IDE: Levando água ao sedento

Há quatro anos o Instituto Água Viva leva a água que sacia o corpo e a alma ao sertão nordestino

*Por Rafael Ramos

O povo sertanejo vive nos dias atuais a pior crise hídrica dos últimos 30 anos. A água consumida em grande parte das comunidades vem da chuva. E muitos são obrigados a caminhar até dois quilômetros para tirar o líquido sujo de barragem onde animais se banham. Além disso, o semiárido é uma das áreas menos alcançadas pelo Evangelho no Brasil.

São mais de 6 mil comunidades rurais e, em alguns municípios, como Monteirópolis (AL), Carnaubeira da Penha (PE) e Moita Bonita (SE).

O quadro é ainda mais grave do ponto de vista social. As famílias sobrevivem com cifra inferior a um quarto do salário mínimo. E ainda padecem com mazelas como abusos sexuais e dependência do álcool e de drogas ilícitas.

Como forma de mudar essa realidade, o Instituto Água Viva, com sede no Espírito Santo, realiza desde 2015 um trabalho que contempla principalmente os estados da Bahia, do Piauí e de Pernambuco.

O sertão vive a pior crise hídrica nos últimos 30 anos e depende da chuva para consumir água em casa.

A organização sem fins lucrativos está alicerçada no que chama de “4 Pilares”: saúde; esporte; reforço escolar com aulas de balé, música, informática e alfabetização; e geração de renda com fábricas de bonés, camisas e chinelos, fábrica de violão, hidroponia, piscicultura, plantação de frutas, e outras.

Para o presidente da entidade, Carlinston Lima, o maior desafio é conquistar a confiança do sertanejo e entrar nas casas sem ser tachado como mensageiro de mais uma promessa qualquer ou de mais uma religiosidade.

“É um povo muito acolhedor, alegre, prestativo e fiel. E, a cada mês de trabalho consistente no campo, essa barreira está sendo vencida. Temos avançado em mais de 400 povoados e comunidades rurais”, explica.

AMES

Com atuação na mesma região, a Agência Missionária de Evangelização no Sertão (AMES) acompanha o trabalho do IAV. O diretor Carlinston Pereira analisa que muitas igrejas não estão presentes cumprindo o Ide de Jesus, nem os governantes tentam fazer a diferença por meio de implementação de políticas públicas. “Na última década houve uma baixa no envio missionário. Hoje essa realidade começa a mudar rapidamente. Muitos líderes e pastores estão sendo despertados e avançando na plantação de igrejas no sertão.”

Nos últimos quatro anos, a Ames construiu 25 igrejas no sertão e mais de 400 frentes de trabalhos espalhadas por diversas comunidades rurais e quilombolas. Pastores e líderes do Estado do Espírito Santo, inclusive, têm ido lá, e muitos destes já enviaram missionários a lugares nunca antes imaginados pela Igreja. “Acreditamos que o sertão será invadido pelo amor e pela missão da Igreja de Cristo. Este é o tempo de vermos um grande agir de Deus em favor dos povos sertanejo, dos quilombolas, dos ribeirinhos e de todo os não alcançados do nosso Brasil.”

Adna Barbosa Oliveira (ao centro) é uma das missionárias que se dedicam a mudar a
realidade do povo sertanejo

Apoiadora do projeto, a cirurgiã-dentista Caroline Brazolino Valentim, de 27 anos, tem se desdobrado para mudar a realidade local. Membro da Comunidade Batista Cristã (ComBC), em Vila Velha, ela conheceu as precárias condições do Nordeste brasileiro em janeiro de 2018 e, ao lado do Instituto, presta serviços de saúde bucal.

Durante sua visita à região, constatou que alguns povoados não têm acesso à água tratada, esgoto, luz elétrica e serviços médicos ou odontológicos. No início, em grande parte dos atendimentos, o que via eram crianças e idosos assustados ou desconfiados. “Com bastante paciência, calma e carinho, tínhamos de apresentar cada instrumental e explicar sua serventia. Após os atendimentos, recebíamos abraços e sorrisos tímidos como gratidão. Queremos que as pessoas alcançadas vejam cada serviço ofertado como
uma manifestação de amor. Nosso objetivo é fazer com que se sintam especiais e amadas, e não esquecidas como parecem estar”, frisou.

“O trabalho do dia a dia tem sido assim, com células e pequenos grupos. Vamos caminhando, conhecendo, e o Evangelho vai sendo testemunhado. Tem pessoas cegas em casa, acamadas, e o Evangelho chega como refrigério. Deus tem nos sustentado” – Pr. Thiago Neves de Sousa, da Primeira Igreja Batista em Vila Batista, Vila Velha (ES)

AMOR À MISSÃO, AMOR AO SERTÃO

Com o lema “Amor à Missão, Amor ao Sertão”, o grupo com profissionais das áreas de planejamento, tecnologia da informação, captação de recursos, logística, compras, administração e marketing, dá todo o suporte necessário para que o trabalho aconteça de maneira eficaz.

A organização conta ainda com especialistas em educação, saúde, esporte, música e dança espalhados pelos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí. São pessoas que se dedicam diariamente a levar amor, atendendo a 22 municípios em mais de 400 comunidades rurais. Além delas, 175 missionários atuam no campo levando a Palavra de Deus e executando projetos sociais, fazendo com que mais de 11 mil sertanejos conheçam a mensagem.

Outro cristão disposto a amparar os mais necessitados é José Garcia de Oliveira Junior, de 45 anos, que ajuda a instituição desde 2018. Diretor executivo de uma associação de empresários cristãos, ele tem como proposta conectar os chamados “empreendedores do Reino” com a realidade do sertanejo.

“Deus é o maior empreendedor, e acreditamos que esse dom divino de empreender foi dado a vários irmãos. Precisamos contar isso a eles. Os verdadeiros empreendedores veem o ‘Desafio do Sertão’ como uma grande oportunidade de transformação de vidas e se sentem parte da solução”, testemunha.

O momento mais emocionante, relata, foi poder ver de perto os voluntários usando seus recursos financeiros, capacidade intelectual, contatos e tempo em função da missão de Deus. “Precisamos despertar para um viver intencional. Precisamos entender que ao nosso lado tem um não alcançado que é nossa responsabilidade. Jesus nos deu essa responsabilidade, e precisamos cumpri-la, usando a autoridade e poder que Ele nos deu, através do Espírito Santo.”

De igual maneira, Pr. Thiago Neves de Sousa, da Primeira Igreja Batista em Vila Batista, em Vila Velha (ES), conheceu a base missionária localizada em Marruá (BA) em março de 2017. Ciente da necessidade em cumprir a incumbência deixada por Cristo, o pastor se mudou para a região com a família – a esposa, Patrícia, e os filhos, Nicole, 15 anos, Samuel, 12, Miguel, 11, e Helena, 3. “O impacto foi conhecer uma realidade totalmente diferente da nossa. Famílias vivendo com condições completamente precárias; água potável e saneamento básico não existem.

O trabalho do dia a dia tem sido assim, com células e pequenos grupos. Vamos caminhando, conhecendo, e o Evangelho vai sendo testemunhado. Tem pessoas cegas em casa, acamadas, e o Evangelho chega como refrigério. Deus tem nos sustentado”, afirma.

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