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terça-feira, 4 agosto, 2020

Fé, o elo perdido

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“Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” – Lucas 18:8

Onde estás? Essa foi a primeira pergunta dirigida por Deus ao homem e, de acordo com a Bíblia, foi motivada pelo fato de que o homem saiu do lugar onde o próprio Deus tratava com ele. Esse lugar não estava ligado apenas ao ambiente físico, mas também, e principalmente, a um lugar de obediência, dependência e confiança na Palavra de Deus.
Essa pergunta feita no Éden ainda hoje continua sem uma resposta clara da parte do homem. Além disso, outras três perguntas ainda não apresentam resposta para muitas pessoas: de onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos?

De acordo com o pastor e professor Tarcísio Teles, toda a construção científica tem por base um ponto em que ela possa se referenciar. “Na ciência, nós podemos nos ater à definição de tempo cronológico, que surge por necessidade de um padrão”, destaca.

“Se você for para o campo da filosofia, da literatura, da poesia, a definição de tempo tem as suas diversas formas”, complementa o professor, indicando que o tempo sofre variações de acordo com a referência com que se medem as coisas.

No entanto, há uma referência que não muda: a fé. “É uma referência que para o servo de Deus é segura para toda e qualquer situação, pois advém de um outro universo que não é este da criação”, afirma Tarcísio.

A princípio, a Obra Criadora está sujeita a mudanças, e o homem não pode fugir delas. Por outro lado, através da Obra Redentora, existe uma experiência para resgatar e reconduzir a humanidade novamente à eternidade em segurança.

A Bíblia estabelece essa referência. “A qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até o interior do véu” (Hebreus 6:19). A âncora tem a função de trazer segurança para o barco e deixá-lo fixo em um determinado ponto.

Da mesma forma, o elo que o homem perde ao pecar e desobedecer, ao longo da história, Deus novamente apresenta-o para que ele possa caminhar seguro e ter uma condição de eterno na presença dEle, por meio da operação do Espírito Santo.

A seguir, você aprenderá mais sobre “Fé – O Elo Perdido” no estudo formulado pelo pastor e professor Tarcísio Nunes Teles.

1. Introdução

O entendimento bíblico de Fé pronunciado pelo Senhor Jesus para o tempo profético dos nossos dias está fundamentado no texto bíblico de Hebreus 11:1. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem ” [1]. Os destaques dados no texto são importantes, pois se contrapõem de maneira muito clara ao que se pode construir pela razão humana, cuja base está no conhecido, no que se tem acesso pelos sentidos e cuja firmeza está limitada ao tempo.

Já no Éden o homem, pelo uso da sua razão e por um ato de rebeldia ao governo de Deus, fez a má escolha de desprezar a palavra do Criador, passando então a buscar subsídios terrenos para se apresentar diante de Deus.

A propósito, as folhas da figueira que usara para se cobrir já apontavam profeticamente para uma fé temporal e histórica, baseada na razão, pela qual muitos ainda hoje tentam se achegar a Deus. Essa fé temporal, tal como uma folha, inicialmente verde em seu vigor, murcha sob a ação do tempo e se vai.

A desobediência do homem no Éden evidenciava a perda de um referencial – a Fé – para sua relação com Deus.

Diante dessa perda real de vida, viveria a partir de então em busca de outros recursos, usando-se da ciência e principalmente do material e concreto com uma tentativa de se justificar ou mesmo alcançar a essência, o Deus do qual se afastou.

2. Razão – uma referência relativa

A história do homem é marcada de certa maneira por uma busca cada vez mais acentuada de entender o mundo e a si mesmo. Isso de certa forma estava já previsto na pergunta do Éden, “…onde estás?” (Gênesis 3:9), que ainda hoje ecoa sem uma resposta totalmente clara.

Um dos caminhos adotados por alguns, fora o de recorrer única e exclusivamente à razão, tomando como máxima a expressão “toda a Fé na razão” [2], bastante usada para fomentar um período importante da história da humanidade.

Pode-se dizer que, enquanto a ciência trata de um universo de coisas criadas, que são necessárias e úteis para a vida do homem, a Fé está baseada em duas situações: “nas coisas que se esperam” e principalmente “naquelas que não se veem”, um outro universo que é eterno e imaterial – o que denominaremos de Obra Redentora.

Quando a palavra faz menção ao que se não vê, não está se referindo àquilo que pelo limite da ciência não se pode compreender. Pelo contrário, refere-se àquilo que por muitas vezes pode ser visto, mas que sem a revelação do Espírito Santo não se pode entender na sua plenitude, como é o caso da exegese bíblica apenas na letra.

No campo da ciência, toda a construção parte sempre de algum ponto do qual ela pode referenciar os seus tratados.

Esse ponto pode ser a observação simples e pura de um fenômeno ou a conclusão lógica a partir de um fato. Pode-se então dizer que há sempre a busca pela referência em algo. Tal busca tem o seu valor nesta Obra Criadora, haja vista que a ciência é necessária à existência do homem, porém está limitada sempre ao tempo do homem.

O limite do homem é o tempo. Pode-se verificar essa limitação também em vários campos da ciência, mas na Física em especial a noção de referência ou de referencial assume um papel determinante na compreensão tanto do espaço como do próprio tempo, bem como do estabelecimento das leis, como é o caso da mecânica de Newton.

Figura 1

A figura 1 [3], apresenta um ponto de referência no espaço “O” a partir do qual se pode localizar diferentes eventos sobre uma forma diferencial. A partir desse ponto, pode-se realizar medidas tanto de espaço quanto de tempo por meio dos vetores “r, r’”, definidos nessa variedade “M”. Na Física, a definição de referencial, por mais que necessária, na sua essência não passa de uma abstração [4]. Conforme visto, o limite do homem está no tempo e no tocante a este aspecto: a necessidade de uma referência de medida sempre existiu.

