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quinta-feira, 4 DE dezembro DE 2025

Filme polêmico especula juventude de Jesus. Historiador cristão rebate

Sombras do Deserto narra a vida de Cristo durante sua juventude, descobrindo seus poderes e usando-os em benefício próprio. Foto: Reprodução

Nova produção de Hollywood é duramente criticada por trazer um jovem Jesus que usava seus poderes em benefício próprio. Bíblia desmascara teoria

Por Cristiano Stefenoni

Hollywood não se aguenta. Volta e meia surge uma produção polêmica envolvendo assuntos bíblicos. A bola da vez agora é o filme “Sombras no Deserto”, que estreou nos cinemas esta semana e traz o astro Nicolas Cage, no papel de José, pai de Jesus. Classificado como um “thriller sobrenatural”, a história narra a vida de Cristo durante sua juventude, descobrindo seus poderes e usando-os em benefício próprio, sob a vigilância constante de satanás em forma de adolescente.

Como era de se esperar, o longa recebeu uma enxurrada de críticas por parte dos cristãos que consideraram o roteiro, que é baseado no livro apócrifo “Evangelho da Infância de Tomé”, uma blasfêmia, principalmente por trazer um jovem Jesus cheio de medos e incertezas, capaz de matar uma criança, ressuscitar insetos e admirar uma mulher nua. Polêmicas à parte, uma pergunta surge na narrativa dos evangelhos: Por que nada é citado sobre Cristo durante sua vida entre os 12 e os 30 anos de idade?

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O historiador e teólogo, pastor Wagner Augusto Vieira Aragão, explica que os evangelhos foram escritos com um propósito claro: apresentar quem Jesus é e o que fez para a salvação, não produzir uma biografia completa. “João afirma abertamente que ‘há muitas outras coisas que Jesus fez’ (João 21:25), mas apenas o essencial para a fé foi registrado. A ausência de detalhes não indica mistério ou espaço para especulações, mas reflete que Deus revelou o suficiente para nossa convicção”, afirma.

Aragão faz questão de enfatizar que, mesmo sem relatos extensos, há duas garantias bíblicas e teológicas de que Jesus permaneceu santo durante toda a vida: Sua natureza e o seu caráter comprovado ao longo da vida, de modo que o sacrifício do Messias na cruz só foi aceito por Deus exatamente pelo fato de Cristo ter tido uma vida íntegra, desde o seu nascimento.

“Ele nasceu ‘santo’ (Lucas 1:35), não herdou predisposição para o pecado. Ele ‘nunca pecou’ (1 Pedro 2:22). ‘Em tudo foi tentado, mas sem pecado’ (Hebreus 4:15). O breve relato de Lucas (12 anos) o mostra obediente, sábio e comprometido com o Pai (Lucas 2:49-52). A Bíblia não descreve toda a infância de Jesus porque não há lacunas morais ou espirituais a serem preenchidas. Ele foi santo ontem, hoje e sempre (Hebreus 13:8)”, explica o pastor.

Poderes tinham um propósito

Segundo o Aragão, não há nenhuma base bíblica para afirmar que Jesus usou poderes sobrenaturais na infância. “O registro dos evangelhos mostra que: Seus sinais começam após o batismo, quando o Espírito Santo O unge para a missão (Lucas 3:21-23; Mateus 3:16; João 2:11). Antes disso, Ele vive como qualquer criança e adolescente piedoso, ‘crescendo em sabedoria, estatura e graça’ (Lucas 2:52)”, justifica o pastor que completa:

“Nas Escrituras, o uso de Seu poder sempre está ligado a: propósito redentivo, revelação do Reino e confirmação messiânica. Jamais a caprichos, impulsos ou demonstrações arbitrárias de força. A ideia de um ‘Jesus adolescente descontrolado’, capaz de matar pessoas ou agir de forma erotizada, é teologicamente impossível e contrária à revelação bíblica”, alerta o pastor.

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Mas e quanto aos livros apócrifos? Não seriam confiáveis? O pastor explica que os apócrifos do Novo Testamento, como o “Evangelho da Infância de Tomé”, surgiram entre o século II e IV – muito depois dos relatos apostólicos – e apresentam características comuns como: contradições doutrinárias com os evangelhos inspirados; elementos fantasiosos, quase míticos; autoria duvidosa ou anônima; intenções teológicas distorcidas (gnósticas, esotéricas, místicas).

“O risco não está em ‘ler’ [os apócrifos], mas em tomar como verdade o que nunca foi reconhecido pela comunidade cristã primitiva, nem pelos apóstolos, nem pela tradição histórica da fé. Por isso a Igreja sempre distinguiu escrituras inspiradas, normativas para a fé, textos apócrifos, úteis apenas como curiosidade histórica, mas não como revelação”, ressalta.

Cristão precisa ter senso crítico

Sobre o fato do cristão poder ou não assistir a filmes como “Sombras no Deserto”, o pastor lembra que a Bíblia não proíbe assistir filmes, mas alerta sobre a atitude do cristão em relação a qualquer situação em seu dia a dia que é: Agir com discernimento (1 Tessalonicenses 5:21); ter cuidado com o que molda o coração (Provérbios 4:23) e evitar aquilo que distorce a verdade espiritual (Colossenses 2:8).

“O cristão pode ver a obra com senso crítico, desde que saiba que não se trata de retrato histórico, entenda que é ficção especulativa, identifique o que contradiz a Bíblia e não permita que isso abale sua fé. Para quem é mais sensível ou impressionável, é melhor não consumir. Para quem trabalha com cultura, cinema, teologia ou jornalismo, pode até ser necessário, desde que com preparo e filtro bíblico”, orienta Aragão.

O pastor também alerta sobre as reais intenções da Hollywood ao produzir filmes assim. “Há um interesse comercial. Jesus, mesmo quando distorcido, atrai atenção mundial. Polêmica gera audiência, que gera lucro. Narrativas ‘alternativas’ vendem, ou seja, a cultura atual adora versões que contradizem a tradição. É a velha sede por ‘mistérios nunca revelados’. E ainda tem a agenda de tensionar símbolos cristãos, não necessariamente um ataque direto, mas uma inclinação para transformar fé em entretenimento, mesmo às custas de distorções”, enfatiza.

Para o teólogo, a melhor forma de lidar esse tipo de produção é se municiar com o estudo das Escrituras. “Quem entende a Bíblia não se abala com versões distorcidas. Sabe discernir o propósito de cada obra. Nem tudo que é sobre Jesus honra Jesus. Muitos filmes usam o nome, mas não a verdade. Então, nunca confunda entretenimento com teologia, por mais que tente parecer ‘histórica’. Jesus foi e é santo, imaculado, amoroso, coerente e perfeito”, finaliza.

 

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