O país ocupa a 30ª colocação na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2024 elaborada pela Missão Portas Abertas
Por Patricia Scott
Um missionário norte-americano que está sendo procurado pelo regime governamental da Nicarágua denunciou que “neste momento, há cem pastores presos” no país. O ex-preso político e exilado Juan Sebastián Chamorro, que é diretor do ministério Mountain Gateway, advertiu que “a ditadura [nicaraguense] dirige a perseguição religiosa contra os evangélicos. Dias difíceis estão chegando para pastores e missionários evangélicos”.
Segundo ele, “a perseguição religiosa [na Nicarágua] centrou-se na Igreja Católica, mas é verdade que os nossos irmãos e irmãs evangélicos sofrem assédio e perseguição religiosa, como estamos vendo”.
Em 2023, o país ocupou a 50ª posição na Lista Mundial da Perseguição (LMP) elaborada pela Missão Portas Abertas. O documento elenca as 50 principais nações onde é mais perigoso para os cristãos viverem. Em 2024, a Nicarágua atingiu o 30º lugar, justamente pela postura do governo ditatorial.
A agência missionária destacou que “a hostilidade para com os cristãos na Nicarágua continua a se intensificar. Aqueles que se manifestam contra o presidente Daniel Ortega e o governo são encarados como agentes desestabilizadores”.
De acordo com a Missão Portas Abertas, “a situação se deteriorou significativamente desde 2018, quando eclodiram protestos generalizados contra o regime ditatorial do país. Os cristãos têm estado entre aqueles que levantam a voz, mas isso tem um custo alarmante”.
Governo Daniel Ortega
Nos últimos anos, a Nicarágua tem ganhado constantes espaços na mídia devido ao governo opressor de Daniel Ortega. O país enfrenta uma relevante crise nas esferas política, social e de liberdades, desde 2018.
A situação, no entanto, ficou mais agravada a partir da reeleição de Ortega, em 2021, para o quinto mandato. Ao longo dos últimos anos, além de entrar em conflito com a Igreja Católica, o governo fechou inúmeras entidades, apropriando-se de seus bens.
Em 26 de fevereiro, o regime nicaraguense tomou medidas drásticas ao fechar a Unacad, uma instituição de ensino superior, além de desmantelar 13 associações. Muitas de cunho evangélico.
Com os fechamentos, o número de organizações dissolvidas desde o início dos protestos populares, em abril de 2018, ultrapassou 3.550. Várias pertenciam ao segmento evangélico.
Ministério Mountain Gateway
O ministério Mountain Gateway é acusado pelo regime de Daniel Ortega de suposta lavagem de dinheiro. Essa acusação é vista por adversários políticos como uma mera perseguição religiosa.
A advogada Martha Patricia Molina, que também é investigadora, chegou questionar a validade da alegação de lavagem de dinheiro. Ela observou que a igreja em questão opera na Nicarágua desde 2013. E, por isso, indagou: “Por que esperar 10 anos para iniciar uma investigação sobre lavagem de dinheiro?”
O regime não exerceu controle sobre os eventos e concertos organizados pelo ministério Mountain Gateway, ao longo de vários anos, inclusive a mídia favorável ao governo deu grande destaque às atividades do ministério ao divulgar várias campanhas evangelísticas intituladas “Boas-Novas”. No entanto, as autoridades mudaram a postura quando, nos dias 10 e 11 de novembro, aconteceu a Campanha Evangelística Grandes Boas-Novas Nicarágua 2023.
Foi uma noite de avivamento, adoração e evangelismo. Cerca de 1.300 igrejas de quase todas as denominações evangélicas apoiaram a iniciativa. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas tenham participado do evento.
A preocupação do governo poderia estar ocorrendo também pelo fato de o ministério Mountain Gateway estar levando a mensagem do Evangelho e prestando ajuda social às comunidades rurais. Desse modo, ganha influência nas congregações religiosas em diferentes municípios.
Em 2013, o Mountain Gateway chegou à Nicarágua. No dia 20 de dezembro de 2019, a liderança do ministério visitou a sede da polícia, onde ofereceu orações pelos policiais.
Após uma década, as autoridades deram início à investigação sobre um suposto crime de lavagem de dinheiro. O caso envolve 12 nicaraguenses e três missionários norte-americanos, incluindo John Britton Hancock.
A Mountain Gateway opera devido às doações de Bruce Wagner, proprietário de uma empresa de aviação e do ministério evangelístico “Shake the Nations”, nos EUA. Esses financiamentos são realizados de maneira completamente legal. Com informações Evangelico Digital


