25 C
Vitória
terça-feira, 31 março, 2020

HAITI – Por que, Deus?

- Continua após a publicidade -

Mais lidas

Atletas mantêm vagas para os Jogos Olímpicos em 2021

COI confirmou que os atletas já classificados para os Jogos Olímpicos tem vaga assegurada. A nova data do evento será de 23 de julho a 8 de agosto de 2021

Consultor da Red Bull queria que os pilotos pegassem a COVID-19

O conselheiro de automobilismo da Red Bull, Helmut Marko, queria que os pilotois de formula 1 de sua equipe, fossem infectados com o COVID-19

McLaren vai produzir 10 mil ventiladores respiratórios

Equipe de Fórmula 1 disponibilizou a fábrica de carros junto com outras empresas para fabricar equipamentos médicos para ajudar as vítimas da Covid-19

Abertura dos jogos olímpicos acontecerá em julho de 2021

Os Jogos Olímpicos de Tóquio têm nova data definida para serem realizados: de 23 de julho a 8 de agosto de 2021 na capital japonesa

[img_grande]1950rp269[/img_grande]

Diante de tragédias como a que se abateu sobre o Haiti, é inevitável virem à mente perguntas como: onde estava Deus? Por que Ele permitiu? Deus poderia ter evitado? Será que Deus não viu o que iria acontecer?

O Haiti é um país que carrega historicamente uma cruel rotina: invasão, escravidão, revolução, guerra civil, golpes de estado, desordem social, violência, miséria e, agora, reflexos de um terremoto que devastou um terço da sua população de nove milhões de habitantes no início do mês.

 

Mais de sete mil corpos já foram enterrados em valas comuns. Milhares de outros estão sob escombros ou empilhados pelas ruas da capital, Porto Príncipe. Feridos e desabrigados caminham a esmo, em busca de socorro.

Esse cenário não deve mudar tão cedo. O terremoto teve uma capacidade destrutiva equivalente à de 25 bombas atômicas. O mundo se mobiliza para ajudar a consolar e reconstruir um país que já vivia de forma miserável, sem oferecer aos seus cidadãos condições mínimas de uma vida digna. Os que sobreviveram estão desesperados, sem norte.

O palácio do Governo virou pó. Também vieram ao chão o Parlamento, o Palácio da Justiça, uma universidade, os ministérios das Finanças, Comunicação, Trabalho e Cultura, os três hospitais da capital, o principal hotel e o prédio da Minustah – a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), instalada no país desde 2004. É como se o país tivesse desaparecido. Segundo a Cruz Vermelha, 70% dos edifícios de Porto Príncipe foram destruídos.

Antiga colônia francesa, o Haiti chegou a ser conhecido, no final do século XVIII, como “a pérola das Antilhas”, por conta do seu cultivo de açúcar. Inspirado na Revolução Francesa e com base em uma revolução de escravos, foi o primeiro país da América Latina a conquistar a independência, em 1804. Ironicamente, foi também o primeiro a acabar com o regime escravocrata.

Mas isso não significa que o território se desenvolveu de forma satisfatória. Sua economia, baseada na cana-de-açúcar, ruiu. Desde a sua independência, o país convive com a instabilidade política, a violência e a miséria. Nos últimos 200 anos, sofreu 32 golpes de estado. Após 29 anos de ditadura, houve eleições, mas nada mudou nos quesitos instabilidade e miséria.

190110mca0874Em 2004, a ONU enviou tropas do exército para estabelecer a paz e a ordem. Os brasileiros assumiram esse compromisso desde que a crise política tirou do poder o presidente Jean-Bertrand Aristide. As eleições legislativas estavam marcadas para o mês que vem e as presidenciais, para novembro.

Atenções

Hoje as atenções do mundo estão sobre o Haiti. Mas, durante anos, cientistas advertiram o país e outros do Caribe sobre os riscos de um grande terremoto que poderia atingir a ilha de Hispaniola, onde se localizam o Haiti e a República Dominicana.

Um estudo feito pelo Instituto de Geofísica da Universidade do Texas em 2004 mostrava um grande risco de terremoto ao longo da zona de falha setentrional, que percorre o Vale do Cibao, no norte da República Dominicana. É uma das áreas sísmicas mais ativas do mundo.

