Gab Rocha: Superação e um novo começo

Foto: Kevin Rodrigues

Cantor capixaba lançou neste sábado (1º), seu primeiro single do novo EP “Confia e Espera”, que marca o início de uma nova fase na música após um período doloroso nas drogas. Gab Rocha também lança um livro contando sua história de superação e transformação. Confira!

Gab Rocha … Aos 35 anos, 20 deles como músico, 8 de carreira e 13 de dependência química até chegar no fundo do poço. Essa é a história do cantor e compositor capixaba, Gabriel Rocha, que conta a trajetória de superação em um novo EP, lançado neste sábado (1º), em todas as plataformas digitais.

Em entrevista exclusiva à Comunhão, Gab Rocha (como é conhecido no cenário musical) contou como foi passar pelo período turbulento na vida em que abandonou a família, a igreja e os sonhos, ao mergulhar nas drogas até a recuperação. “Isso só foi possível a partir da rendição a Deus, através do qual tive minha vida radicalmente transformada”, declara o músico, que tem levado a mensagem de esperança para muitos que sofrem com o vício das drogas.

O EP “Confia e Espera” marca o início de uma nova fase do cantor, após o período doloroso que viveu. Ao todo são cinco canções, que tratam de sua história de vida e transformação. A primeira delas, lançada agora leva o nome do EP. “A gente aprende a cantar uma canção, quando aprende a viver essa canção”, afirmou.

Além do projeto musical, Gabriel Rocha também lança livro “Vamos Em Frente”, onde abre o jogo de toda a vivência com a dependência química e como superou os 13 anos de vício. Casado, pai de dois filhos, ele fala desses novos projetos, da clínica de recuperação que fundou para ajudar pessoas a se livrarem do vício e tudo o que viveu. Confira o que nos contou!

Gab Rocha por ele mesmo 
Comunhão – Como surgiu seu interesse pela música?

Gab Rocha –  Na verdade, quando olho para minha vida não vejo ela sem a música. Desde criança ela já estava lá. Meu pai teve uma banda chamada Shekinah e os ensaios eram na minha casa, então a bateria talvez foi como um brinquedo para mim e quando vi, lá estava eu tocando na igreja! Meu convívio com a música foi desde bem novo. Boa parte da minha vida com a música foi na igreja. A música foi algo bem natural na minha vida.

Você passou por um período conturbado na vida, na qual ainda tão jovem mergulhou nas drogas. Como foi essa fase dolorosa de sua vida?

No início não foi nada doloroso, na fase da novidade, do prazer, das festas etc. Mas a minha compulsão pelas drogas só aumentava, até que isso se tornou uma dependência que durou cerca 13 anos. A começar pela cerveja, depois maconha, cocaína e por último uma droga que nunca pensei que poderia me viciar, o crack. Perdi minha alegria, vontade de viver, perdi também minhas esperanças de ser alguém.

De família evangélica, criado nos princípios cristãos. O que levou a se afastar do Reino e deixar os valores do mundo predominarem na sua vida?
Kevin Rodrigues. Foto: Divulgação

Eu era muito novo e queria conhecer o mundo. Tomar uma cerveja, fumar um baseado sem fazer mal a ninguém. Curti meu rock e minha vida. E com isso, fui cada vez mais perdendo meu relacionamento com Deus.

Mas descobri que havia em mim uma coisa diferente no qual eu não consegui mais fazer parte desse mundo. Isso me levava a fugir cada vez mais da minha realidade, aumentando a obsessão pelas drogas e potencializando o que já havia dentro de mim. Eu sentia remorso, mas não queria uma transformação de vida. Queria apenas parar de sofrer. Talvez se não tivesse sofrido tanto, estaria no mesmo lugar até hoje, talvez…

Você chegou ao fundo do poço, chegou a desistir da música e até tentou o suicídio. Em que momento foi a reviravolta?

Sim, o fundo do poço é um lugar terrível, sem vida, sem saída, não havia mais recurso humano em mim, não havia mais forças. Não queria morrer, mas não sabia como viver. Não aguentava mais ser um peso para minha família. Aos 27 anos eu me afundei de vez no crack, cheguei a beira da morte, tive acidente de carro e tentei o suicídio. Tive uma completa interrupção com a vida e com a música. De fato eu perdi. Pensava que era um caso perdido. Até que meus pais e minha esposa me conduziram a uma clínica de reabilitação e fui internado.

E a reviravolta foi quando aceitei isso. Foi quando parei de tentar, quando desisti de vez de querer dar um jeito em minha vida e passei a sentir a dor e o vazio. Foi quando deixei de acreditar em mim mesmo e passei a acreditar que somente Jesus poderia me tirar daquela situação. Esse processo foi acontecendo e a cada dia fui vendo o sol brilhar novamente. Me rendendo e me entregando. O apoio da minha família, da minha esposa e do meu filho João Gabriel foi uma força poderosa na minha vida. Quem confia e espera em Deus, acredita que Ele pode fazer todas as coisas, não perde a esperança. Graças a Deus, um dia de cada vez e me rendendo ao Senhor, fui melhorando e me recuperando aos poucos. Saí da clínica e então decidi montar um projeto para ajudar e recuperar outras pessoas.

E qual foi o peso de Deus na sua vida?

Pesado era o mundo de pecado que eu queria carregar nas costas, de culpa, de ressentimento, de raiva, de aflições. Quando Jesus entrou, Ele tomou tudo isso de mim. Não foi da noite pro dia, mas através de processos. Fui liberto das drogas, mas precisava ser liberto de mim também. Mas tudo isso é graça, não há mérito meu, apenas deixei Deus agir na minha vida. Toda força que tive é Dele, toda transformação é Nele. O peso agora é de glória e a glória é Dele.

