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terça-feira, 23 DE julho DE 2024

Igreja Católica na Inglaterra faz “pedido de desculpas” às vítimas de abusos

Foto: Reprodução

A Igreja da Inglaterra e a Igreja Católica na Inglaterra e pediram desculpas após a divulgação do relatório final do Inquérito Independente sobre Abuso Sexual Infantil, que detalhou décadas de falhas de proteção.

Depois de sete anos de trabalho, a equipe responsável pelo Inquérito Independente sobre Abuso Sexual Infantil na Inglaterra e País de Gales (IICSA, na sigla britânica) publicou esta quinta-feira, 21 de outubro, o seu relatório final, concluindo que o abuso sexual infantil é “uma epidemia” nestes países, e está a piorar. A conferência episcopal da Igreja Católica reagiu no próprio dia com um comunicado, onde apresentou “um pedido de desculpas sem reservas” a todos aqueles que foram vítimas deste crime no seu âmbito de atuação.

“A natureza e a escala do abuso que encontrámos foi chocante e profundamente perturbadora”, afirmou aos jornalistas a investigadora que liderou o estudo, Alexis Jay, especialista em assistência social. “Esta não é apenas uma aberração histórica que aconteceu há décadas, é um problema cada vez maior e uma epidemia nacional”. “O testemunho das vítimas”, continuou, foi “quase insuportável” de testemunhar. As histórias descobertas foram de uma “crueldade, desonestidade e negligência sem limites”.

Reputações

De acordo com o relatório, que teve por base uma investigação iniciada em 2015 e custou mais de 200 milhões de euros, as instituições e políticos britânicos têm vindo a “dar prioridade às suas reputações, em detrimento do bem-estar das crianças e jovens”, e “atos horríveis” foram escondidos ao longo de décadas, numa altura em que as medidas de proteção em vigor eram totalmente inadequadas.

Repetidamente, aponta o estudo, aqueles que tinham conhecimento sobre os abusos optaram por permanecer em silêncio. Tal aconteceu, refere o relatório, tanto na Igreja Católica quanto na Anglicana, onde “figuras importantes optaram por proteger os abusadores, permitindo que eles mudassem de posição em vez de serem expostos”.

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No comunicado assinado pelo Conselho Católico para o IISCSA (criado pela conferência episcopal em 2015 para acompanhar e dar apoio ao estudo), é reiterado o arrependimento da Igreja sobre graves falhas e o compromisso de tornar-se um lugar seguro para crianças e pessoas vulneráveis ​​no presente e no futuro.

“É importante para nós apresentar novamente um pedido de desculpas sem reservas a todos aqueles que foram feridos por abuso na Igreja Católica Romana em Inglaterra e no País de Gales e reafirmar o nosso compromisso com a melhoria contínua do nosso trabalho de salvaguarda para proteger todas as crianças e os vulneráveis”, pode ler-se na nota.

Recomendações

O estudo termina com a recomendação de inúmeras medidas a implementar, apelando nomeadamente à adoção de uma lei que criminalize a não denúncia do abuso sexual infantil.

A investigação revelou que, entre 1970 e 2015, a Igreja Católica recebeu mais de 3.000 queixas contra mais de 900 indivíduos ligados à instituição. No mesmo período, houve 177 processos e 133 condenações. “Desde 2016, houve mais de 100 denúncias de abuso sexual infantil recente e não recente todos os anos. A verdadeira escala de abuso ao longo de um período de 50 anos provavelmente será muito maior”, afirma o estudo.

O relatório acrescenta ainda que, “embora tenha havido algumas melhorias nos atuais processos de salvaguarda, auditorias mais recentes identificaram deficiências. A cultura e as atitudes da Igreja Católica Romana têm resistido à mudança”.

O estudo termina com a recomendação de inúmeras medidas a implementar, apelando nomeadamente à adoção de uma lei que criminalize a não denúncia do abuso sexual infantil. E deixa o alerta de que, acima de tudo, as figuras de autoridade em toda a sociedade devem ser persuadidas, seja através de novas leis, formação, ou outros métodos, a “não fechar os olhos”. Além de ser necessário resistir à tentação de pensar que os horrores identificados no estudo jazem com segurança no passado… até porque “o enorme aumento recente nos relatos de abuso online sugere que a situação geral está a piorar em vez de melhorar”.

Com informações de setemargens.com 

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