A ilha de Hispaniola está entre duas placas tectônicas, a da América do Norte e a do Caribe, que dividem a ilha. Quando elas se chocam, acontece um tremor de terra. Dezenas de terremotos têm acontecido no Caribe, perto de Porto Rico e nas ilhas Virgens e Hispaniola nos últimos 500 anos.

O último tremor ocorrido perto de Hispaniola aconteceu em 1946. O terremoto causou uma tsunami e deixou, na ocasião, cerca de 20.000 pessoas desabrigadas. O maior tremor já registrado em Porto Príncipe ocorreu em 1770.

Outros desastres naturais

A ação avassaladora da natureza chocou o mundo em 26 de dezembro de 2004, quando uma onda gigante (tsumani) provocada por um maremoto de 9,1 graus na escala Richter atingiu as costas de 13 países banhados pelo Oceano Índico, matando de uma só vez cerca de 280 mil pessoas.

Em outubro do ano passado, mais 200 pessoas morreram após forte tremor no mar, que atingiu a ilha de Sumatra, na Indonésia. Padang, a capital da província de Sumatra, está localizada em uma região de grande atividade sísmica chamada “Anel de Fogo”, onde a placa Indo-Austrália encontra a placa Eurasia, provocando tremores regularmente e, às vezes, terremotos.

No Brasil, o mito de que somos imunes a desastres naturais caiu por terra. Chuvas recentes mataram 138 pessoas desde dezembro. Desastres como os de Angra dos Reis e Ilha Grande (RJ), Cunha e São Luiz do Paraitinga (SP) e tantos outros ocorridos há mais tempo, como o Vale do Itajaí (SC), mostram como as mudanças climáticas estão mexendo com o mundo todo.

Os 74 mortos de Angra são a prova de que não dá para ocupar o solo desordenadamente e desafiar a natureza. As chuvas vêm em quantidade cada vez maior, incomparável com médias históricas.

Sofrimento e religião

Com o terremoto, o Haiti virou um dos mais graves casos de emergência humanitária da história. Chocadas com a situação, muitas pessoas passaram a opinar sobre o motivo da tragédia. Dados científicos à parte, uns buscaram a origem na cultura do povo haitiano.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Antoine, disse, sem perceber que estava sendo gravado em uma entrevista, que “aquele povo africano, de tanto mexer com ‘macumba’, tem uma maldição”.

O evangélico americano Pat Robertson, que anima um conhecido programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um “pacto com o diabo”, selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses.

As afirmações podem ser reforçadas quando se faz uma análise das raízes religiosas do Haiti. Apesar de o catolicismo ser a religião do Estado, 75% da população do país é adepta do vodu – e isso atinge todas as classes da sociedade.

A Federação de Praticantes do Vudú de Cité Soleil (FEVOCS) cuida de manter as tradições, sendo uma referência no país. A palavra ‘vodun’, do idioma local denominado fon-ewe, significa “espírito”. A prática religiosa é um culto aos ancestrais.

A fé dos haitianos mobiliza tanto o país que tem causado conflitos quanto ao enterro das vítimas do terremoto. Pela tradição vodu, os rituais fúnebres são longos e pessoas que não são da família não podem carregar o corpo. Eles não aceitam o enterro imediato promovido pelas autoridades que ocupam o país.

Permissão de Deus

Uma das coisas mais difíceis para os cristãos evangélicos é conciliar tragédia com graça e providência de Deus. Certamente, quando questionam por que Deus permite tal sofrimento aos seres humanos, as convicções bíblicas são abaladas.

Nessas horas, os ateístas estão prontos para reafirmar seus dogmas. Os cristãos se calam, pois não sabem o que fazer com o “nó” que dá na cabeça. Deus é mal? Deus é indiferente ao sofrimento humano?

Muitas tragédias que a sociedade vivencia são consequências das suas próprias ações e interferências na natureza. Deus presenteou o homem com o planeta Terra, mas por causa do pecado, eles têm administrado mal aquilo que receberam do Senhor.