Referencial de tempo – A definição de tempo é variável, contudo cabe se ater à definição de tempo cronológico, que surge de um padrão de medida. O tempo, que no passado, como nos dias de Acaz [5], já foi medido de diversas formas diferentes, utilizando o sol, as estrelas, as fases da lua, veio mais recentemente a basear-se no número de flutuações da estrutura do átomo de Césio 133 para definir um padrão de segundo.

Referencial de espaço – Igualmente, a medida de espaço, que no passado utilizava como padrão elementos como o côvado [1], ou mesmo a polegada, os quais podiam variar de um indivíduo para o outro, hoje faz uso de ferramentas mais precisas, mas ainda assim é passível de variações por dilatação da própria estrutura da matéria. Com a mecânica de Einstein, a própria noção de espaço e tempo se funde em uma estrutura única formando quatro medidas, sujeitas a incertezas, além, obviamente, das já conhecidas, como se expõe na relatividade seja em sua forma especial seja em modo geral, quando da deformação do espaço-tempo, conforme representado na figura 2, abaixo [6].

Figura 2

3. Fé, a referência absoluta
Contrapondo-se a todas as limitações da razão, a Fé se coloca como o elemento fundamental para que o homem possa se apresentar novamente a Deus, como o agente de união entre Deus e o homem –
o elo perdido no Éden por conta da rebeldia ao governo de Deus. A razão científica está limitada a quatro medidas, enquanto que a Fé se apresenta com um elemento de um outro universo uma Obra Redentora. Podemos considerá-la como uma quinta medida [7,8], a qual adentra ao tempo do homem o alcança e o resgata, na figura 3, a seguir.

Figura 3

Enquanto que as referências científicas mudam, nesta quinta medida o Senhor Deus se apresenta como imutável. “Porque eu, o Senhor, não mudo…” (Malaquias 3:6). Além disso, o Senhor estabelece uma referência de modo que Ele, e somente Ele, consolida-se como o refúgio seguro, principalmente em tempos de tantas tribulações como os de nossos dias.
Além do texto bíblico citado acima, a Bíblia está eivada de citações apontando para o lugar de segurança de Deus para o homem, como um esconderijo e um lugar de descanso – “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo à sombra do onipotente descansará” (Salmos 91:1), entre outros.

Como exemplo também dessa segurança, vemos na história de Abraão o exemplo de um homem que saiu da sua terra em direção a uma terra desconhecida baseando-se em uma promessa, sem saber para onde ia.

“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).

A sua orientação não estava baseada em nenhum ponto de referência desta Obra Criadora. Pelo contrário, estava na obediência à determinação de Deus. Tal obediência lhe consolidaria a Fé, que no período da Lei se estabelecia como uma imputação, enquanto que no período da graça, através da morte e ressurreição de Jesus, essa Fé, sendo o próprio Espírito Santo, dá ao homem a condição para que ele consiga atender ao chamado de Deus para sua vida.

A presença deste Espírito Santo neutraliza os ruídos da razão, como se pode observar em alguns exemplos do Novo Testamento [1]. Entre muitos exemplos cabe destacar a vida de Paulo, apóstolo e exemplo de um homem que de perseguidor passou a ser perseguido por conta do encontro com esta Fé redentora – com a revelação de uma medida que ele não conhecia.
“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu” (Atos 9:3).

Uma Fé que o alcança e lhe tira do caminho da cegueira e da morte. Esta Fé é, portanto, o elo perdido pela desobediência e hoje, pelo Espírito Santo, estabelece-se como fundamento para a caminhada da Igreja viva. Essa Fé pode hoje ser restabelecida na vida do homem, sem desprezar a criação, mas firmada na Obra Redentora através do autor e consumador da fé, com o único propósito de resgatar o homem ao seu lugar de origem, uma eternidade com Deus (figura 3).

Conclusão

No que tange à Obra Criadora, a luz, segundo a relatividade, apresenta uma referência tanto para as medidas de espaço quanto de tempo. Já na Obra Redentora, Jesus oferece a alma do homem uma eternidade de paz segurança e amor, referência pautada única e exclusivamente na Fé.

Uma Fé que perde o seu valor quando é materializada, afastando a alma da certeza de salvação e vida eterna. Estamos vivendo um cenário em que cada vez a Fé tem menos espaço, como um Elo que para muitos tem se tornado cada vez mais perdido e que poderá ser encontrado nesta hora através da operação do Espírito Santo, particularmente neste momento profético em que a Igreja se prepara para a sua partida para a Eternidade com Deus.

A urgência desta hora também torna patente a necessidade de uma reflexão pessoal sobre em que, ou em quem, nossa fé tem estado firmada. Qual tem sido, meu querido leitor, o referencial para sua fé? Fica a propósito o testemunho do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a Fé” (II Timóteo 4:7). Maranata, o Senhor Jesus Vem!

Sobre o autor: Tarcísio Nunes Teles, pastor e membro do grupo Ciência e Fé da Igreja Cristã Maranata, graduado em Física pela UEFS, mestre e doutor em Física Teórica pela UFRGS, com pós-doutorado pelo Istituto Nazionale di Fisica Nucleare em Firenze. Atua como professor e pesquisador na UFCSPA em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na área de mecânica estatística e termodinâmica em sistemas fora do equilíbrio, análise física de sinais fisiológicos e dinâmica de feixes em protonterapia.

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