Fé: O fio condutor do brasileiro

Pesquisa da Oxfam/Datafolha mostra que o brasileiro tem a fé em primeiro lugar para mudar de vida. “A fé move montanhas”, diz pastor Adilson Neves

A fé religiosa do brasileiro é mais importante que educação para mudar de vida. É o que aponta uma pesquisa da ONG Oxfam Brasil em conjunto com o Instituto Datafolha, sobre o ranking “Prioridades para melhoria de vida”.

Segundo a pesquisa, para 28% dos brasileiros, a fé é mais importante para ter uma vida melhor do que os estudos (21%), acesso à saúde (19%), o trabalho (11%) e ganhar mais dinheiro (8%). “Importante apontar como a renda, pura e simples, não é vista como aspecto prioritário para uma vida melhor”, observa a Oxfam Brasil.

Baseado na frase de Tomaz de Aquino, “para aqueles que tem fé nenhuma explicação é necessária”, a pesquisa não surpreendeu o pastor Adilson Neves, da Igreja Shekinah, de Brusque (SC). “Apenar de pluralidade e influências que recebemos de tantas culturas, o Brasil é um país de muita fé. É um traço muito forte na cultura brasileira, diferente do ramo que a pessoa esteja praticando”, disse.

Pastor Adilson diz o povo brasileiro tem expectativa de coisas boas, tem esperança e acredita que tudo vai melhorar, “porque a fé move montanhas e a pessoa entende que ela vai ajudá-la a arrastar para as demais coisas. É uma bússula para a vida das pessoas. Esta é a razão de que a fé é mais importante. O brasileiro foca na fé porque ele se torna mais forte, que descobre os propósitos de vida, que triunfa sobre o medo, a ansiedade e o estresse do dia a dia e que gera um caminho para as soluções da vida dele do ponto de vista material, espiritual e comportamental. A fé é o fio condutor do brasileiro”, explicou.

Pastor Marcos Alcântara, da Assembléia de Deus Madureira em Brasilia (DF) acrescentou. “O brasileiro prefere a fé acima de tudo porque ela vem para curar, conseguir emprego melhor, abrir portas para ganhar de dinheiro, mas não pensam que outras pessoas que não tem fé também conseguem êxito nessas coisas. Mas penso que isso é puramente um misticismo”.

Pesquisa

O levantamento, que ouviu 2.086 pessoas, em 130 cidades de todos os estados brasileiros, entre os dias 12 e 18 de fevereiro. E também questionou a percepção dos brasileiros sobre a desigualdade no país. A imensa maioria (80%) acreditam que o progresso do país está condicionado à redução da desigualdade.

Outros itens apontados na pesquisa como prioritários para a melhoria de vida foram: ter acesso à aposentadoria (6%), apoio financeiro da família (5%) e cultura e lazer (2%).

Contudo, o “investimento público em assistência social” ficou em último lugar na lista de prioridades para diminuição deste índice. Intitulado “Nós e as desigualdades”, a segunda edição deste estudo pediu aos entrevistados que dessem notas para dez medidas prioritárias para a redução de desigualdades, estabelecidas pela Oxfam, organização britânica que também atua no Brasil.

Veja o ranking

– Fé religiosa: 28%
– Estudar: 21%
– Ter acesso a atendimento de saúde: 19%
– Crescer no trabalho: 11%
– Ganhar mais dinheiro: 8%
– Ter acesso à aposentadoria: 6%
– Apoio financeiro da família: 5%
– Cultura e lazer: 2%


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