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sexta-feira, 30 outubro 2020

Festa junina e o cristão

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Tudo que você queria saber sobre Festa Junina e não tinha a quem perguntar!

As festas juninas brasileiras têm sua origem em Portugal, onde são chamadas de festas dos santos populares. Ocorrem no verão e as ruas são enfeitadas com flores e bandeirinhas coloridas e barraquinhas com sardinha grelhada, pão com chouriço (linguiça), bifanas (sanduíche com carne de porco) e caldo-verde. Cheiros e cores embalados com marchinhas populares e desfiles das escolas primárias. Nos dias dos santos há missas e celebrações especiais nas igrejas, mas nos arraiais não se vê referências aos santos. As festas têm seu lado sagrado nas igrejas e profano nas ruas.

Na colonização do Brasil, as festas se desenvolveram mais na área rural, longe da presença oficial da Igreja. Assim, além de se adaptarem a nossa alimentação, também se adaptaram à sociedade caipira, com seus vestidos de chita e camisas quadriculadas. Como aqui é inverno, a fogueira foi muito bem-vinda ainda mais para preparar delícias como mandioca, batata doce e pinhão assados.

Surgiram quitutes tupiniquins como bolo de fubá, canjica, pé de moleque, quindim, curau, pamonha…. Dá agua na boca, não? E ainda mais ao som de uma boa moda de viola de raiz! Aos poucos chegaram as cidades grandes e entraram na programação anual das escolas. As festas juninas se tornaram festas caipiras, parte do folclore brasileiro, da nossa cultura, perdendo quase totalmente o seu caráter religioso. Tirando os nomes de santos, não há quase referência a eles nas festas. Para a maioria das crianças, é apenas uma festa onde acendem-se fogueiras, come-se milho e soltam fogos de artifício.

Muitos evangélicos têm dúvida sobre se podem ou não participar de festas juninas. Há igrejas que as fazem em suas dependências, chamando-as de festas caipira ou até mesmo festas jesuína! Outras criam festas semelhantes, mas com nomes como festa do milho, festa das nações ou estados montando barraquinhas de comidas típicas e muita música gospel. São verdadeiras festas caipiras evangélicas voltadas para a confraternização dos crentes e a evangelização. Nos arraiais evangélicos não há bebidas alcoólicas, mas muita música evangelística. Esse diferencial segundo os organizadores dos arraiais evangélicos atrai a atenção dos que não conhecem Cristo.

Mas, pode o crente participar de uma festa junina? O apóstolo Paulo respondeu a uma questão bem parecida em 1 Co 10.23-33. Diz ele: um crente não devia participar de uma cerimônia em um templo pagão (lembrando que a parte sagrada da festa ao santo acontece dentro das igrejas), mas participar de uma refeição na casa de um amigo pagão era possível desde que não causasse escândalo (assim como participar de um arraial). “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. ” (v. 23) A questão então não está em participar de um arraial ou em comer as delícias ali vendidas. Está na consciência de cada um e na possiblidade de escandalizar alguém que pense diferente.

Procure saber o que sua igreja orienta. Este assunto divide opiniões criando posturas exaltadas que em nada contribuem para o crescimento da Igreja de Cristo. Acima de tudo esteja o amor de Deus que que nos torna capazes de seguir a recomendação de Paulo: “assim como também eu procuro em tudo ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos. ” (1 Co 10.33)

Lidice Meyer Pinto Ribeiro é Doutora em Antropologia Social (USP). Investigadora integrada. Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL). Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


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