E sua família, foi fundamental para o seu processo de recuperação? O relacionamento com eles mudou? 
Foto: Kevin Rodrigues

Com certeza foi e é. Meus pais não desistiram de mim. Na época Lucimara ainda não era minha esposa, mesmo assim permaneceu do meu lado. Todos entraram em um processo de superação, todos foram tratados por Deus.

Alguns podem dizer: Mas o doente não era você? Dependendo da situação, o problema está em toda família, onde se todos aceitarem o processo, admitindo também os seus erros, o resultado no final é surpreendente.

Quando todos assumem suas responsabilidades, sem ter tempo para justificativas ou julgamentos, coisas extraordinárias acontecem. Hoje eu sei que ‘juntos somos mais fortes’. Graças a Deus, o plano Dele foi perfeito, porque hoje somos uma família abençoada e feliz.

A Bíblia diz que “Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”. O que aprendeu com a sua situação?

Tirei muitas lições e desenvolvi a capacidade de aprender em qualquer situação. Meu passado não me condena, sou livre graças a Deus. Aprendi a ressignificar a vida e ver o lado bom da derrota e do fracasso, pois foi lá onde tive o encontro mais importante da minha vida. Foi lá que Jesus me resgatou, e se tornou o meu Salvador.

Você fundou um Centro Terapêutico para reabilitação de dependentes químicos. A clínica foi um desejo do seu coração?

A ideia da clínica surgiu quando ainda estava na internação. Sempre gostei de ajudar as pessoas e lá não foi diferente. Passei a colocar em prática tudo que tinha aprendido com minha família. A clínica é um lugar de dor para muitas pessoas, então passei a aconselhar, cantar louvores, fazer grupos de oração e ajudar no que fosse preciso. Isso despertou em mim um amor pela causa. Meu interesse agora não era apenas mudar a minha vida, mas também ajudar outras pessoas. Então, em 2011 fundamos a Lighthouse, em Setiba, Guarapari (ES). Junto com minha esposa e família, ajudamos mais de 2 mil famílias no período de 7 anos de casa. Foi tempo que nunca irei esquecer. De muitas lágrimas e vitórias. Hoje quero continuar abordando sobre a dependência química, pois essa é uma causa pessoal de vida. Há muito a ser feito na área da prevenção. A sociedade precisa falar sobre esse assunto sem preconceito. E eu estou aqui pra levantar essa bandeira.

Você acabou de lançar a canção “Confia e Espera”, de sua autoria. Como foi a história de composição dessa canção?

Acredito que Deus me inspirou a escrever essa canção, mas antes de mostrá-la, Ele também quis me ensinar a viver a mensagem. Faz 3 anos que tenho essa letra, mas precisei confiar e esperar. Aprendemos a cantar quando aprendemos a viver o que cantamos. Gravei meu primeiro disco em 2014, realizei outros projetos, mas aquele ainda não era o tempo. Descobri que aprendo a cantar quando aprendo a viver a canção. Eu espero que essa música seja uma mensagem de vida para aqueles que precisam aprender a esperar e confiar no Senhor. Durante 7 anos da minha vida, ajudei pessoas e famílias que buscavam ajuda para se recuperar do vício das drogas. Agora quero contar minha história através da música, que é o que eu mais sei fazer.

Qual a sua expectativa agora para o recomeço na música?

Mesmo tendo gravado meu primeiro disco em 2014 e até feito outros projetos, aquele ainda não era o tempo certo para entrar de vez na música, devido ao trabalho na clínica. Estou há 8 anos e meio sem drogas, em um processo contínuo de transformação que entendo que só termina no céu. Quero apenas viver o plano de Deus para a minha vida. Não tem a ver apenas com a carreira musical, mas com a vontade de Deus. Quero levar uma boa mensagem através da música e daquilo que Deus depositou em mim. Na verdade estou a disposição do Reino. Oro para que se cumpra a vontade Dele em mim.

Você também vai lançar um livro contando sobre a história de sua vida. Fale um pouco mais sobre essa obra e o que pretende com isso?

O livro se chama “Vamos em frente”. A ideia é encorajar pessoas a não parar na vida, continuar avançando e também enfrentar as situações difíceis. Nesse livro, conto toda minha história de vida, mas não somente sobre mim, também da minha família, das experiências que tive no tratamento com adictos (viciados em drogas) e claro, do poder de Deus. Não sou escritor, sou um músico, mas queria contar de uma forma diferente o que Deus fez na minha vida. Na obra, consigo explicar com mais detalhes como tudo aconteceu, e falar sobre as lições que tive em cada etapa.

Você ainda é bem jovem e tem muito a conquistar, quais seus planos/projetos daqui para frente a carreia?

Quero explorar ao máximo tudo que Deus me deu, aproveitar cada oportunidade de levar a mensagem de vida que é Jesus. Quero estar com minha família, ver meus filhos crescerem, viajar com minha esposa, gravar mais músicas e nunca sair da presença de Deus.

Que conselho deixaria aos jovens que estão longe dos caminhos de Deus?

Deus não está longe deles e vida é muita curta pra viver de ilusão.

Qual seu maior sonho?

Poder viver do meu sonho que é tocar em todo Brasil e no mundo e realizar os sonhos da minha família.

Discografia:

2014 – Álbum SejaA
2016 – EP Ser Cheio
2017 – EP do Ministério Cartas
2019 – EP Confia e Espera

Conheça a canção “Confia e Espera”


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