22.7 C
Vitória
domingo, 3 julho 2022

Henry Sobel – o rabino do Brasil

Foto: Reprodução

A biografia traz revelações inéditas sobre a vida e o trabalho de Sobel com depoimentos de quem conviveu com ele, como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Por Patricia Scott 

O lançamento do livro “Henry Sobel — o rabino do Brasil” acontece no próximo sábado (26), às 17h, na Associação Scholem Aleichem, que fica na Rua São Clemente, 155, Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. A obra, escrita pelo jornalista e sociólogo Jayme Brener, traz revelações inéditas sobre a vida e o trabalho do rabino, que é um dos mais importantes representantes da comunidade judaica brasileira em mais de cinco séculos de história. Durante o evento haverá um debate com a presença do autor e da historiadora e escritora Beatriz Kushnir, que é também doutora em História Social do Trabalho.

Sobel nasceu em Portugal, mas foi educado nos Estados Unidos. No entanto, ele destacou-se, no Brasil, como símbolo da sociedade civil por sua dedicação à defesa dos direitos humanos, do diálogo inter-religioso e da consolidação da democracia no país. “Fui próximo do rabino Sobel por 30 anos. A ideia da biografia nasceu no dia 23 de novembro de 2019, um dia depois de sua morte, em uma conversa com a filha, Alisha. Foram, então, dois anos e meio de trabalho”, revela o autor.

O livro, da Ex-Libris Editora, traz depoimentos de dezenas de pessoas que conviveram com o rabino. Elas narram casos dramáticos, tocantes, engraçados e mesmo negativos dessa convivência. Entre os autores dessas narrativas estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os ex-chanceleres Celso Lafer e Celso Amorim, o jornalista Juca Kfouri e Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog.

Na obra, há ainda informações inéditas. O autor Jayme Brener relata os bastidores do relacionamento do rabino Henry Sobel com todos os presidentes da República ao longo de sua permanência no Brasil. Ele destaca a convivência desde João Baptista Figueiredo a Jair Bolsonaro, passando por Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

Na  livro, o autor faz ainda reflexões sobre a imagem do rabino no mundo não judaico: “Sobel virou o judeu oficial do Brasil. As pessoas achavam que ele representava a comunidade judaica, mas não. Às vezes, tomava atitudes que deixavam a liderança judaica furiosa. (…) Ele tinha uma dimensão um pouco profética do seu papel. Achava que tinha que pôr o dedo no nariz dos poderosos e assumia causas justas”.

Foto: Divulgação

Vale salientar que o livro faz parte do projeto “Henry Sobel — História e Memória”, que inclui ainda um audiobook com várias pessoas narrando episódios que viveram com o rabino. E um documentário de curta-metragem, que deverá ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano. O projeto também doou o arquivo do rabino, que é grandioso, ao Museu Judaico de São Paulo.

Sobre o autor
Jayme Brener ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Didático em 1999, com Jornal do Século XX (Ed. Moderna), e foi finalista, em 1996, com “O Golem e Outras Aventuras do Rabino Judá Levi”, de Praga (1996). Em 2019, lançou o romance histórico Os Cinco Dedos de Tikal — Comunistas, judeus, putas e índios às vésperas da Segunda Guerra (Ex-Libris). Editou, em 2008, Um homem, um rabino, autobiografia do rabino Sobel.

 

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se