Em uma clara tentativa de fortalecer sua conexão com o eleitorado evangélico, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quinta-feira (23) um vídeo de pré-campanha em que enfatiza sua trajetória pessoal, sua identidade cristã e o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citar o nome do pai na abertura da gravação.
A publicação acontece em um momento delicado para a pré-campanha do senador. Levantamentos divulgados nas últimas semanas indicam que Flávio tem registrado queda justamente entre os evangélicos, grupo que historicamente foi uma das principais bases de apoio do bolsonarismo.
No vídeo, Flávio se apresenta como “advogado, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo, casado e pai de duas filhas”. Logo depois, faz uma referência indireta ao ex-presidente: “Eu nem preciso dizer de quem eu sou filho. Está na cara.”
Em seguida, afirma que aprendeu com o pai valores como honestidade, patriotismo e compromisso com o Brasil. Ao longo da gravação, também direciona sua mensagem ao público cristão, defendendo princípios frequentemente associados ao discurso conservador, como a proteção da família, a liberdade religiosa, a defesa da vida desde a concepção e a liberdade de expressão. O vídeo termina com um chamado à união dos brasileiros e com a defesa de uma mudança de rumo para o país.
Movimento para recuperar apoio
A divulgação da peça de comunicação é interpretada como parte da estratégia do PL para conter o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado evangélico. Embora continue sendo um dos segmentos mais receptivos ao campo conservador, pesquisas recentes mostram uma redução da vantagem do senador entre esses eleitores.
Um levantamento da Genial/Quaest, divulgado em julho, mostrou que Flávio permanece à frente entre os evangélicos, mas sua vantagem diminuiu em relação às medições anteriores. Já a pesquisa PoderData, também divulgada neste mês, apontou retração das intenções de voto no segmento, indicando uma disputa mais equilibrada do que a observada no início da pré-campanha.
Analistas atribuem essa perda de fôlego a diferentes fatores, entre eles o desgaste natural após anos de forte polarização política, a entrada de novos nomes na disputa e a tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar o diálogo com lideranças evangélicas por meio de encontros, eventos e aproximação institucional.
O peso do voto evangélico
Segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, o equivalente a cerca de 47,4 milhões de pessoas, tornando-se um dos grupos mais estratégicos para qualquer disputa presidencial.
Desde 2018, Jair Bolsonaro consolidou uma forte identificação com esse segmento ao defender pautas conservadoras e estreitar relações com pastores e igrejas. Ao evocar o legado do pai e reforçar temas como fé, família e liberdade religiosa, Flávio busca preservar esse capital político e impedir que sua candidatura continue perdendo espaço entre um eleitorado considerado decisivo para 2026.


