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segunda-feira, 19 DE janeiro DE 2026

Febre amarela é confirmada em dois macacos encontrados mortos na Ufes

A Universidade Federal do Espírito Santo informou, nesta quinta-feira (30), que dois dos quatro macacos encontrados mortos no campus de Goiabeiras, em Vitória, estavam com febre amarela.

As análises foram feitas pelo Instituto Oswaldo Cruz. Por causa da confirmação, a universidade começou, ao meio-dia desta quinta, um mutirão de vacinação para a comunidade acadêmica, formada por professores, alunos e servidores.

No estado, a primeira morte causada pela doença em uma pessoa foi confirmada no dia 30 de janeiro e aconteceu em Ibatiba, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Desde então, foram 40 mortes contabilizadas. Elas estão concentradas na região Sul, Serrana e Noroeste do estado. A morte da primeira pessoa com a doença da Grande Vitória foi confirmada nesta terça-feira (28).

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O coordenador da ação que monitora os macacos da Ufes, professor Sérgio Lucena, afirmou que a contaminação desses macacos por febre amarela indica que houve a presença de mosquitos transmissores da doença na região, já que a análise foi encaminhada no início do mês.

“Não podemos afastar a possibilidade de que ainda existam esses mosquitos na área. Por isso a importância da imunização das pessoas que circulam na região”, alertou.

IMUNIZAÇÃO

A Ufes informou que a ação de imunização foi definida após uma reunião realizada na tarde desta quarta-feira (29), entre o reitor Reinaldo Centoducatte, a vice-reitora Ethel Maciel e representantes das secretarias estadual e municipal de saúde.

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Na reunião, a universidade foi informada de que as amostras de sangue de dois dos quatro macacos capturados vivos na mata do entorno do campus de Goiabeiras deram resultado positivo para febre amarela.

Além da vacinação no campus, outras ações serão realizadas pelas secretarias de saúde do estado e de Vitória, entre elas a intensificação da aplicação de fumacê na região.

“É fundamental que toda a comunidade universitária seja imunizada. Quem ainda não foi vacinado deve se vacinar. Nossa intenção é imunizar 100% das pessoas que trabalham ou estudam no campus”, afirmou a vice-reitora, Ethel Maciel.

MUTIRÃO

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O mutirão que começou nesta quinta-feira reúne professores, técnicos e estudantes em uma atividade de voluntariado, para colaborar com ações que já vinham sendo realizadas por prefeituras e outras instituições públicas e privadas.

A vacinação será realizada nas salas da Ala 1 e 2 do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), e a orientação é que todos os membros da comunidade universitária sejam imunizados contra a doença.

Para se vacinar, basta levar um documento de identificação com foto e carteira de vacinação (se tiver). Veja os dias e horários de vacinação:

Quinta-feira (30): das 12 às 19h30

Sexta-feira (31): das 8 às 16 horas

Segunda-feira (3/4): das 8 às 20 horas

Monitoramento

A ação de captura e monitoramento dos saguis que habitam no entorno do campus teve início no dia 8 de março e foi desenvolvida pela equipe do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes. O objetivo é monitorar a saúde dos animais, que atuam no meio ambiente como sentinelas, já que a morte desses indivíduos aponta para um possível problema.

Os saguis foram capturados em armadilhas colocadas na mata localizada atrás da Gráfica Universitária. Eles receberam um chip de identificação e um colar que informa o sexo do animal e o grupo ao qual pertence. A equipe também coletou sangue, fezes e mucosa dos animais, que foram encaminhados para análise clínica.

Sabe-se que, no campus de Goiabeiras, existem sete famílias de macacos, cada uma com ao menos seis indivíduos.

HIPÓTESES

O biólogo Sérgio Lucena apresentou três hipóteses para o aparecimento de macacos mortos infectados pela febre amarela na Região Metropolitana de Vitória:

1) Aedes aegypti teria começado a transmitir a doença

2) Mosquitos silvestres tornaram-se mais urbanos

3) Ser humano que foi infectado no campo pode ter sido picado por mosquito

“São casos pontuais, isolados. Mas como eles teriam contraído a febre amarela? Isso nos levou a questionar porque você não tem continuidade de matas de florestas até essas áreas. Estamos trabalhando com diferentes hipóteses porque nós precisamos investigar”, disse.

O professor afirma que não há confirmação da doença em seres humanos na região urbana, algo que tranquiliza, mas a investigação continua sendo necessária.

A grande preocupação diz respeito à contaminação por meio da picada do Aedes aegypti, que foi transmissor no do ciclo urbano da febre amarela no passado. O professor lembra que na Grande Vitória existem outros tipos de mosquitos Aedes e que eles também precisam ser pesquisados.

“Hoje, pelo que a gente sabe, ele não está transmitindo, mas potencialmente ele pode vir a transmitir. É uma grande preocupação”, afirmou.

De acordo com o especialista, grande parte da população é naturalmente resistente ao vírus da febre amarela.

“De 80% a 90% não têm sintomas ou têm sintomas muito brandos. Uma pessoa que foi à zona rural e foi picada por um mosquito que tem o vírus da febre amarela, ela fica alguns dias com esse vírus circulando no sangue. Se ela for para alguma cidade que tem uma mata do lado, é possível que algum mosquito apropriado venha a se contaminar e pique o macaco”.

O biólogo esclareceu que os macacos não são capazes de transmitir a doença, por isso a população não precisa temer o contato com os bichos.

“O mosquito é necessário. Não existe transmissão da febre amarela de macacos para humanos e de humanos para humanos, há sempre a intermediação de um mosquito. Se o macaco na zona urbana veio a se contaminar, de alguma forma esse vírus chegou na cidade”.

Fonte: www.gazetaonline.com.br

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