Mesmo fora do trabalho, muitos brasileiros seguem mentalmente ativos durante as férias, e a fé aparece como referência para reorganizar limites e rotinas
Por Patrícia Esteves
O início do recesso de fim de ano costuma expor um contraste recorrente nas famílias brasileiras. A agenda desacelera, mas a mente permanece ocupada. Mensagens continuam sendo respondidas, demandas são antecipadas e o tempo livre é atravessado por uma sensação persistente de pendência. Levantamento da Fundação Getulio Vargas indica que 38% dos trabalhadores relatam dificuldade em se desligar do trabalho mesmo durante períodos formais de descanso, evidenciando que a pausa no calendário nem sempre se traduz em descanso real.
Pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre saúde mental e trabalho apontam que a ausência de pausas efetivas está associada ao aumento de estresse crônico, irritabilidade e conflitos familiares. O descanso passa a ser menos uma questão de tempo disponível e mais um desafio de reorganização interna, que envolve limites claros entre vida profissional e relações pessoais.
A tradição cristã compreende o descanso como reconhecimento da própria finitude e como reorganização consciente do tempo. Não se trata de inatividade, mas de uma escolha deliberada de interromper a lógica da produtividade contínua, especialmente em períodos em que o convívio familiar se intensifica.
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Para a pastora e psicóloga Anísia Luíte, da Igreja do Nazareno, em Mesquita, no Rio de Janeiro, tanto o descanso quanto a atividade física regular dependem de decisões objetivas. Não acontecem por acaso. “Na atividade física, por exemplo, você se conecta com Deus, com o seu corpo e com a sua mente. Além disso, fica mais disposto, mais bem-humorado para conviver com a família e com a mente mais clara para a tomada de decisões”, afirma.
Ela lembra que dados do Ministério da Saúde indicam que a prática regular de exercícios contribui para a redução de sintomas de ansiedade e para a melhora da qualidade do sono, reforçando a importância de incorporar esses hábitos à rotina, inclusive nos períodos de pausa.
Anísia também destaca a ampliação de momentos de contemplação e oração. A retomada da leitura bíblica, como prática estruturante do dia a dia, deve integrar o tempo de descanso do trabalho para que a sensação de tranquilidade seja mais consistente e duradoura.