O terremoto no Haiti pode não ser provocado por uma ação direta do homem na natureza, mas pode ser consequência de uma ação espiritual, sim, afirmam alguns pastores. “O Haiti é o principal centro vodu do mundo. O envolvimento da população com o ocultismo e a feitiçaria é algo alarmante. A Bíblia nos mostra que muitos povos da Antiguidade sofreram consequências terríveis por causa do seu envolvimento com idolatria e feitiçaria”, falou o pastor Cândido Ferreira de Souza Junior, da Igreja Missionária Manancial, em Vila Velha.

O pastor ainda completa: “Se a tragédia é provocada pelo pecado de um povo, então só há uma forma de haver livramento – através da confissão e arrependimento dos pecados. A cidade de Nínive é um exemplo. Por causa do pecado do povo, havia um decreto de destruição sobre a cidade.
No entanto, Deus enviou o profeta Jonas (3) para pregar o arrependimento. Ao ouvir a pregação, o povo se arrependeu e Deus removeu o decreto de destruição e poupou a cidade. Em Isaías 24:5-6,
lemos: (…) ‘a terra está contaminada por causa dos seus moradores (…) quebram a aliança eterna (…) a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados'”.

Ao ler Jó, vê-se que é o livro que mais apresenta perguntas na Bíblia. Em seus 42 capítulos, é possível encontrar cerca de 360 perguntas. Embora Jesus também tenha feito muitas, o livro de Mateus tem apenas 180 perguntas e os Salmos, 150.

“Por que essa diferença? Porque Jó lida com tragédia”, afirma o Pr. Erasmo Vieira. “Diante da tragédia, a primeira coisa que fazemos é a lamentação. A segunda é a busca de uma explicação. É aí que perdemos o entendimento sobre as tragédias que acontecem”.

Em Provérbios 3.11-14 lê-se que Deus corrige a quem ama. A palavra “castigo” é na verdade disciplina. Se Deus é amor, Ele não deseja o mal para ninguém. “A tragédia não faz parte dos planos nem da vontade de Deus. Mas, por razões de sua soberania, Ele as permite. Nossa visão sem sabedoria foca o acontecimento em si. Deus foca a história completa. É daí que Paulo ensina aos Tessalonicenses a darem graças por tudo”, explicou Erasmo Vieira, pastor da Igreja Batista Morada de Camburi, Vitória.

O pastor Junior Santos, membro da Igreja Evangélica Batista de Vitória, afirma que o povo haitiano virou as costas para Deus. “O Haiti é um país que institucionalizou o pecado. O acontecimento é um sinal da volta de Cristo. Quando se institucionaliza o pecado, a feitiçaria, a maldição se instala e as consequências vêm”.

Da mesma opinião compartilha o Pr. Alcemir Pantaleão, da Igreja Evangélica Peniel, em Vila Velha. “A Bíblia relata em Dt 28 que ou eu recebo a bênção ou a maldição. A Bíblia diz que aquilo que o homem semeia, ele colhe. Creio que a população do Haiti, em sua maioria, tem efetivamente vivido uma vida distante dos princípios divinos e, por conta disso, de tudo aquilo que eles têm plantado, a colheita é o juízo divino”.

O líder da Convenção Batista Capixaba e pastor da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa, Vila Velha, Evaldo Carlos dos Santos, fala que Deus não deu o livramento ao povo do Haiti porque a Bíblia é clara quanto à questão dos acontecimentos que antecederiam o fim.

“Há citações claras no Novo Testamento sobre os terremotos. Não há livramento sobre estes episódios porque eles fazem parte do plano de Deus. Os haitianos são tão pecadores quanto todos os povos do mundo. Justificar uma tragédia como juízo de Deus é minimizar a situação. Como ficam aqueles que buscam a Deus naquele país? Aquela tragédia nos ensina que todos nós somos suscetíveis a aflições, ninguém está imune a calamidades”.

Joarês Mendes, pastor batista em Camburi, Vitória, pondera que Deus e a Bíblia asseguram que a responsabilidade que temos diante do Senhor é individual (Ez 18; Jo 9). “A tese da maldição sobre a nação evidentemente é uma ‘boa’ explicação que muitos vão utilizar, mas creio que ela é simplista e, por isso, muito perigosa”.

