Físico brasileiro vence o Prêmio Templeton 2019

Cientista é o primeiro da América do Sul a receber a honraria. “Você pode não acreditar em Deus, mas afirmar sua inexistência com certeza não é cientificamente consistente”, diz Marcelo

O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser ganhou o Prêmio Templeton 2019, o “Nobel da Espiritualidade”. O anúncio foi feito pela John Templeton Foundation, com sede nos EUA, responsável pela premiação nesta terça-feira (19).

Marcelo foi o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, criado em 1972, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. A cerimônia de premiação será em 29 de maio, em Nova York.

“Ele é um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido”, diz Heather Templeton Dill, presidente da fundação John Templeton.

O físico teórico e cosmólogo brasileiro, Marcelo Gleiser, conhecido no Brasil especialmente pelas suas aparições na TV e livros publicados, agora se junta a outros 48 recebedores da honraria, como como Madre Teresa (1973), Dalai Lama (2012) e o Arcebispo Desmond Tutu (2013).

“Você pode não acreditar em Deus, mas afirmar sua inexistência com certeza não é cientificamente consistente”, diz Marcelo.

Repercussão

O coordenador da série Ciência e Fé Cristã, da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2), Guilherme de Carvalho deu entrevista para a revista norte-americana Christianity Today.

“Gleiser não compartilha quaisquer crenças religiosas específicas que possam formar um terreno comum com a fé cristã. Ele é confessadamente agnóstico. Sua visão de que ciência e religião podem ser complementares, que a ciência não cobre todo o conhecimento válido e que a ciência teria até raízes espirituais é algo incomum entre os cientistas influentes no Brasil e o fato de ser franco sobre eles o torna singular”, declarou.

Nas palavras do próprio Marcelo Gleiser: “Você pode não acreditar em Deus, mas afirmar sua inexistência com certeza não é cientificamente consistente”, disse em entrevista à Scientific American, em fevereiro de 2018.

O presidente da ABC2 e também físico, Roberto Covolan, celebrou o Prêmio. “É uma fonte de alegria que importantes cientistas como Marcelo Gleiser, através de seus trabalhos e iniciativas, estejam reconhecendo a existência de aspectos do universo, revelados pela ciência, cuja compreensão desafia ou até ultrapassa o alcance da própria ciência”, disse à Christianity Today.

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