeira mão. Todo mundo que está lá, não falamos sobre denominações. É só falar sobre Cristo e amando esses caras”.

O ponto é a fé, dizem os voluntários do ministério da prisão – mais de 300 deles em Perry. É uma tentativa de resgatar pessoas e prepará-las para uma vida honesta, reconhecendo que elas devem pagar pelo que fizeram.

“Onde você me levar, eu vou seguir”, disse Bill Kaib, citando um verso de Lucas. Engenheiro aposentado, Kaib se ofereceu como voluntário em Perry e liderou em grande parte a captação de recursos da capela desde 2008.

“Depois de conhecê-los, você percebe que eles não são tão diferentes de você”, disse Kip Miller, que administra uma empresa de fornecimento industrial em Greenville e é outro doador para a capela.

Duncan disse que já serviu em outros conselhos, mas ele continua voltando para Perry por causa do que se desenrola diante de seus olhos.

“Eles estão ansiosos para nos ver e estamos ansiosos para vê-los”, disse Duncan. “Estamos ao redor da porta do ginásio esperando. E os caras que você não vê há algumas semanas aparecem, e eles estão chorando por causa de algo que aconteceu. Ou eles têm um grande sorriso no rosto.”

Reforço financeiro

Os legisladores do Condado de Greenville, Garry Smith e Ashley Trantham, disseram que quando ouviram o que aquele grupo de empresários estava tentando fazer – e quantos anos haviam passado – eles deram seu apoio. Assim, foram adicionados fundos estatais que podem chegar a US$ 150.000, se necessário.

“Nós sabemos o que está sendo feito em Perry e em outros ministérios de prisão”, disse Smith. “Quando temos grupos como o Kairos, isso tem um impacto.”

Trantham disse que quer ver os homens pagando por seus crimes. “Mas eu tenho um coração para restauração”, disse ela.

O Departamento de Correções da Carolina do Sul possui 21 prisões. Seis deles, como Perry, não têm capela. Em todo o sistema, dos 7.100 detentos que cumprem pena em segurança máxima, 2.600 não têm acesso a uma instalação dedicada à reflexão e ao crescimento espiritual. Eles se reúnem em academias ou salas de visitação para aconselhamento e serviços religiosos.


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