Ide: Amor, a poderosa ferramenta de transformação

Através da obra social e da Palavra de Deus, o Love Movimento vem mudando a realidade dos quilombolas

Desde 2015, o Love Movimento luta para mudar a situação de quilombolas mineiros

* Por Rafael Ramos

Alto índice de analfabetismo, ausência de assistência médica e falta de saneamento básico fazem parte da realidade dos moradores dos quilombos de Ribanceiras e Coqueiros, situados no município de São Romão, no norte de Minas Gerais. E é em meio a esse cenário que encontramos muitas lições sobre o poder transformador do amor.

As localidades contam com energia elétrica, telefone público e uma escola que oferece o ensino fundamental e o programa de alfabetização de jovens e adultos. Entretanto, o índice de analfabetismo ainda é bastante alto entre adultos e idosos.

Em relação à saúde, as 140 famílias que lá vivem não têm posto de saúde, e não há profissionais da área para atendê-las. É preciso pagar a algum morador que tenha veículo a fim de levar o doente até São Romão ou Ubaí. Um enfermeiro da prefeitura visita a comunidade ocasionalmente, e o único transporte é o ônibus da prefeitura, que contempla os estudantes nas escolas da sede.

Em Ribanceira, a população convive com fossas a céu aberto. E ainda há casas em situações de risco, há mais de 15 anos, devido à erosão. E a principal renda dos lares vem da pesca, de pequenos roçados, de trabalhos de diária nas fazendas vizinhas e em carvoarias e, principalmente, do Bolsa Família e das aposentadorias.  Nesse quadro precário, há quatro anos, surgiu a Missão Love Movimento.

Raphael Oliveira, idealizador do Love Movimento, realiza batismo no Rio São Francisco

Idealizada por Raphael de Oliveira Gonçalves, de 36 anos, a organização carrega em si o desejo de “transformar a sociedade através de pessoas comprometidos com valores e princípios do Reino de Deus, trazendo a realidade do céu para a terra”. “Queremos promover o bem comum, a justiça, os sonhos, colaborar com Deus para transformar o caos em jardim, promover um Reino do bem. Somos um movimento que busca despertar o indivíduo para um relacionamento íntimo e profundo com os problemas da sociedade, fazendo de cada voluntário um agente transformador”, explicou Raphael, que é coordenador de missões da Igreja Batista Central do Barreiro.

Apesar de trabalhar há um bom tempo no quilombo, os voluntários do Love Movimento muitas vezes se deparam com a forte tradição e fé passada de geração a geração. Por isso, Raphael alerta que são necessários mais engajamento e pesquisa por parte da igreja e organizações dispostas a evangelizar o sertão mineiro.

“Somos um movimento que busca despertar o indivíduo para um relacionamento íntimo e profundo com os problemas da sociedade, fazendo de cada voluntário um agente transformador” – Raphael de Oliveira Gonçalves, idealizador da Missão Love Movimento

A comunidade ainda está no processo de entendimento de sua condição étnica diferenciada como quilombola e iniciou recentemente essa discussão. A grande maioria da população é católica; só uma pequena parcela professa o cristianismo protestante.

“O QUE TENHO TE DOU”

Além da mensagem do Evangelho, o Love Movimento atua na área social. A base, no sertão mineiro, promove aulas de inglês e violão e constrói hortas comunitárias para as famílias da região. Além disso, instalou um tanque de tilápias com 30 mil litros de água e cerca de 3 mil peixes para atender os moradores e montar um modelo cooperativista. Até junho, planeja inaugurar mais três reservatórios para o manejo da tilápia e oferecer uma nova opção de sustento a outros lares do quilombo.

Voluntária fazendo atividade na aldeia de Ribanceira

A iniciativa também constrói casas e, anualmente, promove o Natal Solidário no Viaduto Santa Teresa, para 600 moradores de rua em Belo Horizonte. Os voluntários atuam ainda com as equipes das Unidade de Pronto Atendimento (UPA), todas as quintas-feiras, levando alimentos a pacientes e acompanhantes.

Mesmo assim, o idealizador do projeto afirma que há muito a ser feito. Além das questões culturais que os moradores carregam de seus antepassados, o desemprego e a informalidade provocam mudanças profundas nas vidas sertanejas. Por isso a organização missionária tem estado em constante diálogo com as autoridades competentes do município para cobrar, de maneira efetiva, melhorias para a comunidade.

“Ainda temos muito trabalho e creio que precisamos de um avivamento. Um avivamento que seja capaz de abalar nossas estruturas e nos fazer relevar o que hoje é relevante por amor a Cristo. Sem discurso e sem fantasia, mas dispostos a morrer para nós mesmos, para podermos então vivermos para Cristo e servir nos campos rachados do sertão mineiro”, almeja Raphael de Oliveira.

 CUMPRINDO A MISSÃO

Uma das pessoas que despertaram para essa necessidade na região é o missionário Rafael Fernandes Lima, de 31 anos. Desde 2016, ele ajuda na implementação dos projetos do grupo. “É uma grande alegria, mas, ao mesmo tempo, um desafio e uma responsabilidade enorme. A necessidade de estar sensível à direção de Deus é constante, pois sabemos que a pregação precisa vir não apenas com boas palavras, mas também com o poder do Espírito. A graça de Deus precisa ser revelada.”

Voluntário leva cesta básica a moradores dos quilombos

Rafael é um dos voluntários que lutam para alavancar o projeto dos tanques de tilápias, que têm auxiliado na renda de famílias de Ribanceiras e Coqueiros. Ao lado da esposa, Laura, ele dá aulas de violão e de inglês e está à frente de diversas outras atividades pontuais. “São pessoas extremamente simples, pouco alfabetizadas e com acesso limitado a recursos e trabalho. A maioria vive da pescaria. Mas só em 2018 tivemos vários momentos marcantes com inúmeros testemunhos, conversões e batismos”, relembra.

“A necessidade de estar sensível à direção de Deus é constante, pois sabemos que a pregação precisa vir não apenas com boas palavras, mas também com poder do Espírito” – Rafael Fernandes Lima, missionário que atua na implementação dos projetos do Love Movimento no sertão mineiro

Para o empresário Carlos Alberto Ferreira, que dá suporte às viagens dos missionários e integra o conselho do Love, atuar com os quilombolas foi como descobrir uma grande paixão. Ele e a família têm se desdobrado para levar a mensagem de Cristo com amor e apoiar os que precisam, atitude que deve ser primordial no coração da Igreja brasileira. “A Igreja somos nós. Vejo que muitos não têm coragem de ir, mas podem ajudar de outras formas para que nós, missionários, possamos levar a Palavra de Deus aos não alcançados”, destaca.


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