Ele destaca que tragédias como a do Haiti, do vôo da Air France, de Angra dos Reis, trazem lições: “A vida terrena é um risco permanente, porque esse não é o nosso lar definitivo. Nós não temos o controle. Embora devamos viver de modo responsável e fazer a nossa parte para que o mundo seja menos pior, lidamos com situações em que somos confrontados com nossa fragilidade. A solidariedade humana, que falta no dia-a-dia, é potencializada de modo extraordinário nessas horas, mas ela deveria ser permanente. No meio da dor e do sofrimento é possível experimentar o cuidado de Deus de modo singular”.

De fato, na vida existem mistérios maiores do que o ser humano pode pensar, mas esses mistérios são mistérios na perspectiva humana limitada, não para Deus. Ele nunca será pego de surpresa, pois é Senhor da luz e das trevas. Para Ele, tudo está claro, e seus planos estão coordenados e soberanamente definidos.

“Deus assume o ônus de ser quem ele é: ‘Eu sou o que Sou’ (Ex 3). Nosso Deus basta a si mesmo, é senhor dos seus atos soberanos, não deve explicação e nem precisa de defesa, seus motivos estão fundados nEle mesmo e suas ações estão acima de todo controle e crítica. Somos criaturas, Ele é criador, somos barro, Ele é o oleiro. Dentro de um olhar da criatura para o Criador em seus atos soberanos, assim é que é (Is 64.8; Rm 9.20)”, descreve o pastor Ednilson Correia de Abreu, da Primeira Igreja Batista em Ecoporanga.

É preciso que reconhecer a responsabilidade individual e coletiva em todas as coisas. Os mistérios de Deus somente a Ele pertencem até que Ele os revele, quando assim o quiser, se assim o quiser. Enquanto isso, cabe ao crente viver em completa dependência do Senhor e firmado em sua Palavra: consolar os sofredores, trabalhar pela justiça, amar o próximo, ser voz dos mais fracos, proclamar a salvação em Cristo pela fé somente, viver uma vida que honre a Deus e silenciar em temor e tremor diante de um Deus santo, justo e soberano em todas as suas obras.

- Continua após a publicidade -

Revista Digital

- Continua após a publicidade -

Fique Por Dentro

26 de março: live – Como inovar na igreja em tempos de disruptura

Nesta quinta (26), as 19h, vai acontecer a primeira live da série "O efeito da liderança na crise” com Josué Campanhã, diretor da Envisionar e Thiago Faria

Novo Som faz show online

Devido a quarentena por causa do coronavírus, a banda vai estar ao vivo no sábado (28) a partir das 20h. Será transmitido pelo Instagram e Facebook

Coronavírus: Os eventos evangélicos que já foram cancelados

Devido a pandemia que se instalou no país por conta da Covid-19, muitos eventos evangélicos foram cancelados, suspensos ou adiados. Confira!

Oficina sobre comicidade no ambiente hospitalar

O Lacarta Circo Teatro abre inscrição para palhaço hospitalar. A oficina acontecerá dia 14 e 15 de março das 09h às 16h, na sede...

Receber notícias

Gostaria de receber notícias em primeira mão? Assine gratuitamente agora:

Plugue-se

Programas on-line para mentoreamento de homens e mulheres

Ministérios vão transmitir série de lives com objetivo de fortalecer as famílias e oferecer aos pastores, líderes e cônjuges ferramentas para o cuidado intencional, discipulado e mentoreamento

Vem aí o Festival de Cinema Cristão 2020

Entre as novidades do Festival desse ano estão a abertura para a categoria de filmes para surdos e mudos. Inscrições começam dia 1º de abril e vão até 30 de junho

Um encontro diário com a Palavra de Deus

A SBB mobiliza-se para levar esperança à população brasileira, disseminando, pelos meios digitais, a mensagem da Bíblia Sagrada. Entre as ações estão a campanha #PalavradeEsperança e o podcast Um minuto com a Bíblia

Como a pandemia deve ser encarada pelos cristãos?

“Creia no sobrenatural de Deus”, diz médica cristã, ao falar sobre o medo do coronavírus e como os cristãos devem encarar a pandemia